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Ciclista morre atropelado por capitão dos Bombeiros no Rio de Janeiro

O Dia | 11/01/21 - 15h51 - Atualizado em 11/01/21 - 16h14

Um ciclista morreu atropelado por um carro, na manhã desta segunda-feira, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. O acidente aconteceu na Avenida Lúcio Costa, altura do posto 10. O motorista do veículo, um capitão do Corpo de Bombeiros, fugiu, mas foi preso por uma equipe da corregedoria da corporação e agentes da 42ª DP (Recreio).

A vítima do atropelamento foi identificada como Cláudio Leite da Silva, 57 anos. Ele costumava pedalar diariamente e participava de competições de ciclismo. O acidente aconteceu no mesmo local onde um casal de professores foram atropelados e mortos pelo jogador de futebol Marcinho.

Testemunhas relataram que o motorista, identificado como João Maurício Correia Passos, 36 anos, fugiu sem prestar socorro, mas acabou batendo o veículo um pouco mais à frente e fugiu a pé do local, abandonando o carro, um HB20.

As testemunhas também disseram que ele apresentava sinais de embriaguez. Dentro do carro com placa de Barra Mansa, no Sul Fluminense, tinha uma bíblia e uma garrafa de whisky. O veículo passou por perícia da Polícia Civil. O corpo do ciclista já foi removido e foi levado para o Instituto Médico Legal (IML).

Cláudio é descrito pelos amigos como pessoa de “bem com a vida” e tranquila. O motoboy Alfredo Cartilha, 55 anos, reconheceu o capacete do amigo quando assistia ao noticiário e soube do acidente.

"Estava na padaria e passava no jornal sobre o acidente de um ciclista na Praia do Recreio dos Bandeirantes com falecimento. Eu vi o capacete... Ele [Cláudio] sempre mudava de roupa, mas o capacete era sempre aquele branquinho", conta. “E na hora pensei: ‘É meu amigo’”.

A amizade de Alfredo e Cláudio nasceu de uma paixão em comum: o ciclismo. O motoboy sempre pedala pela manhã. Ele sai de Curicica, onde mora, e vai até o Recreio. Durante o esporte, ele costumava encontrar o amigo.

“Eu sempre encontrava com ele quando estava voltando do Quebra Mar, ele tinha essa vantagem de pedalada de mim. Um dia cismei quando ele me passou, ‘hoje, eu vou atrás dele’. Eu fui, fui, fui até que o alcancei e falei: ‘pô, irmão, tu pedala à beça e te admiro’”, relembra Alfredo.

A dupla trocava vídeos das pedaladas e Alfredo chegou a homenagear Cláudio com uma publicação em 2018 em uma rede social. “Esse é meu amigo”, escreveu.

O capitão João Maurício Correia Passos, 36 anos, foi preso, na manhã desta segunda-feira, suspeito de atropelar e matar o ciclista Cláudio Leite da Silva, de 57 anos, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio.

João Maurício foi preso em flagrante por uma equipe da Corregedoria do Bombeiro com agentes da 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes) a 1 km do local do acidente. Ele foi capturado saindo da casa de um amigo.

Na distrital, o militar confirmou que estava ao volante e disse ter fugido "porque teve medo de ser linchado". O acidente aconteceu na Avenida Lúcio Costa, altura do posto 10.

De acordo com informações da 42ª DP, o militar tem histórico de agressão contra a mulher. O capitão foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) para realizar exame de corpo de delito.

Segundo a Polícia Militar, policiais militares do 31ºBPM (Recreio dos Bandeirantes) foram verificar a ocorrência do acidente. No local, foi encontrada uma vítima fatal de atropelamento. A área foi isolada e a perícia da Polícia Civil foi feita no local. O corpo do ciclista foi levado para o IML.

De acordo com a Polícia Civil, testemunhas serão ouvidas na unidade policial. As investigações estão em andamento para determinar as causas do acidente.

Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que a Corregedoria Interna e a Inteligência do CBMERJ prenderam o capitão João Maurício Passos, suspeito de envolvimento em crime de trânsito. O militar foi levado para a 42ª DP, onde será ouvido.

A corporação destacou que está à disposição das autoridades que investigam a ocorrência. Um procedimento interno vai apurar as circunstâncias do caso para confirmar ou descartar a participação do militar.

"É importante reforçar que a instituição não compactua com nenhum ato ilícito ou que vá de encontro com a ética, a moral e os bons costumes. O Corpo de Bombeiros RJ se solidariza com a família e amigos da vítima."