Ataque russo em larga escala atinge prédios e mata ao menos 22 pessoas na Ucrânia

Publicado em 02/06/2026, às 17h19
Imagem de arquivo da guerra na Ucrânia - Folhapress / Folhapress
Imagem de arquivo da guerra na Ucrânia - Folhapress / Folhapress

Por Folhapress

Um ataque em larga escala da Rússia com drones e mísseis balísticos resultou na morte de pelo menos 22 pessoas em Dnipro e Kiev, além de mais de cem feridos, em um contexto de crescente tensão e alertas sobre uma nova ofensiva russa.

O Exército da Ucrânia informou que a Rússia lançou 656 drones e 73 mísseis, dos quais a maioria foi interceptada, enquanto o prefeito de Kiev relatou a destruição de prédios residenciais e incêndios em várias áreas da capital.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, pediu mais apoio dos EUA para sistemas de defesa aérea, enquanto a ONU condenou os ataques a civis, destacando a escalada da violência e a falta de progresso nas negociações de paz após mais de quatro anos de conflito.

Resumo gerado por IA

Um ataque em larga escala da Rússia contra a Ucrânia com drones e mísseis balísticos mataram ao menos 22 pessoas em Dnipro e Kiev entre a noite de segunda (1º) e a madrugada desta terça (2), segundo autoridades do país. Mais de cem pessoas ficaram feridas.

Ao menos dois prédios residenciais foram atingidos na capital ucraniana, e equipes de resgate realizam buscas. A operação ocorre dias após alertas de que Moscou planeja uma grande ofensiva. Segundo o Exército da Ucrânia, a Rússia lançou 656 drones e 73 mísseis balísticos. Destes, 602 aeronaves não tripuladas e 40 projéteis foram abatidos.

Em Kiev, jornalistas da AFP ouviram sirenes de alerta aéreo por toda a cidade, seguidas por uma série de fortes explosões. Alguns moradores buscaram abrigo em refúgios e estações de metrô subterrâneas, carregando bolsas e cobertores.

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, disse que um edifício residencial de 24 andares desabou após ser atingido por um míssil, com pessoas provavelmente presas sob os escombros.
Ainda segundo o prefeito, no distrito de Podil, um terreno de uma propriedade não residencial foi atingido por um incêndio e um prédio residencial de nove andares pegou fogo depois que destroços atingiram o telhado.

"No distrito de Obolon, carros estão pegando fogo após serem atingidos por destroços de mísseis. Há também incêndios em dois locais em áreas abertas, incluindo um perto de uma creche", disse Klitschko no Telegram.

Mais um ataque em Dnipro, no leste do país, deixou ao menos nove mortos, entre eles uma criança, e 35 feridos, informou o governador Oleksandr Hanzha. Um prédio de dois andares foi parcialmente destruído, enquanto vários apartamentos em um prédio de quatro andares foram danificados.

Uma maternidade com recém-nascidos e mulheres em trabalho de parto também foi atingida em Odessa, no sul do país, informaram as autoridades, que não relataram vítimas no centro de saúde. Na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, o governador Oleh Syniehubov afirmou no Telegram que pelo menos seis pessoas ficaram feridas, incluindo uma menina de 11 anos, em bombardeios durante a noite.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, voltou a defender o desenvolvimento de sistemas europeus de defesa aérea e a solicitar mais ajuda de Washington. "A assistência dos Estados Unidos no fornecimento de mísseis para os sistemas Patriot é absolutamente necessária", escreveu na rede X.

Mais tarde, o líder ucraniano disse que um novo mega-ataque russo poderia ser realizado na noite desta terça. "Por favor, peço enfaticamente que prestem atenção aos ataques aéreos", afirmou em um pronunciamento.

Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, o ataque teve como alvo durante a noite instalações na capital ucraniana, bem como nas regiões de Zaporijia, Kharkiv e Dnipropetrovsk. Instalações de energia e transporte ligadas ao exército ucraniano em outras regiões também teriam sido atingidas.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guerres, condenou a ofensiva. "Ataques contra civis infraestruturas civis são proibidos pelo direito humanitário internacional", disse seu porta-voz.

Na semana passada, a Rússia alertou que pretendia lançar "ataques sistemáticos" contra alvos em Kiev ligados às Forças Armadas ucranianas, bem como a centros de tomada de decisão, e pediu que estrangeiros deixassem o país.

O comunicado afirmava que a ação era uma resposta a um ataque com drone realizado no mês passado contra um dormitório na região de Lugansk, controlada pela Rússia, que matou 21 pessoas. A Ucrânia negou ter realizado o ataque.

A Rússia tem atacado o fornecimento de energia e a infraestrutura da Ucrânia, enquanto Kiev intensificou os ataques a instalações petrolíferas dentro do território russo neste ano, resultando, por vezes, em vítimas. Ambos os lados negam ter civis como alvo.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, afirmou que os ataques demonstram que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, "está ficando sem opções militares" em sua invasão. "Putin é um criminoso de guerra e um perdedor que não tem mais cartas além do terror", escreveu nas redes sociais

A guerra na Ucrânia se arrasta há mais de quatro anos, desde que a Rússia lançou sua invasão em fevereiro de 2022. Os esforços para pôr fim ao conflito têm obtido poucos avanços, com o governo dos Estados Unidos de Donald Trump focado em conflitos no Oriente Médio.

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