Polícia

Advogados são suspeitos de 'invadir' sistema do TJ e interferir em processos

Redação TNH1 | 29/07/20 - 08h05 - Atualizado em 29/07/20 - 10h55
Cortesia ao TNH1

A Polícia Civil deflagrou a operação "Backdoor", na manhã desta quarta-feira, 29, para cumprir três mandados de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara Criminal da Capital, cujos alvos foram advogados que atuam nos municípios de Arapiraca e Coruripe.

A investigação, que é coordenada pelo delegado Thiago Prado, visa desarticular um esquema de uso indevido de senhas de acesso ao sistema do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), que vinha prejudicando o cumprimento de medidas judiciais sigilosas, como interceptações telefônicas e mandados de prisão.

(Crédito: Cortesia)

Ao longo da investigação em ambiente cibernético, a polícia detectou o envolvimento de advogados fazendo uso desse acesso, bem como o vazamento das informações para os réus, que acabavam se evadindo sem serem pegos pela polícia.

Os suspeitos teriam acessado o sistema 91 vezes com as senhas de três Defensores Públicos do Estado de Alagoas, o que causou prejuízo a medidas judiciais em curso.

(Crédito: Cortesia)

Os mandados foram cumpridos por equipes da DERC, ASFIXIA e OPLIT, e nos escritórios de advocacia tiveram o acompanhamento de representantes da OAB/AL.

O Portal TNH1 deixa o espaço aberto para manifestação das partes. 

OAB/AL se manifesta sobre ação

Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB-AL) informou que aguarda mais informações e que acompanhando o caso. Leia na íntegra.

A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB-AL) informa que acompanhou, através da Diretoria de Prerrogativas, o desfecho de uma operação da Polícia Civil, realizada na manhã desta quarta-feira (29), cujo alvos foram dois advogados. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em Arapiraca e Coruripe, que foram realizados sem prisões. A Seccional alagoana aguarda mais informações e continuará acompanhando o caso.

TJ afirma que não houve alterações nos conteúdos

A reportagem entrou em contato com a assessoria do TJ/AL, e foi informada que não ocorreu nenhuma alteração em conteúdo processual ou algo compatível com a entrada indevida dos advogados no sistema.

Segundo o órgão, o SAJ – Sistema de Automação da Justiça -  não foi invadido. O sistema possui diversos níveis de auditoria, conseguindo mapear de qual dispositivo a consulta processual via internet foi efetuada. Os acessos suspeitos foram detectados pelo próprio Judiciário de Alagoas.

"O presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, Tutmés Airan, manifesta seu total apoio à apuração dos fatos, reconhece que estes são absolutamente graves e inaceitáveis, especialmente por objetivar criar embaraços a investigações processuais. O presidente ressalta ainda a sua confiança no trabalho da 2ª Vara Criminal de Maceió, que autorizou a operação e supervisiona as investigações do caso", mostra um trecho do comunicado.

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