Bacharel em Direito preso por morte de Isabelle Caracristi estava em processo de divórcio, diz defesa

Publicado em 23/09/2026, às 09h42
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Por Itatiaia

João Munhoz Neto, de 34 anos, foi preso preventivamente sob suspeita de envolvimento na morte da namorada, Isabelle Caracristi, de 22 anos, ocorrida em 13 de setembro, surpreendendo sua defesa que alegou que ele se apresentou voluntariamente à polícia.

A prisão foi fundamentada em artigos do Código Penal relacionados a indução ao suicídio e ameaças, enquanto a causa da morte de Isabelle foi confirmada como politraumatismo sem indícios de gravidez ou substâncias tóxicas.

A Perícia Forense do Ceará está finalizando laudos complementares sobre o caso, enquanto a investigação tramita em segredo de Justiça e a família de Isabelle busca respostas sobre as circunstâncias de sua morte.

Resumo gerado por IA

A advogada de defesa de João Munhoz Neto, de 34 anos, informou após a prisão preventiva nesta terça-feira (22) que, o bacharel é casado desde janeiro de 2025 e que a prisão pegou a defesa "de surpresa". Ele é investigado por suspeita de envolvimento na morte da namorada, a estudante universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, ocorrida na noite do domingo (13).

Segundo a advogada Lígia Peixe, João já estava em processo de "divórcio amigável" e terminou a relação cerca de 15 dias antes do início do relacionamento com Isabelle.

O bacharel em Direito afirmou que, de inicio, ocultou e negou as informações para Isabelle por "medo da reação dela" mas que, posteriormente, a jovem tomou conhecimento da situação.

A advogada também criticou a prisão, dizendo que João se apresentou voluntariamente, entregou os celulares e deu o endereço da casa de um parente onde ele estava.

Lígia disse ainda que ele está fragilizado e sob efeito de remédios.

Segundo informações divulgadas pelo g1, a prisão preventiva teve como base dois artigos do Código Penal:

  • 122 — Induzir (criar a ideia), instigar (estimular uma ideia já existente) ou prestar auxílio material (ajudar nos atos práticos) para suicídio ou automutilação.
  • 147 — Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave

Em nota enviada à Itatiaia, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou que "os procedimentos de competência do Poder Judiciário relacionados à investigação sobre a morte da estudante Isabelle Caracristi tramitam em segredo de Justiça".

O que se sabe sobre a morte de Isabelle Caracristi

O caso ganhou repercussão depois que a mãe da estudante, Isorlanda Caracristi, publicou um vídeo nas redes sociais cobrando respostas sobre as circunstâncias da morte. A polícia ainda não confirmou a causa do óbito nem informou que Isabelle tenha sido vítima de crime.

Confira, abaixo, a cronologia dos últimos momentos de Isabelle, segundo relato divulgado pela mãe dela:

  • Em julho de 2026 a jovem começou um estágio em um escritório de advocacia em Fortaleza, onde conheceu o então chefe, João Munhoz Neto.
  • De acordo com o relato de Isorlanda, Isabelle começou a namorar com João poucos dias depois de conhecê-lo
  • Em meados de agosto Isabelle decidiu morar com o namorado, a mãe e o irmão dele; Isorlanda chegou a manifestar ser contra, mas afirmou que não podia proibir a filha, que é maior de idadeNo sábado, 12 de setembro, Isabelle esteve na casa da mãe. Segundo Isorlanda, a filha passou o dia com ela, e decidiu dormir na casa da mãe.
  • No domingo (13), elas ainda estiveram juntas. Isorlanda afirmou que percebeu que Isabelle recebia muitas mensagens no celular e parecia inquieta. No fim da tarde, Isabelle informou que iria a uma procissão com o namorado e familiares dele.
  • Por volta das 19h, Isorlanda recebeu uma mensagem da filha: “Mãe, eu te amo”. A mãe respondeu a mensagem. Depois disso, segundo Isorlanda, a filha não respondeu mais.
  • Na manhã de segunda-feira (14), Isorlanda tentou novamente falar com Isabelle, mas não conseguiu. Segundo o relato publicado pela mãe, ela também tentou entrar em contato com o namorado da filha, mas ela estava bloqueada. Preocupada, ela foi até o condomínio onde a filha morava.
  • No local, Isorlanda afirma que foi informada pela síndica de que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo já havia sido encaminhado para a Perícia Forense.
  • O laudo necroscópico conclusivo revelou que a causa do óbito foi politraumatismo decorrente do impacto da queda, sem registros de gravidez ou de presença de substâncias toxicológicas no organismo da estudante.
  • De acordo com Isorlanda, a família do namorado não entrou em contato com ela desde a morte da filha, assim como não compareceram ao velório da jovem.
  • A mãe do namorado de Isabelle Caracristi só foi localizada pela policia no domingo (20), exatamente uma semana depois. A mulher foi localizada pela polícia numa praia e teve o celular e o tablet apreendidos.
  • O bacharel em Direito João Munhoz Neto foi preso preventivamente pela Polícia Civil nesta terça-feira (22), no bairro Aldeota, em Fortaleza.

Avanços periciais e causa da morte

A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) confirmou a emissão de 10 laudos sobre o caso, enquanto outros três relatórios estão em fase de finalização. Acionada na noite do ocorrido pela Polícia Militar do Ceará (PMCE), a equipe pericial esteve no local para inspecionar o apartamento, o terraço do edifício e a área do solo onde a vítima caiu.

Os exames de local de crime, toxicológico e de necropsia, elaborados com foco na verificação de eventuais marcas de violência de gênero, já foram formalmente entregues à Polícia Civil. Os laudos complementares previstos pela Pefoce serão entregues dentro do prazo legal de 10 dias.

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