Pesquisadores da Universidade de Atenas decifraram um papiro de 1.600 anos que relata a morte de Jesus Cristo, sua descida ao submundo e ressurreição, encontrado na Biblioteca Nacional Austríaca.
O fragmento, datado entre os séculos IV e V, sugere que poderia ser parte de um livro cristão perdido, possivelmente um sermão ou hino, e foi analisado em comparação com outros manuscritos antigos.
Os pesquisadores esperam que a publicação dos resultados estimule a identificação da obra original e a localização de mais fragmentos, embora não tenham conseguido realizar datação por radiocarbono.
Pesquisadores da Universidade de Atenas (Grécia) acreditam terem encontrado — e decifrado — um papiro de 1.600 anos contendo relato da morte de Jesus Cristo, sua descida ao submundo e seu retorno por meio da ressurreição.
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Com apenas cinco por sete centímetros e meio, o pequeno pedaço, escrito em grego, estava entre papiros inéditos da Biblioteca Nacional Austríaca.
Comandandos por Amphilochios Papathomas e Mariana Thoma, a tradução realizada pela equipe incluí referência a alguém que "morreu", e a uma figura que "desceu" e aparentemente "ascendeu novamente", embora a falta de letras deixe partes da redação incertas.
A equipe acredita que a passagem fazia parte de um livro cristão que não sobreviveu às inúmeras cópias medievais, não chegando ao tempo moderno. Eles dataram o papiro como tendo sido escrito entre século IV ou V,o situando centenas de anos após a crucificação, mas dentro do contexto do mundo cristão antigo.
Eles sugeriram que poderia preservar um sermão, possivelmente escrito por um padre da igreja ou um líder religioso egípcio, embora um hino ou outra composição religiosa também seja possível.
Análise acredita que passagem veio do Egito
Publicada no jornal "Tyche", a pesquisa examinou o fragmento catalogado como P.Vindob. G 29289, um pedaço de papiro grego da Antiguidade Tardia.
Eles acreditam que o pedaço veio da região de Fayum ou Hermópolis, porém o catálogo da biblioteca não tem uma origem precisa. Thoma e Papathomas compararam a caligrafia e a linguagem com outros manuscritos antigos e escritos cristãos.
Uma das passagens mais chamativas, quando traduzida, lê: "... ele morreu... // e não (?)... [a morte o] tragou, embora antes, injustamente... [apenas / sozinho] aquele que desceu, subiu/ascendeu de novo...".
Os pesquisadores acreditam que, após a palavra "desceu", estaria escrito "para Hades", o reino dos mortos grego.
"O sentido da passagem é provavelmente o de que somente Jesus, e ninguém mais, entrou no Hades e retornou por meio de sua ressurreição", escreveram os pesquisadores.
Segundo a tradição, Jesus teria entrado no mundo dos mortos antes de sua ressurreição, libertando aqueles que morreram antes dele.
A teoria é reforçada quando comparada com outros textos cristãos, como as passagens atribuídas a Eusebius, que descrevem a descida do “Salvador” até as regiões da morte.
Numa passagem, o escritor cristão descreve o Salvador descendo sozinho às regiões da morte, assemelhando-se à referência proposta no fragmento a uma figura solitária que "desceu".
No entanto, o manuscrito não preserva uma narrativa ininterrupta de um túmulo vazio ou de Jesus aparecendo vivo aos seus discípulos.
Descida de Jesus dos céus também é considerada
Outra teoria, porém menos forte, é de que a passagem faz referência à descida de Jesus do céu para viver como um ser humano, em vez de entrar no reino dos mortos.
A parte da frente parece oferecer uma forma de "orientação moral", dirigindo-se ao leitor como um "andarilho" e alertando contra seguir o "caminho largo" na esperança de sobreviver.
Os pesquisadores não conseguiram realizar uma datação por radiocarbono, tendo deduzido a idade do papiro por meio de comparações com outras obras. Eles esperam que esta primeira publicação acadêmica ajude outros a identificar a obra original ou a localizar mais fragmentos do mesmo papiro.
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