Em plena efervescência da crise que afeta o Supremo Tribunal Federal, o jornalista Aldo Rebelo, ex-presidente da Câmara dos Deputados e quatro vezes ministro em governos do PT, inclusive da pasta da Defesa, concedeu entrevista ao jornal “Correio da Manhã”.
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A seguir, alguns trechos da entrevista de Aldo Rebelo, coordenador da campanha de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República, no que diz respeito à relação do Judiciário com o Executivo:
- Sobre as relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso, com o ministro Alexandre de Moraes, do STF:
“A gravidade dos áudios e dos telefonemas já oferece matéria suficiente para, pelo menos, três hipóteses. A primeira é que o próprio Supremo abra uma investigação, com amplo direito de defesa para o ministro, e preste à sociedade brasileira, ao povo brasileiro - a quem, em última instância, deveria servir a Suprema Corte -, os esclarecimentos necessários para que não restem dúvidas sobre o comportamento da Corte e de seus ministros.”
- Sobre Alexandre de Moraes permanecer no cargo ou se afastar:
- “Eu acho que a investigação poderia ocorrer com a permanência do ministro no cargo, mas sem que ele pudesse participar das deliberações. Não só sobre o caso Master, mas sobre o caso dele, inclusive. Ele deveria ser afastado da participação e das deliberações sobre a investigação que envolvesse sua atuação nesse escândalo.... Ele poderia pedir aposentadoria ou renunciar para se defender.”
- Sobre qual deveria ser a posição do presidente Lula na crise no STF:
“A posição do presidente Lula, infelizmente, está completamente contaminada pelo envolvimento de autoridades e lideranças do próprio Poder Executivo com o Banco Master, com o escândalo do Banco Master, para não falar do escândalo do INSS. Aliás, o senhor Vorcaro, segundo a imprensa, ameaça, em sua delação premiada, voltar suas baterias principalmente para autoridades do governo. Então, qual é a posição que o presidente da República pode adotar diante disso? A mais correta seria que as investigações fossem feitas e que tudo fosse apurado, inclusive no Congresso, por meio de CPI.”
- Sobre o envolvimento de pessoas próximas a Lula no caso Master e no caso do INSS:
“A autoridade do presidente foi completamente demolida por esse processo. Não só pela presença de familiares, como o filho, mas também pela presença do chefe de gabinete e de lideranças próximas. O senador Jaques Wagner é o líder do governo no Senado Federal. Então, o Poder Executivo está completamente envolvido e sem autoridade nessa situação.”
- Sobre Lula substituir seu grupo político no Congresso:
“É evidente que substitui. A governabilidade do presidente Lula não está mais no Congresso. Lula não tem maioria porque o Congresso rejeita as agendas do governo. Diante dessa situação, sem maioria no Congresso e sem uma base parlamentar que lhe dê sustentação, o governo recorre ao Supremo. Encontra seu amparo e sua proteção no Supremo.”
- Sobre Lula se afastar dos ministros do STF investigados no caso Master:
“Não tem a mínima chance. Pode fazer uma cena e dizer: ‘Não, não tem impunidade, todos respondem pelos seus atos’, mas isso é para inglês ver.
No fundo, o presidente Lula não só precisa como busca a proteção do Supremo.”
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