"Foi execução", diz tio de policial assassinado, após ver o corpo do sobrinho no IML de Arapiraca

Publicado em 20/05/2026, às 13h17
Luciano Cardoso, delegado da Polícia Civil de Sergipe e tio do policial Yago Gomes - Foto: Reprodução/TV Pajuçara
Luciano Cardoso, delegado da Polícia Civil de Sergipe e tio do policial Yago Gomes - Foto: Reprodução/TV Pajuçara

por Eberth Lins

Publicado em 20/05/2026, às 13h17

O delegado Luciano Cardoso afirmou que seu sobrinho, o policial Yago Gomes, foi executado pelo também policial Gildate Góes, contradizendo a versão de surto mental apresentada por Góes após o crime.

Cardoso destacou que Yago foi morto com um tiro na têmpora, caracterizando a ação como uma execução, e questionou a presença de Gildate na ativa, dada sua suposta instabilidade mental e histórico de violência.

O delegado pediu urgência nas investigações e laudos psiquiátricos sobre Gildate, ressaltando que ele já havia cometido outros crimes e que a Corregedoria da Polícia Civil de Alagoas deveria ter conhecimento de seu comportamento violento.

Resumo gerado por IA

O delegado da Polícia Civil de Sergipe, Luciano Cardoso, tio do policial civil Yago Gomes, conversou com a reportagem da TV Pajuçara/RECORD e afirmou que o sobrinho sofreu uma execução por parte do também policial Gildate Góes. A fala foi feita em frente ao Instituto Médico Legal (IML), onde o delegado sergipano esteve na manhã desta quarta-feira (20) para os procedimentos legais da liberação do corpo.

Para o delegado, a versão de que o policial Gildate matou os colegas de farda durante um suposto surto não condiz com as evidências.

"Chamo atenção das autoridades de Alagoas, a Polícia Judiciária, o Ministério Público de Alagoas, para que tomem providências urgentes. Eu acabei de ver que o Yago Gomes foi assassinado. Ele foi executado com um tiro na têmpora, fatal. É assim que os assassinos matam, é assim que as pessoas que têm a coragem e a decisão de suicídio fazem. O tiro foi encostado. Se foi surto, porque ele não deu o tiro na cabeça dele?" questionou o tio em entrevista ao vivo para o Fique Alerta, da TV Pajuçara.

"O tiro da têmpora é aquele tiro de misericórdia. Os assassinos fazem, os executores fazem, pessoas quando querem se suicidar fazem, ou seja, na têmpora é fatal, não tem volta, a chance é zero [de sobrevivência]", explicou o delegado após visualizar o corpo do sobrinho.

Luciano Cardoso não poupou palavras ao afirmar que "o sobrinho foi executado de maneira covarde".

"Agora ele pratica os crimes e sai correndo dizendo que está em surto, muito fácil isso. Requer, urgentemente, laudos psiquiátricos, para comprovar o comportamento dele e o que o estado fez. Se ele é doente mental, porque está na ativa ainda?", questionou.

Ainda na entrevista, o delegado sergipano contou que esses não seriam os primeiros crimes do policial Gildate e cobrou celeridade na investigação.

"A informação que eu tenho é que ele já matou um colega há anos atrás, executou um preso dentro da viatura e que recentemente matou um cachorro. Será que a Corregedoria da Polícia Civil de Alagoas não tinha conhecimento desses fatos, porque que estava na ativa se era louco? Pelo que vi aqui, ele assassinou um policial [Denivaldo Jardel Lira Moraes] e Yago não concordando com a situação, ele foi lá e matou Yago para não ter testemunhas", enfatizou o tio da vítima.

Cardoso levantou ainda outros questionamentos sobre os momentos que antecedem o duplo homicídio, em Delmiro Gouveia.

"Esse assassino estava dirigindo a viatura e do nada ele disse que estava passando mal e passa a condução da viatura para o Yago. Ele vai para trás e mata dois colegas, já que estava em surto, porque não se suicidou? Porque que ele deu um tiro encostado no Yago? Um tiro a menos de 5cm, na têmpora, um tiro de execução, covarde, assassino frio. Espero que a Polícia Civil de Alagoas tome as providencias urgentemente", continuou, acrescentando sobre a índole do sobrinho.

"O Yago era um menino tranquilo, de um equilíbrio emocional invejável. Um bom pai, um bom filho, um bom colega, um bom amigo", disse.

A Polícia Civil de Alagoas anunciou para esta tarde uma coletiva à imprensa para esclarecimentos e apuração sobre o crime.

O caso - Gildate foi preso suspeito de matar dois outros agentes da Polícia Civil na madrugada desta quarta-feira (20), no município de Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas. As vítimas foram identificadas apenas como Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira.

De acordo com os primeiros levantamentos, na madrugada, eles estavam em uma viatura e retornavam de uma ocorrência, a caminho da Delegacia Regional de Delmiro Gouveia.

O suspeito ocupava o banco traseiro do veículo quando teria entrado em surto e efetuado disparos contra os dois colegas, que estavam nos bancos da frente. Ambos morreram no local.

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