Alimentos afrodisíacos: o que realmente funciona e o que não passa de crença popular

Publicado em 26/06/2026, às 22h58
Reprodução/Freepik
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Por Galileu

Não há evidências científicas que comprovem que alimentos afrodisíacos aumentem o desejo ou desempenho sexual, sendo suas propriedades muitas vezes atribuídas a folclore ou efeito placebo.

Embora algumas substâncias, como ginseng e Tribulus terrestris, tenham mostrado resultados positivos em estudos com animais, os testes são insuficientes para conclusões definitivas sobre sua eficácia em humanos.

Pesquisas continuam a investigar o potencial de certos alimentos, mas tratamentos médicos convencionais, como inibidores da PDE5, são recomendados para disfunção erétil em vez de depender de afrodisíacos.

Resumo gerado por IA

Vamos começar este texto indo direto ao ponto: não há evidências científicas conclusivas de que os alimentos ditos “afrodisíacos” sejam capazes de melhorar o desejo sexual (libido) ou o desempenho sexual. Em geral, os poderes desses alimentos são meramente folclore ou efeito placebo.

O uso de afrodisíacos existe há milhares de anos em culturas como a chinesa, a indiana, a egípcia, a romana e a grega. Inclusive, o termo vem do grego aphrodisia (prazer sexual), que, por sua vez, estava relacionado a Afrodite, deusa do amor e da beleza.

Entre as substâncias historicamente conhecidas como afrodisíacas estão a ioimbina (extraída da casca de uma árvore na África Ocidental), os frutos de mandrágora (planta comum nos países do Mediterrâneo), o chifre de rinoceronte moído na cultura chinesa (sim, já houve rinocerontes selvagens na China) e a "mosca espanhola", substância extraída de besouros e que, na verdade, é tóxica. Hoje em dia, outros alimentos são conhecidos como afrodisíacos, como morango, ostras cruas, chocolate, café e mel.

Apesar de serem associados à libido e ao desempenho, muitos desses afrodisíacos também estão ligados a um melhor funcionamento fisiológico da região genital. Nesse sentido, é possível dizer que os afrodisíacos “funcionam”, mas de forma indireta, auxiliando na função sexual por meio da melhora de fatores como a circulação sanguínea.

Um estudo de 2016 analisou os efeitos de alguns desses supostos afrodisíacos em ratos. Ele apontou que a ambreína, a muira puama e o ginseng, substâncias tradicionalmente consideradas afrodisíacas, relaxam a musculatura lisa do corpo cavernoso do pênis. Outras substâncias, como a planta Tribulus terrestris e o fitoterápico epimedium (ou erva-do-bode-no-cio), demonstraram aumentar a qualidade da ereção em animais, enquanto ioimbina, ginseng e açafrão também aumentaram a qualidade da ereção.

Ainda assim, os estudos sobre o tema costumam sempre indicar que os testes são insuficientes para tirar conclusões definitivas. “Embora muitos desses ingredientes possam demonstrar eficácia no aumento do tecido erétil quando administrados individualmente e em condições in vitro controladas, os nutracêuticos frequentemente apresentam uma mistura de muitos desses ingredientes em altas dosagens. Muitos suplementos também contêm ingredientes ativos que não foram completamente testados e são potencialmente inseguros”, argumenta outro estudo.

Mas tem alguns que funcionam?

Isso não significa, porém, que os cientistas são completamente céticos sobre o assunto. Uma pesquisa de 2013 listou diversos alimentos que, mesmo precisando de pesquisas mais aprofundadas, apresentaram algum resultado em testes clínicos:

  • Sementes da erva Chlorophytum borivilianum - Pode melhorar a libido, a potência da ereção e o vigor sexual.
  • Raiz de Mondia whitei ➔ Pode diminuir hesitação sexual em machos.
  • Extrato de Tribulus terrestris (videira da punctura) ➔ Pode melhorar a qualidade da ereção em machos.
  • Extrato de açafrão crocus (Crocus sativus) ➔ Pode melhorar a qualidade da ereção em machos.
  • Miolo seco das sementes de noz-moscada (Myristica fragrans) ➔ Pode melhorar libido e fertilidade em machos.
  • Pólen de palmeira-datileira (Phoenix dactylifera) ➔ Pode melhorar a qualidade do esperma.
  • Raiz de maca-peruana (Lepidium meyenii) ➔ Pode melhorar a performance sexual em machos.
  • Extrato alcoólico de gengibre preto tailandês (Kaempferia parviflora) ➔ Pode melhorar a circulação sanguínea nos testículos.
  • Raiz de Eurycoma longifolia ➔ Pode melhorar a qualidade da ereção em machos.
  • Óleo essencial de Satureja khuzestanica ➔ Pode melhorar a qualidade do esperma.
  • Raiz de ginseng (Panax ginseng) ➔ Pode melhorar a qualidade da ereção em machos.
  • Casca de pau-de-cabinda (Pausinystalia yohimbe) ➔ Pode melhorar a qualidade da ereção em machos.
  • Caule da Fadogia agrestis ➔ Pode melhorar a função testicular e a latência da ejaculação.
  • Folhas e flores da Montanoa tomentosa ➔ Podem melhorar o vigor sexual.
  • Sementes de amendoeira-da-praia (Terminalia catappa) ➔ Podem melhorar o vigor sexual.
  • Sementes de sapota branca (Casimiroa edulis) ➔ Podem melhorar a disposição sexual.
  • Folhas de damiana (Turnera diffusa) ➔ Podem melhorar a disposição sexual.

Atenção: os testes clínicos nas espécies acima ainda não são conclusivos. Muitos deles foram feitos apenas em ratos, portanto a ideia de que os resultados seriam similares em humanos é apenas uma hipótese educada. Não se automedique. Em caso de problemas de saúde, procure um médico.

Em geral, porém, mesmo os alimentos que “funcionam” para esses fins possuem efeitos limitados, que variam de pessoa para pessoa. Para casos recorrentes de disfunção erétil, o médico provavelmente não vai recomendar comer ginseng, e sim algum tratamento com inibidores da PDE5, como a sildenafila (Viagra) e a tadalafila.

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