Nordeste

Após 128 mortos por tempestade, Pernambuco tem chuva no final de semana

Folhapress | 04/06/22 - 19h01
Fotoarena / Folhapress

O fim de semana deve ser chuvoso em Pernambuco, estado que registrou ao menos 128 mortes até o momento após deslizamentos e outros impactos causados pelas tempestades que atingem a região desde semana passada.

Segundo medições do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), há aviso de chuvas intensas desde o litoral da Paraíba até o norte do Alagoas, o que abrange toda a costa pernambucana e parte considerável do interior do estado. O motivo seria uma nova frente fria que avança pelo oceano.

A previsão estima chuvas com variação entre 30 e 60 milímetros ou entre 50 e 100 milímetros diários, com ventos intensos que podem chegar até os 100 km/h. Também há riscos de queda de árvores, alagamentos e descargas elétricas, além de falhas no fornecimento de energia.

Além de Pernambuco, há expectativa de chuva forte no Recôncavo Baiano, no litoral de Sergipe, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.

O Climatempo destaca que, em Pernambuco, a situação é mais sensível devido ao grande volume de chuva que já caiu no estado. Na última quinta-feira (2), por exemplo, choveu mais de 90 milímetros acumulados em 24 horas em cidades do Grande Recife.

"Isto representa aproximadamente 25% de toda a média chuva normal para junho, que é de 391mm", afirma o órgão.

Situação de emergência - No último balanço da Defesa Civil de Pernambuco, foram contabilizadas 128 mortes após as autoridades encontrarem a última desaparecida na comunidade do Areeiro, em Camaragibe. Ao todo, foram registrados 9.302 desalojados.

"Hoje encerramos as buscas por desaparecidos. Quero transmitir minha solidariedade aos familiares das 128 vítimas e informá-los que decretamos luto oficial de três dias, em sua memória", disse o governador de Pernambuco, Paulo Câmara. Entre os mortos estão 32 crianças.

Câmara também anunciou uma ajuda de R$ 1,5 mil para cada uma das 82 mil famílias que tiveram as casas destruídas no desastre.

Recife e outros 13 municípios da região metropolitana, como Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Paulista e outros, estão sob decreto de situação de emergência -o que possibilita ao estado solicitar recursos federais da Defesa Civil.

O órgão divulgou, nas redes sociais, um contato de emergência para a solicitação de ajuda em locais sob atenção.

Plano contra tragédia demorou 2 dias - O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), órgão federal ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, emitiu um boletim geo-hidrológico na última quarta-feira (25) em que alertou para o "risco alto" de chuvas intensas e de deslizamentos na região metropolitana do Recife.

Mesmo com o alerta, a prefeitura da capital pernambucana só acionou o plano de contingência na sexta-feira (27), quando a Apac (Agência Pernambucana de Águas e Clima) emitiu um outro comunicado informando a previsão de chuva intensa para o final de semana. Entre sexta e ontem, o estado contabilizava 79 pessoas mortas em consequência das chuvas e 3.957 desabrigados.

Procurada, a Prefeitura do Recife confirmou ter usado como referência os alertas da Apac.

Plano de contingência é um planejamento previsto em lei federal de 2012, determinando que os municípios tenham definidas ações de proteção e defesa civil. Elaborado a partir de uma hipótese de desastre, é nele que está a definição de procedimentos, ações e decisões em caso de eventos extremos, com preparação e resposta ao ocorrido.

Fenômeno atípico - As fortes chuvas que atingiram o Recife e cidades vizinhas foram provocadas por um sistema climático conhecido como Distúrbio Ondulatório de Leste. Ele tem como uma de suas principais características o deslocamento da massa de ar do oceano Atlântico para o continente.

Ele se movimenta em ondas. "A primeira onda vem trazendo chuvas de moderadas a fortes. O segundo movimento é caracterizado pela ausência ou reduzida precipitação. Na terceira onda, normalmente, podemos esperar chuvas ainda mais intensas", explicou o meteorologista Fabiano Prestelo, da Apac (Agência Pernambucana de Águas e Climas).