Alemanha devolverá fóssil de dinossauro encontrado no Ceará após 35 anos

Publicado em 05/05/2026, às 21h38
Marcos Sales/IFCE Campus Acopiara
Marcos Sales/IFCE Campus Acopiara

Por CNN Brasil

Um fóssil de dinossauro da espécie Irritator challengeri, encontrado no Brasil, será devolvido após 35 anos no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, com a expectativa de enriquecer o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, no Ceará.

O fóssil, que viveu há cerca de 110 milhões de anos, foi descoberto na Chapada do Araripe e sua devolução foi anunciada durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Alemanha, após um processo que envolveu a participação do Governo do Ceará e a mobilização de paleontólogos brasileiros.

A devolução do fóssil é vista como uma conquista cultural e científica, com a expectativa de inspirar novas gerações e fortalecer a pesquisa local, além de ressaltar a importância do Geopark Araripe, que destaca a relevância internacional da região e a necessidade de preservar suas riquezas naturais.

Resumo gerado por IA

Um fóssil de dinossauro encontrado no Brasil será devolvido após passar 35 anos no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, na Alemanha. A espécie Irritator challengeri viveu há cerca de 110 milhões de anos e foi descoberta na Chapada do Araripe, no Ceará.

De acordo com a Secitece (Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior), o material chega ao Brasil nos próximos meses, após o cumprimento das etapas burocráticas e de logística de transporte, já que a peça exige cuidados específicos.

Quando chegar, o fóssil deverá integrar o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, no Ceará.

O Ministério de Relações Exteriores anunciou a devolução no último dia 20 de abril em declaração conjunta com a Alemanha, após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país. Na data da visita, o processo já estava em trâmites finais, com participação do Governo do Ceará.

Após a confirmação, Aline Ghilardi, paleontóloga da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), foi uma das cientistas que comemorou a conquista. Veja abaixo:

"O retorno desse fóssil, especialmente para o seu local de origem, vai muito além da volta de um único espécime científico. Ele carrega um peso cultural e simbólico profundo, e tem o potencial de transformar realidades: inspirar novas gerações, fortalecer a pesquisa local e afirmar que o patrimônio pertence ao lugar onde suas histórias estão enraizadas", afirmou Aline.

Antes do acordo, paleontólogos brasileiros, incluindo Aline, pressionavam as autoridades dos dois países para que o retorno do fóssil fosse possível. Um dos meios encontrados foi a criação de um abaixo-assinado, que acumula mais de 34 mil assinaturas.

Também nas redes sociais, o Geopark Araripe, o primeiro Geoparque Mundial da UNESCO no Hemisfério Sul, destacou a importância do fóssil. "Diretamente ligado à Bacia do Araripe, esse importante fóssil reforça a relevância internacional da nossa região e a necessidade de preservar, pesquisar e celebrar as riquezas naturais que fazem do Geopark Araripe um território único no mundo."

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores também falou sobre a repatriação. "Ambos os lados valorizam a cooperação científica na área de pesquisa de fósseis, com o objetivo de utilizar a experiência e os acervos disponíveis na Alemanha e no Brasil para benefício mútuo de ambos os países. Nesse contexto, ambos os governos acolhem com satisfação a disposição do Estado de Baden-Württemberg e do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart em retornar o fóssil de Irritator challengeri ao Brasil."

Conheça o Irritator challengeri

O nome do fóssil está conectado à história de sua descoberta, em 1991. Na época, paleontólogos alemães ficaram frustrados ao constatar que o crânio do fóssil havia sido adulterado por contrabandistas brasileiros, e escolheram o termo Irritator, que deriva da palavra “irritação”.

Segundo a Secitece, partes ausentes devido à adulteração foram preenchidas com gesso para valorizar a peça, exigindo um trabalho minucioso de remoção do material e gerando grande contrariedade entre os pesquisadores.

Já o nome da espécie, challengeri, homenageia o personagem Professor Challenger, da obra O Mundo Perdido, escrita por Arthur Conan Doyle.

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