Além das baixas temperaturas, fatores como alimentação, sono e estresse podem influenciar a imunidade e aumentar a vulnerabilidade a infecções
No inverno, é comum relacionar as temperaturas mais baixas ao aumento dos casos de gripe. Apesar de as condições da estação criarem um ambiente favorável à circulação de vírus respiratórios, o frio, por si só, não é o responsável por causar essa doença. Na prática, alguns hábitos adotados nesse período podem ter um impacto ainda maior sobre o sistema imunológico.
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O alerta ganha força diante dos dados mais recentes do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que apontam aumento das internações por Influenza A e B em diversas regiões do país. O cenário reforça a importância de medidas preventivas para reduzir o risco de complicações, especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.
Segundo a Dra. Anna Paula Weinhardt, médica vascular que utiliza a Medicina do Estilo de Vida em sua abordagem, a queda da imunidade costuma estar muito mais relacionada ao comportamento do que à temperatura. “As pessoas costumam culpar o frio, mas ele não causa gripe. O que acontece é que, durante o inverno, passamos mais tempo em ambientes fechados e pouco ventilados, facilitando a transmissão dos vírus. Além disso, alguns hábitos comuns nessa época podem comprometer a capacidade de defesa do organismo“, explica.
Abaixo, a especialista destaca 5 fatores que merecem atenção durante os meses mais frios. Confira!
A base do sistema imune começa no intestino. Priorizar frutas, vegetais, legumes, proteínas de alta qualidade e gorduras boas fornece os micronutrientes necessários para as células de defesa. Em contrapartida, é fundamental reduzir o consumo de ultraprocessados, açúcar e álcool.
Dormir bem não é luxo, é regulação metabólica. O sono insuficiente ou de má qualidade reduz drasticamente a eficiência dos glóbulos brancos e sabota a produção de anticorpos, deixando a porta aberta para infecções virais e bacterianas.
O estresse prolongado mantém os níveis de cortisol permanentemente elevados. Esse hormônio, em excesso, inibe a ação dos linfócitos e prejudica a comunicação entre as células imunológicas. Praticar hobbies, meditação ou atividades relaxantes é essencial para manter essa barreira ativa.

Fazer exercícios é um modulador imunológico natural. A prática frequente melhora a circulação das células de defesa pelo corpo, ajuda no controle do peso, otimiza a sensibilidade à insulina e ainda atua diretamente na redução da ansiedade.
Beber água evita o ressecamento das mucosas do nariz e da garganta. Essas vias úmidas funcionam como uma barreira física que retém e elimina vírus e bactérias com mais eficiência, dificultando a entrada de infecções respiratórias no organismo. O ar seco do frio também rouba a umidade do corpo ao respirar, portanto é importante manter-se sempre hidratado.
Apesar da importância dos hábitos saudáveis, a Dra. Anna Paula Weinhardt ressalta que nenhuma estratégia substitui a vacinação contra a gripe. “A vacina continua sendo a medida mais eficaz para prevenir casos graves, hospitalizações e complicações relacionadas à influenza. Pessoas idosas, gestantes, pacientes com doenças crônicas e outros grupos de risco devem manter o calendário vacinal atualizado”, reforça.
Além da vacinação, manter ambientes ventilados, higienizar as mãos regularmente e evitar contato próximo com pessoas sintomáticas seguem sendo medidas importantes para reduzir a transmissão dos vírus respiratórios.
Por Felipe Sá
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