O desabamento de um prédio na Penha, zona leste de São Paulo, resultou na morte de seis pessoas, incluindo uma menina de sete anos, e deixou um homem e uma criança de cinco anos feridos. A tragédia ocorreu em uma construção irregular que já havia sido alvo de ações da prefeitura por problemas estruturais.
As vítimas, em sua maioria bolivianas, moravam em uma casa que foi atingida pelos escombros do edifício de 11 andares, que estava em construção desde 2019 sem alvará. A prefeitura confirmou que a obra foi interditada, mas a construtora ignorou as ordens e continuou os trabalhos, levando a uma ação judicial em 2021.
Após o resgate, a polícia prendeu um dos sócios da construtora New Home e planeja prender outros responsáveis. A prefeitura afastou uma servidora envolvida na fiscalização da obra e está colaborando com a investigação criminal para apurar as causas do desabamento e as responsabilidades legais.
Os bombeiros localizaram na manhã deste domingo (13) o corpo de uma menina de sete anos, aumentando para seis o número de mortos no desabamento de um prédio em cima de uma casa no bairro da Penha, zona leste de São Paulo.
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O corpo foi retirado do local no início da tarde. Segundo Robson Mitsu, comandante do 3º grupamento do Corpo de Bombeiros, o trabalho de emergência acabou. A partir de agora, diz, a remoção dos escombros será realizada pela prefeitura.
"Estávamos procurando oito pessoas que viviam nas casas. Havia a informação de que poderia haver vigilantes da obra do prédio, mas os próprios proprietários e advogados negaram essa informação", declarou. As demais vítimas eram dois homens e três mulheres, sendo uma delas grávida.
Também neste domingo, a Polícia Civil cumpriu o mandado de prisão contra um dos sócios-proprietários da construtora New Home. Ele, que não teve sua identidade divulgada, foi encaminhado para 24º Distrito Policial (Ponte Rasa).
A polícia deve cumprir ainda mais mandados de prisão contra outros dois responsáveis pelo empreendimento. Os crimes pelos quais devem responder não foram confirmados.
Procurado pela reportagem, o advogado da empresa disse que não deve se pronunciar no momento. Anteriormente, a New Home disse, em nota, que "não há elementos que permitam afirmar que a causa do incidente decorreu exclusivamente de conduta da construtora."
A edificação de 11 pavimentos ruiu por volta das 2h de sábado na rua Tequici. Os escombros atingiram uma residência vizinha, em que moravam nove, todas bolivianas. Além de residência, o imóvel também abrigava a oficina de costura em que eles trabalhavam.
Cinco vítimas eram bolivianas e uma paraguaia e viviam havia nove anos no Brasil. No 24º DP (Ponte Rasa), Patrícia Veiga, advogada do Consulado da Bolívia, afirmou que o órgão está tentando viabilizar o transporte das vítimas para a cidade de Oruro, na Bolívia.
"Esse foi o pedido da família. Eles tinham se mudado para a casa havia um mês. Nós acreditamos que não foi um acidente, e sim um homicídio. As condições daquele prédio eram muito precárias", diz.
Morreram Edelmira Titicayo Limachi, 26, seu marido Brayan Gery Gutierrez, 29, e o irmão dela Sergio Titicayo Limachi; Maria Elena Ramirez Titicayo e sua filha Shaira Diana Chinó Ramirez, 7; e Ana Lucia Ruiz Romero, 38.
A operação de resgate durou mais de 24 horas e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da Prefeitura de São Paulo.
Um homem e uma outra menina de cinco anos foram resgatados com vida. Eles tiveram ferimentos leves, entre contusões e escoriações, segundo o governo estadual.
Obra estava irregular, diz prefeitura
Ainda no sábado, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) esteve no local e disse que a obra estava irregular.
Segundo ele, a construção começou em 2019 e foi interditada pela prefeitura. Como a construtora não interrompeu a obra, mesmo após diversas multas, Nunes diz que em 2021 a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação judicial para suspensão imediata dos trabalhos no local.
"Ressalto que a construção começou em 2019, sem alvará. Foram feitas várias fiscalizações pela prefeitura. Nessas fiscalizações, foi identificado um problema estrutural", disse o prefeito.
A construtora apresentou um novo projeto em 2022 e um alvará foi emitido em 2023, com a determinação de que a estrutura existente fosse demolida, explica a prefeitura.
Em 2024, vistoria feita por servidora da Subprefeitura da Penha atestou a demolição. Mas, segundo Nunes, técnicos da prefeitura verificaram neste sábado, junto a vizinhos e imagens de satélites, que a demolição não foi feita.
Daniel Falcão, controlador-geral do Município, afirmou que a servidora, que não teve o nome revelado, foi afastada por 30 dias.
"Ela não pode continuar no cargo nesse momento para não atrapalhar a nossa investigação interna. Nós também já estamos junto com a Polícia Civil, junto com a delegada do 24ª Distrito Policial, para haver uma investigação criminal a respeito disso e entendermos o que aconteceu", frisou.
O local passará por perícia com a finalização da busca pelos desaparecidos sob os escombros.
A Polícia Civil investiga o caso e busca os donos da construtora para esclarecer as irregularidades apontadas pela gestão municipal.
A Defesa Civil avalia se as fortes chuvas que atingiram a cidade podem ter causado a queda do edifício.