Rede de fast-food é investigada por surto de "diarreia explosiva" que afeta 6,7 mil nos EUA

Publicado em 16/07/2026, às 21h52
- Arina Krasnikova/Pexels

Galileu

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É seguro continuar consumindo frutas e verduras frescas? Esta é a dúvida que ganhou força nos Estados Unidos após um aumento incomum de casos de ciclosporíase, infecção intestinal causada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis. Embora autoridades investiguem se folhas verdes, como a alface, estejam por trás de parte dos surtos registrados no país, especialistas afirmam que ainda não há evidências para recomendar que a população deixe de consumir esses alimentos.

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Segundo os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), desde 1º de maio, foram confirmados 1.645 casos em 34 estados norte-americanos. Além disso, a agência investiga outros 5,1 mil registros suspeitos, elevando para a casa dos 6,7 mil o total de casos confirmados e possíveis. Pelo menos 141 pessoas precisaram ser hospitalizadas, e nenhuma morte foi registrada.

O estado mais afetado até o momento é Michigan, que concentra 3.762 casos e 44 hospitalizações. Foi lá que entrevistas com mais de mil pacientes levaram investigadores a apontar a alface ou outras folhas para salada como uma possível fonte do surto. Ainda assim, o departamento de saúde local ressalta que outros alimentos não podem ser descartados e que nenhum produto, produtor ou fornecedor específico foi identificado até o momento.

Taco Bell entrou na investigação

As investigações sobre as possíveis fontes de contaminação, mais recentemente, passaram a incluir também restaurantes da rede do Taco Bell. Segundo o Washington Post, alguns pacientes relataram ter consumido alimentos da rede de fast-food antes de adoecer. Outros infectados, no entanto, não comeram em uma unidade da empresa, indicando que o surto provavelmente vai além dela.

Como medida preventiva, o Taco Bell retirou temporariamente do menu ingredientes frescos, como alface, pico de gallo (espécie de vinagrete), guacamole e cebola com coentro, de restaurantes selecionados. Em comunicado à NBC News, a empresa afirmou que as autoridades de saúde não confirmaram qualquer ligação entre a rede, seus fornecedores ou ingredientes e os casos de ciclosporíase, e que a decisão foi tomada apenas por precaução.

O CDC e Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) também alertam que diferentes surtos podem estar ocorrendo simultaneamente. Isso significa que mais de um alimento ou fornecedor pode estar envolvido, dificultando a identificação de uma origem em comum no país.

Apesar disso, os investigadores do CDC também identificaram uma provável ligação epidemiológica entre casos registrados em Michigan, Ohio, Virgínia Ocidental e Kentucky. Segundo a agência, essa é a evidência mais consistente até o momento de que parte das infecções pode estar relacionada a uma fonte comum.

O que é ciclosporíase?

A ciclosporíase é uma infecção intestinal causada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis. A contaminação ocorre quando uma pessoa consome água ou alimentos contaminados com fezes humanas que contenham o parasita.

Ao contrário de muitos agentes causadores de doenças transmitidas por alimentos, a Cyclospora não é transmitida facilmente de uma pessoa para outra. Depois de ser eliminada nas fezes, ela precisa permanecer entre uma e duas semanas no ambiente para amadurecer e se tornar capaz de infectar outra pessoa. Por isso, é considerada improvável a transmissão direta entre pessoas, como explica Kali Kniel, professora de segurança microbiológica de alimentos da Universidade de Delaware, em entrevista ao siteToday.com.

Frutas, verduras e outros vegetais consumidos crus costumam ser os alimentos mais frequentemente associados aos surtos. Isso pode acontecer quando são irrigados ou lavados com água contaminada.

Os sintomas geralmente aparecem dias após a ingestão do parasita. O principal deles é uma diarreia aquosa intensa, descrita por muitos pacientes como “explosiva”, que pode persistir por semanas. Também podem ocorrer cólicas abdominais, náuseas, perda de apetite, gases, fadiga e perda de peso.

Embora a doença normalmente não represente risco de vida para pessoas saudáveis, casos mais graves podem levar à hospitalização por causa da desidratação, demandando tratamento com antibióticos, como destaca a PBS News.

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