☰
✕

Um episódio suspeito de ser operação do tipo “uma mão lava a outra”

Publicado em 12/08/2022, às 08h10

Redação

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União emitiu parecer considerando regulares as despesas relacionadas ao pagamento de diárias e passagens de membros da Operação Lava Jato para a realização do trabalho em Curitiba (PR).

LEIA TAMBÉM

Contrariando esse entendimento, a Tomada de Contas Especial da corte, com relatoria do ministro Bruno Dantas, entendeu que há irregularidades nesses pagamentos a procuradores da força-tarefa.

Rodrigo Janot, à época Procurador Geral da República, e Deltan Dallagnol, então Procurador da República e coordenador da Lava Jato, foram considerado gestores dos gastos da operação e condenados a ressarcir R$ 2,831 milhões ao erário.

Deltan Dallagnol se defendeu contestando a acusação e a penalidade:

“O sistema quer vingança. Este é mais um episódio que mostra o quanto o sistema político não tá nem aí para a sociedade e quer ver a Lava Jato longe do Congresso Nacional. Mostra até onde o sistema é capaz de chegar para impedir que o combate à corrupção avance no país”.

Um dos principais opositores da Operação Lava Jato, que prendeu várias pessoas envolvidas e conseguiu recuperar milhões de reais para os cofres públicos, foi o senador Renan Calheiros (MDB/AL).

Que, inclusive, processou Deltan Dallagnol e Rodrigo Janot.

A ele, Renan, é atribuída a articulação política que levou à indicação de Bruno Dantas ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União.

Em Brasília, a atitude do ministro, contrariando parecer técnico favorável aos acusados e impondo punição aos dois desafetos do senador, é entendida como uma forma de agradar a Renan Calheiros e retribuir à sua indicação para o TCU.

Até se fala que caso Lula seja eleito de novo presidente da República um nome a ser indicado para o Supremo Tribunal Federal seria justamente o de Bruno Dantas, pela força de Renan Calheiros junto ao hoje candidato do PT.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Prefeitos já não controlam mais os votos Um processo estranho do governo para reajustar o Bolsa Família Ocultar patrimônio, uma prática de quase todos os políticos A eminência parda do governo JHC