Claudia Raia deu uma entrevista recente na qual desabafou a respeito de uma tentativa de abuso sexual que sofreu aos 13 anos, por parte de um coreógrafo conhecido de sua família, quando ela se mudou para Nova York após ganhar uma bolsa de estudos para se aperfeiçoar no balé.
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Durante sua participação no podcast "A Mamãe Já Volta", ela relembrou desse episódio em questão e revelou como se defendeu, a partir de um ensinamento herdado de sua mãe.
"Fui assediada aos 13 anos. Fui para Nova York, [porque] ganhei uma bolsa de estudos do American Ballet Theater. Minha mãe [estava] sacrificadíssima para me mandar para lá, porque ela realmente não podia, financeiramente. Então, ela me deixou na casa de um coreógrafo americano que já tinha dado vários cursos de férias na academia dela e por quem ela tinha confiança", contou.
E seguiu: "Ele morava no [bairro] Harlem, nos anos 1979. Era só eu de branca. Ele era casado com uma mulher e tinha uma filhinha. Fiquei na casa dele para estudar. A mulher dele foi com a filhinha passear em um parque, e ele ficou comigo. Fui contando para ele da minha semana de aula. Ele me perguntou como tinha sido, sentou do meu lado no quarto em que eu estava hospedada na casa dele, e tal. E nós, bailarinos, somos muito livres com o corpo, de botar a mão na perna, se tocar, é normal. Ele sentou e botou a mão na minha perna, tranquilo. Mas minha mãe sempre disse: 'Se alguém te tocar ou fizer alguma coisa que você não queira, jogue na cabeça dessa pessoa o que tiver do seu lado'. Isso foi fundamental".
Porque, no que ele foi subindo a mão, eu fui percebendo. Olhei para o lado e tinha uma coruja de cristal de peso de papel. Vi aquilo [e pensei que, se] ele fosse avançar, eu [usaria]. Ele avançou e eu [atingi] a cabeça dele. O homem desmaiou, [ficou] com uma coisa aberta na cabeça, sangrando. Bem-feito", acrescentou.
E admitiu: "Eu não sabia o que fazer, peguei as roupas que eu vi, coloquei na mala, saí correndo pelo meio do Harlem, chorando. Não tinha para onde ir. [Estava] tentando achar uma cabine telefônica para fazer uma ligação para a minha mãe e não achava. Até que passou um anjo, que era minha professora de balé moderno, aqui no Ballet Stagium. Passou, voltou, [viu] eu sentada com a mala e disse: 'Claudia?'".
Raia ainda revela que, na sequência, ficou hospedada na casa dessa professora, que morava junto de outras cinco mulheres dependentes de cocaína. "Essa história é pesada", reconheceu. "Passei por coisas inacreditáveis. Mas também voltei outra pessoa, podendo guerrear com qualquer coisa."
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