Nordeste

Comitê científico recomenda lockdown em cidades do interior de Alagoas

Ana Carla Vieira | 02/06/20 - 13h11 - Atualizado em 02/06/20 - 13h14
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Um relatório divulgado pelo Comitê Científico do Consórcio Nordeste recomendou que as medidas de isolamento social ainda não devam ser relaxadas. O documento publicado nessa segunda-feira (1º) cita, inclusive, cidades do interior de Alagoas, que, em face do número expressivo de casos, deveriam adotar medidas mais duras, como o lockdown.  

De acordo com o documento, graças às medidas de isolamento social determinadas pelos Estados e Municípios do Nordeste, verificou-se nos últimos dez dias uma leve diminuição no ritmo de crescimento de casos confirmados e de óbitos causados pela Covid-19.

"Leve diminuição no ritmo de cresicmento notadamente relacionada àquelas localidades que optaram por implementar planos de isolamento social mais rígidos (conhecido também como lockdown), como Fortaleza, São Luís e Grande Recife. Apesar disso, os números de casos e óbitos continuam aumentando por todo o Nordeste, e em nenhum Estado o pico da doença foi atingido até hoje. Esse fato confirma a projeção anunciada nos boletins anteriores de que em nenhum Estado o pico seria atingido antes do mês de junho",diz um trecho do relatório do Comitê.

Tendo em vista a diminuição no ritmo de crescimento, alguns Estados e municípios anunciaram, desde ontem, uma retomada gradua na economia, a exemplo de Pernambuco, Maranhão e Ceará.  

O comitê, entretanto, destaca que não é hora para flexibilização. "Este Comitê tem clareza sobre as enormes dificuldades e os prejuízos econômicos causados aos Estados, Municípios e à sociedade como um todo pela manutenção de longos períodos de isolamento social. Os efeitos são ainda mais danosos para os trabalhadores de baixa renda dos setores de serviços não essenciais. Entretanto, este Comitê continua mantendo a posição de que ainda não é o momento propício de flexibilizar as medidas de isolamento social, uma vez que o pico da epidemia do Covid-19 não foi atingido em nenhum Estado da Região Nordeste, como mostram os gráficos. As figuras exibem a evolução dos casos confirmados e óbitos, tanto para os Estados como também para suas capitais", aponta o relatório.

Lockdown em municípios alagoanos

O Comitê Científico do Consórcio Nordeste sinalizou, pela segunda vez, que as medidas mais restritivas de isolamento social também deveriam ser adotadas, imediatamente, pelas Prefeituras de Natal e Mossoró, no Rio Grande do Norte; Campina Grande, na Paraíba e nas cidades de Arapiraca e São Miguel dos Campos, em Alagoas.

O crescimento de casos no interior de Alagoas, notadamente nas cidades de Coruripe, Maragogi, São José da Laje e Palmeiras dos Índios, foi destacado pelo documento que concluiu a permanência da "recomendação de lockdown para Arapiraca e São Miguel".

Em Maceió, de acordo com o subcomitê, houve um crescimento de 109% dos casos. "Felizmente, a abertura de novos leitos manteve a cidade com uma taxa de ocupação de UTI abaixo do limiar de 80%. Todavia, é preciso que o isolamento social seja mantido na capital para evitar que o influxo de pacientes do interior cause uma sobrecarga no sistema de saúde", traz o relatório.

Confira o último boletim epidemiológico do estado de Alagoas.

Gráficos

Ainda de acordo com o documento, nota-se que o número de casos novos continuam dobrando num período entre 5 e 9 dias, enquanto os óbitos dobram entre 7 e 11 dias. No caso específico das capitais, tanto os casos quanto os óbitos continuam dobrando num período entre 7 e 15 dias.

"Levando-se esses dados em consideração, o relaxamento das medidas em 1º de junho poderá acarretar um aumento de 200 mil casos da doença e 7,5 mil óbitos adicionais no final do mês", conclui o relatório.