Interior

Desaparecido em Luziápolis teria rixa com guarda municipal, diz família

Redação TNH1 | 08/10/19 - 10h40 - Atualizado em 08/10/19 - 10h41
Arquivo Pessoal

O servente de pedreiro José Renildo Cassimiro da Silva, de 26 anos, que está desaparecido desde a última sexta-feira, 04, após ter sido abordado por dois guardas municipais no momento em que filmava um acidente de trânsito no distrito de Luziápolis, município de Campo Alegre, teria uma rixa com um dos servidores. A informação foi passada pela família, mas a polícia ainda não confirmou a motivação.

A sogra de José Renildo, dona Josinete, conversou com o TNH1 na manhã desta terça, 08, e revelou que um dos guardas, identificado apenas como Marcelo, já teria ameaçado José Renildo, desde que eles tiveram uma discussão na adolescência. "Ele falava que quando meu genro fosse para Luziápolis, ele ia dar um sumiço nele", disse. 

Dona Josinete contou à reportagem que o genro e a filha moram em Teotônio Vilela e chegaram na quinta-feira para passar o final de semana na casa dela, em Luziápolis. O servente de pedreiro deixou a residência na sexta à tarde, quando houve o acidente nas proximidades e queria gravar imagens.

"Ele saiu de casa com um celular e uma bicicleta verde. O pessoal que estava próximo do acidente contou que ele estava gravando o vídeo quando os guardas municipais chegaram perguntando porque eles estavam sendo filmados pelo meu genro. O Renildo disse que não estava filmando eles, e sim, o acidente. Foi aí que começaram a bater nele", explicou.

Testemunhas disseram para a família que os guardas municipais estavam fardados e chegaram em uma viatura. Na abordagem, um deles teria tomado o celular da mão de José Renildo e o jogado no chão. Logo depois, teriam começado a bater no homem e tentaram colocá-lo dentro do carro, porém o jovem teria reagido.

"Ele disse que não ia entrar, aí eles colocaram uma arma na cintura dele. A bicicleta foi jogada por cima do carro. Até agora não sabemos onde está o meu genro, a bicicleta e o celular", lamentou a sogra.

No fim do expediente daquele dia, por volta das 19h, os guardas teriam informado para pessoas próximas que haviam deixado José Renildo em uma ladeira no sentido de Teotônio Vilela e afirmaram não ter feito nada contra ele. Amigos do servente de pedreiro foram ao local, mas não o encontraram.

"A gente recebeu a informação de que a viatura ficou com manchas de sangue e foi lavada depois que ele sumiu. Tanto dentro, quanto fora. Um vidro da janela estava quebrado, o que a gente acha que teve luta dentro do carro", afirmou dona Josinete.

José Renildo é casado e tem três filhos, uma menina de 7 anos e dois meninos, um de 2 anos e outro bebê de 10 meses. 

Guardas devem ser desligados

A Prefeitura de Campo Alegre confirmou, por meio de nota, nessa segunda-feira, 07, que um processo administrativo já foi aberto para a demissão dos guardas envolvidos, e imagens do sistema de monitoramento de segurança do órgão já foram disponibilizadas para a Justiça, para dar seguimento ao processo investigatório. O vídeo mostra do momento do acidente de trânsito à abordagem dos guardas. 

O comunicado também lamentou e repudiou a conduta dos profissionais. "A Guarda Municipal é uma instituição de segurança pública municipal de caráter civil, uniformizada de acordo com a lei federal N° 10.826, tendo como finalidade precípua o dever de gerar segurança nos limites do município [...]  Em momento algum apoiaremos qualquer ação que fuja das reais funções e limites de atuação da Guarda Municipal", diz trecho da nota.

Investigação policial

Os familiares do servente de pedreiro informaram que não houve novidades passadas pela polícia desde o dia do desaparecimento. Os amigos de José Renildo estariam fazendo, por conta própria, buscas pelo município e regiões próximas para tentar encontrar pistas sobre o paradeiro dele. 

O TNH1 conversou como delegado Alexandre César, titular da Delegacia de Campo Alegre, que informou que pegou o caso nesta terça e ainda não pode passar informações. A reportagem tentou o contato do delegado João Marcelo de Almeida, da 6ª Delegacia Regional de Polícia, de São Miguel dos Campos, que teria feito os primeiros levantamentos, porém não conseguiu concluir a ligação.