Nide Lins
Interrompi minha licença médica ( mas sigo normalmente com o tratamento da pneumonia e estou bem ) para prestar uma homenagem a seu Newton, do famoso Caldinho de Capela, que nos deixou neste 28 de agosto, aos 82 anos..À frente do Caldinho de Capela ficam agora sua esposa, Dalva e seu filho, Antonio, que seguem com a missão de preservar esse legado tão alagoano.Viajar até Capela também tinha o sabor dos seus caldinhos: de feijão, de galinha e o misto, que juntava os dois. O Caldinho de Capela entrou para o roteiro turístico gastronômico do estado e se tornou patrimônio imaterial de Alagoas.
LEIA TAMBÉM
E tinha uma regra: chegar até meio-dia. Seu Newton era rigoroso com o horário. Tanto que minha primeira matéria sobre ele ganhou o título: “Caldinho de hora marcada”.
Lembro também de uma história que nunca esqueci. No primeiro ano em que fui fazer uma reportagem, faltou energia e não foi possível finalizar o caldinho de feijão. Fui até a cozinha e provei os grãos ainda inteiros. Gostei tanto que levei uma porção para casa.
O horário reduzido tinha uma explicação bem ao estilo de seu Newton. Ele já era aposentado e dizia: para que trabalhar loucamente? Decidiu servir o caldinho apenas naquele horário. Assim, todo mundo já sabia a hora certa de chegar e ele também podia aproveitar a vida.
“O caldinho é minha vida, gosto de ter o povo aqui, das conversas de futebol, dos bastidores da política… Fiquei muito triste com a pandemia, mas entendo que precisamos respeitar o distanciamento social, tanto que só vou abrir de segunda a sexta, porque no domingo vira uma assembleia (risos)”. disse seu Newton em agosto de 2020.
Seu Newton se foi, mas deixou um tempero impossível de esquecer. E, em Capela, cada caldinho continuará contando um pouco da sua história.
LEIA MAIS