Conheça novas canetas emagrecedoras em fases avançadas de testes

Publicado em 23/09/2026, às 13h53
Imagem meramente ilustrativa - Freepik
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Por Vitor Hugo Batista / Folhapress

As canetas emagrecedoras, como Ozempic e Wegovy, têm se tornado populares para perda de peso, impulsionadas pelo sucesso de medicamentos que controlam apetite e insulina, gerando uma corrida entre farmacêuticas para desenvolver novas opções mais eficazes e com menos efeitos colaterais.

Medicamentos em fase avançada de testes, como CagriSema, survodutida e retatrutida, demonstraram resultados promissores em perda de peso, com algumas moléculas superando reduções de 20% do peso corporal, enquanto o orforglipron já foi aprovado pela FDA e deve chegar ao Brasil em 2027.

As farmacêuticas estão aguardando aprovações regulatórias para seus novos produtos, com a Novo Nordisk já solicitando registro do CagriSema e a Eli Lilly planejando submeter a retatrutida à FDA em 2027, enquanto o orforglipron, aprovado nos EUA, ainda não tem data definida para o Brasil.

Resumo gerado por IA

As chamadas canetas emagrecedoras, desenvolvidas para tratar diabetes tipo 2, tornaram-se um fenômeno nos últimos anos e objeto de desejo de muitas pessoas que querem perder peso.

Medicamentos como a semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, ambos da Novo Nordisk, e a tirzepatida, do Mounjaro, fabricado pela Eli Lilly, popularizaram uma classe de remédios conhecidos como agonistas do receptor de GLP-1, hormônio que atua no controle do apetite, da saciedade e da liberação de insulina, o que contribui para o emagrecimento.

O sucesso comercial e clínico desses compostos abriu caminho para uma nova corrida entre as grandes farmacêuticas: encontrar moléculas mais eficazes, com menos efeitos colaterais e em formatos mais simples de usar, como comprimidos orais.

CagriSema, survodutida e retatrutida estão em fase avançada de testes clínicos pela Novo Nordisk, Boehringer Ingelheim e Eli Lilly, respectivamente. Todas estão em fase 3, a etapa final antes do pedido de aprovação a agências reguladoras como a FDA, dos Estados Unidos, e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O orforglipron já passou pelos testes e foi aprovado pela FDA em abril. Fabricada pela Lilly, a molécula é de uso oral e vendida nos EUA sob o nome comercial Foundayo, mas ainda não chegou ao Brasil. A expectativa é de que o medicamento chegue ao mercado brasileiro no segundo semestre de 2027.

Os resultados divulgados recentemente pelas farmacêuticas indicam que a próxima geração de tratamentos pode superar os índices de perda de peso já alcançados pelos medicamentos hoje disponíveis -alguns com reduções superiores a 20% do peso corporal.
Leia abaixo o que já se sabe sobre os principais compostos em teste.

CAGRISEMA

Desenvolvido pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, o CagriSema é um duplo agonista: contém tanto a semaglutida, que age no receptor de GLP-1, quanto a cagrilintida, que age na amilina. Nesta terça-feira (22), a Novo divulgou os resultados de dois estudos de fase 3 da molécula.

No REIMAGINE 5, que avaliou pacientes com diabetes tipo 2, o CagriSema 1,0 mg/1,0 mg levou a uma perda média de peso de 12,4% na semana 60 (15 meses). O estudo também comparou os resultados com a tirzepatida 5 mg. Pacientes que usaram essa molécula tiveram uma redução de 9,1% do peso. Segundo a Novo, isso mostra que o CagriSema tem resultados superiores à tirzepatida para emagrecimento.

Já no REDEFINE 9, voltado a adultos com sobrepeso ou obesidade, a perda de peso chegou a 21% na semana 68 (17 meses) para os pacientes que usaram CagriSema 1,0 mg/1,0 mg, ante 2% no grupo placebo. A empresa também relatou melhorias em pressão arterial sistólica, relação cintura-altura e perfil lipídico.

Apesar de o documento divulgado pela farmacêutica não detalhar a lista de efeitos colaterais registrados nesses dois estudos específicos, a Novo diz que o medicamento foi "de modo geral, bem tolerado".

"Os resultados são muito encorajadores e demonstram o forte potencial da combinação de semaglutida e cagrilintida. Embora o CagriSema ainda seja um produto investigacional, esses achados reforçam nossa confiança em seu potencial, ampliam as evidências crescentes sobre a biologia da amilina e fortalecem nossa ambição de desenvolver a próxima geração de tratamentos para obesidade e diabetes tipo 2", disse Martin Holst Lange, vice-presidente executivo de Pesquisa & Desenvolvimento e diretor científico da Novo Nordisk.

A Novo Nordisk pediu o registro do CagriSema à FDA em dezembro de 2025 para uso no controle de peso. A empresa aguarda uma decisão regulatória para a venda nos EUA nos próximos meses deste ano.

SURVODUTIDA

A farmacêutica alemã Boehringer Ingelheim testa a survodutida, agonista duplo dos hormônios glucagon e GLP-1. Os resultados de dois estudos globais de fase 3 foram apresentados em junho e publicados no The New England Journal of Medicine e na Nature Medicine.

No SYNCHRONIZE-1, que acompanhou por 76 semanas adultos com obesidade ou sobrepeso sem diabetes tipo 2, a perda de peso média foi de 16,6%, contra 3,2% no grupo placebo. Exames mostraram ainda redução de 34% da gordura visceral e de 63,1% da gordura hepática, com a perda de peso concentrada principalmente na massa gorda, e não na massa magra.

Já o SYNCHRONIZE-MASLD avaliou por 48 semanas pacientes com obesidade ou sobrepeso que tinham a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD, na sigla em inglês), com sinais de inflamação e/ou fibrose. Cerca de 84,2% dos participantes tratados com survodutida alcançaram ao menos 30% de redução da gordura hepática, contra 24,3% no placebo, e a perda de peso chegou a 12,2%. Praticamente 6 em cada 10 pacientes normalizaram a gordura no fígado até a 48ª semana.

Os eventos adversos mais comuns foram os gastrointestinais, como náusea, vômito, diarreia e constipação, em geral, leves a moderados e concentrados na fase de aumento gradual da dose. "A survodutida tem o potencial de redefinir o que uma terapia direcionada para o controle do peso pode alcançar, ao buscarmos atuar sobre os principais determinantes da disfunção metabólica frequentemente associados à obesidade", afirmou Shashank Deshpande, presidente do conselho de administração e chefe da área farmacêutica da Boehringer Ingelheim.

A survodutida segue em investigação, sem aprovação regulatória em nenhum país. Estudos de fase 3b já estão em andamento, incluindo pesquisas voltadas à saúde da mulher (SYNCHRONIZE-HERA) e a pacientes com formas mais avançadas de doença hepática (ELEVATE-LIVER).

RETATRUTIDA

Diferentemente da semaglutida, da tirzepatida, do CagriSema e da survodutida, que atuam em um ou dois receptores hormonais, a retatrutida, da Eli Lilly, é um agonista triplo: ativa simultaneamente os receptores de GLP-1, GIP e glucagon. Os resultados mais recentes vêm de dois estudos de fase 3.

O TRIUMPH-3, com 1.949 adultos com obesidade grave e doença cardiovascular estabelecida (com ou sem diabetes tipo 2), mostrou que, após um ano e oito meses de tratamento, os participantes perderam em média 23,9 kg (21,6% do peso corporal) na dose de 9 mg e 25,3 kg (22,6%) na dose de 12 mg -contra apenas 3,5 kg (3,2%) no grupo placebo. Houve ainda redução de triglicerídeos, colesterol ruim, pressão arterial, circunferência abdominal e proteína C-reativa, marcador de inflamação.

Já o TRIUMPH-2, com 1.152 adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2, registrou perdas de 12,7% (dose de 4 mg), 19,1% (9 mg) e 20,8% (12 mg) do peso corporal, com melhora no controle glicêmico.

Os efeitos colaterais mais comuns em ambos os estudos foram diarreia, náusea, constipação, redução do apetite e vômitos, com frequência crescente conforme a dose -além de episódios de disestesia (sensações anormais como formigamento ou queimação) e infecções urinárias.

Apesar de ainda estar em fase de testes e não ter aprovação em nenhum país do mundo, a retatrutida já circula ilegalmente no Brasil sob a forma de canetas contrabandeadas do Paraguai, com apreensões frequentes na fronteira em Foz do Iguaçu.
A Eli Lilly planeja submeter o pedido de aprovação à FDA no primeiro trimestre de 2027.

ORFORGLIPRON (FOUNDAYO)

Diferentemente dos concorrentes citados acima, o orforglipron já deixou a fase de testes e foi aprovado pela FDA em 1º de abril deste ano. Ele é vendido nos Estados Unidos sob o nome comercial Foundayo e, ao contrário dos outros, que são injetáveis, trata-se de um comprimido oral de uso diário. O remédio custa US$ 149 (R$ 755) por mês para a dose mais baixa.

No Brasil, porém, o medicamento ainda não tem data de aprovação pela Anvisa. Segundo informações disponíveis até o momento, a expectativa é que o Foundayo só chegue ao mercado brasileiro no segundo semestre de 2027.

O orforglipron age como agonista do receptor de GLP-1 e pode ser tomado a qualquer hora do dia, sem restrições de alimentação. A substância foi descoberta pela farmacêutica japonesa Chugai e licenciada pela Eli Lilly em 2018.

O remédio passou pelo estudo de fase 3 ATTAIN-1, que avaliou mais de 4.500 pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a um problema de saúde relacionado ao peso, sem diabetes. Na semana 72, as três doses testadas (6 mg, 12 mg e 36 mg) superaram o placebo na redução de peso corporal.

Na dose mais alta, a perda média foi de 12,4% (27,3 libras, o equivalente a cerca de 12,4 kg), e quase 40% dos participantes perderam ao menos 15% do peso. Entre os que tinham pré-diabetes no início do estudo, até 91% normalizaram os níveis de açúcar no sangue, contra 42% no grupo placebo. O medicamento também reduziu marcadores de risco cardiovascular, como colesterol não-HDL, pressão arterial sistólica e triglicerídeos.

Os efeitos colaterais mais frequentes foram gastrointestinais, como náusea, constipação, diarreia e vômitos, com incidência maior nas doses mais altas.

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