Interior

Após ser resgatado em condições subumanas, idoso é levado para casa de parentes

João Victor Souza | 23/08/19 - 14h48 - Atualizado em 23/08/19 - 14h59
Cortesia ao TNH1

Francisco Bezerra Silva, o idoso de 73 anos resgatado em condições subumanas, em uma casa na Zona Rural de União dos Palmares, foi encaminhado, nesta sexta-feira (23), para a casa de familiares no município de Murici, horas depois de ter prestado depoimento na delegacia da cidade onde morava. Uma irmã e uma sobrinha vão dar abrigo a ele a partir de agora.

O idoso foi encontrado em situação análoga à escravidão no assentamento Santa Quitéria, nessa quinta-feira (22). O responsável pelo assentamento, identificado como Adenílson da Silva, de 53 anos, foi autuado em flagrante delito pelo crime previsto no artigo 149 do Código Penal Brasileiro e segue preso na delegacia do município.

O delegado Valter do Nascimento, titular da 11ª Delegacia Regional, em contato com o TNH1 na tarde de hoje, informou que Francisco também será acompanhado pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). “Ele já se encontra na casa dos parentes. A irmã e a sobrinha assinaram um termo de compromisso nos autos do flagrante para cuidar da saúde e da higiene dele. Ele também será assistido pelo CREAS”, disse.

Ainda de acordo com Nascimento, o idoso não tinha consciência do estado em que se encontrava. Uma denúncia encaminhada à Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL), em fevereiro deste ano, apresentou que o homem comia ratos e bananas verdes, além de ingerir água contaminada por mosquitos, larvas e fezes de animais. 

“Ela disse que trabalhou por R$ 200 durante um ano, recebia mensalmente, e o restante não foi pago. Apenas a alimentação era fornecida de forma precária por Adenílson. Ele disse que ficava na expectativa de receber os salários atrasados”, reforçou o delegado.

Em depoimento à polícia, o suspeito alegou inocência. Segundo ele, o idoso estava na propriedade por conta própria. “O Adenílson contou que fez o Francisco assinar um termo em que o presidente do assentamento dizia não ter condições de lhe pagar salário. Contudo, fornecia alimentação em troca do trabalho”.

"O Adenílson terá direito a ampla defesa e contraditório, mas na minha ótica, explorava a condição mental e de submissão do idoso. E assim, praticava o delito”, continuou Nascimento.