Alagoas

Alagoana de oito anos pode se tornar astrônoma mais jovem a identificar asteroides

A pequena astronauta amadora identificou sete asteroides no espaço. Ela é natural de Maceió e, aos dois anos, já demostrou interesse pelo universo

TNH1 com Correio Braziliense | 18/08/21 - 10h25 - Atualizado em 18/08/21 - 10h37
Arquivo Pessoal

O astrônomo, físico e divulgador científico, Carl Sagan costumava dizer que “em algum lugar, algo incrível está para ser descoberto”. Com esse olhar apaixonado pelas estrelas, a alagoana Nicole Oliveira, de oito anos, tem ido longe em busca de grandes descobertas sobre o espaço. A pequena astrônoma que é bicampeã da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica e a pessoa mais jovem a integrar a International Astronomical Search Collaboration (IASC), programa da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa), aguarda a avaliação para saber se os sete asteroides descobertos por ela, são inéditos.

Nicolinha, como é conhecida, é natural de Maceió e o sonho de conhecer mais sobre o espaço começou quando tinha apenas dois anos. “Sempre pedia ao papai e a mamãe por uma estrela e eles sempre me davam de pelúcia e de brinquedo, não entendiam que eu queria mesmo era uma do céu”, diz. Segundo a mãe de Nicole, Zilma Oliveira Simião, ela e o marido não conheciam o assunto ou tinham pessoas da família que conheciam de astronomia, sendo um desejo próprio da menina de estudar mais sobre o espaço.

Aos quatro anos, Nicolinha fez um pedido inusitado para seus pais: ela trocaria todas as suas festas de aniversário por um telescópio. “Ficamos surpresos, principalmente por ser um equipamento com o valor altíssimo e ela mesma teve a ideia de ficar sem as festas. Então, compramos, porque ela ama demais o que e logo decidiu que queria fazer o curso de astronomia”, conta Zilma.

A partir daí, a pequena não parou mais, aos seis anos ingressou em um curso de astronomia pelo Centro de Estudos Astronômicos de Alagoas (CEAAL), “junto aos adultos e sem faltar nenhuma aula”, como ela mesma conta, com orgulho. Vendo a dificuldade de encontrar projetos e programas que fossem voltados para crianças, Nicole pediu aos pais que colocassem no YouTube vídeos onde ela explicava o que aprendeu nos cursos e então começou uma saga de ensinar o que sabia para outras crianças apaixonadas pelas estrelas.

Nicole fundou, durante a pandemia, com ajuda dos pais, o clube de ciência Nicolinha&Kids, onde ela e outras crianças poderiam compartilhar seus estudos. Zilma afirma que a criança também criou, em seu canal no YouTube, um programa de entrevistas. “Ela e duas amigas (virtuais) apresentam o programa e já entrevistaram grandes nomes como Duilia de Mello, Alessandra Pacine, Carlos Moura, Marcos Palhares e outros cientistas importantes da área”.

Em busca de algo maior

A cientista mirim assistia a uma live do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), quando ouviu falar pela primeira vez sobre o programa “Caça-asteroides”, em parceria com a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa). “Pesquisei sobre e vi que precisava de uma equipe, então a mamãe e o papai entraram comigo, fiquei muito feliz, porque queria muito participar”, conta Nicole Oliveira.

Nicolinha participa do projeto desde 2020, sendo o primeiro ano que está em uma equipe junto com seus pais. Neste ano, em maio, com uma equipe formada só por crianças do clube de ciências criado por ela. Ao todo, a pequena divulgadora científica identificou sete asteroides, que se forem confirmados, a tornam a pessoa mais jovem a descobrir um asteroide.

“A pesquisa é toda feita pelo software que a IASC disponibiliza assim conseguimos observar as imagens, todos os que eu descobri já estão em análise preliminar”, explica com orgulho. O processo de reconhecimento é feito pela Nasa, no programa Inter-Agency Standing Committee (Comitê Permanente Interinstitucional, em português) e é um processo que leva até oito anos para ser finalizado.

A importância do incentivo

Além das atividades astronômicas, Nicolinha também mantém uma rotina com a ajuda da mãe. “Pela manhã ela estuda remotamente, devido à pandemia e à tarde tem suas atividades extraclasse, como o curso de inglês. A agenda é organizada para que ela possa fazer suas tarefas mas também ter descanso e lazer”, explica Zilma. “Eu gosto muito de estudar, então, não tenho matéria favorita, adoro todas”, informa Nicole.

Para a mãe da menina, que é artesã, é impossível não apoiar a paixão da filha pela ciência. “A Nicole conquistou muito nos últimos dois anos, além dos cursos, palestras e eventos que ela participou. Seria impossível não apoiar, com ela tendo tanto amor pelo que faz” comenta Zilma.

Segundo a psicóloga, especializada em neuropsicologia, Andrea França, é importante que os pais possam estar presentes na vida da criança “isso ajuda no desenvolvimento tanto cognitivo quanto emocional da criança, a partir do momento que ela percebe que os pais apoiam seus sonhos, ela desenvolve uma melhor autoestima e tem mais ânimo para buscar o conhecimento”.

E Nicolinha já sabe o que deseja para o futuro: “Quero me formar em engenharia aeroespacial, para construir foguetes e levar as pessoas para o espaço. Meu maior sonho é que todas as crianças no mundo possam ter acesso à ciência, tecnologia, astronomia e tudo mais que sonharem”.