Desemprego tem menor taxa até abril na série histórica

Publicado em 28/05/2026, às 11h30
Gil Ferreira/Agência CNJ
Gil Ferreira/Agência CNJ

Por Leonardo Vieceli/Folhapress

A taxa de desemprego no Brasil subiu para 5,8% no trimestre até abril, embora ainda represente o menor nível para esse período desde o início da série histórica em 2012, refletindo um aumento sazonal após o fim de vagas temporárias.

O IBGE estima que a população desempregada chegou a 6,3 milhões, um aumento de 8% em relação ao trimestre anterior, mas uma queda de 11,3% em comparação ao mesmo período do ano passado, com a população ocupada totalizando 102,3 milhões.

A Câmara dos Deputados aprovou uma proposta para acabar com a escala 6x1, que agora aguarda votação no Senado, gerando debate sobre os impactos econômicos e sociais dessa mudança nas condições de trabalho.

Resumo gerado por IA

A taxa de desemprego subiu a 5,8% no Brasil no trimestre até abril, após marcar 5,4% nos três meses encerrados em janeiro, que servem de base de comparação, afirmou nesta quinta-feira (28) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Mesmo com a leve alta nesse recorte, o patamar de 5,8% é o menor para o intervalo até abril na série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012.

O resultado ficou levemente abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 6%, segundo a agência Bloomberg.

O desemprego costuma aumentar nos meses iniciais do ano. Isso é explicado pelo retorno à busca por trabalho após o fim de vagas temporárias em parte das atividades da iniciativa privada e do serviço público.

A coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, disse que o resultado não indica uma piora do cenário e é relativamente natural para o período.

"O aumento da desocupação nesse trimestre móvel decorre essencialmente de comportamento sazonal de algumas atividades, tais como comércio e serviços pessoais, que, após aquecimento no final de 2025, não retêm parcela de seus trabalhadores", afirmou a técnica.

A desocupação já estava em 6,1% até março, mas o IBGE evita a comparação direta dos números entre trimestres com meses repetidos. É o caso dos intervalos finalizados em março e abril.

A Pnad abrange o mercado de trabalho formal, com carteira assinada ou CNPJ, e o setor informal, sem esses registros. As estatísticas consideram a população de 14 anos ou mais.
Uma pessoa sem emprego precisa estar à procura de oportunidades para ser considerada desempregada na pesquisa. Não basta só não trabalhar.

O IBGE estimou a população desempregada em 6,3 milhões. Isso representa um crescimento de 8% (ou mais 471 mil pessoas) na comparação com o trimestre até janeiro (5,9 milhões).
O cenário é diferente no confronto com igual trimestre do ano passado (7,1 milhões). Nesse recorte, houve queda de 11,3% (menos 809 mil).

Já a população ocupada com algum tipo de trabalho foi de 102,3 milhões até abril.
Teve redução de 0,3% (menos 338 mil) frente ao trimestre até janeiro (102,7 milhões) e aumentou 1,1% (mais 1,1 milhão) em relação ao mesmo intervalo do ano anterior (101,3 milhões).

"Os dados ainda apontam para um mercado bastante robusto, mas que parece ter passado do pico, com a direção apontando para pioras na margem em meio ao continuado aperto monetário e choque de preços de energia", afirma André Valério, economista sênior do banco Inter, em referência aos juros altos e ao aumento de preços após a guerra no Irã.

Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, a Pnad sugere que, nos últimos meses, o desemprego ficou praticamente estável em um nível historicamente baixo para os padrões do Brasil.

"Mesmo que o movimento de desaceleração da economia impacte o ritmo de criação de vagas ao longo de 2026, o mercado de trabalho deve continuar aquecido. Nossa projeção é de que a taxa de desemprego termine o ano um pouco abaixo de 6%", disse.

Analistas afirmam que a desocupação baixa reflete uma combinação de fatores. O principal, segundo eles, é o desempenho positivo da atividade econômica em meio a medidas de estímulo do governo federal nos últimos anos.

Outra questão citada é a mudança demográfica em curso no país. Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de procurar ocupação. Isso reduz a pressão sobre a taxa de desemprego.

O mercado ainda é influenciado por vagas ligadas à tecnologia. Estudo do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) estimou no ano passado que o trabalho em aplicativos reduzia o desemprego em 1 ponto percentual.

RENDA SEGUE PRÓXIMA DO RECORDE DA SÉRIE

Na média, a renda habitual de todos os trabalhos foi estimada em R$ 3.732 por mês no trimestre até abril, disse o IBGE nesta quinta. É o segundo maior valor de toda a série histórica, atrás apenas do registrado até março deste ano (R$ 3.750).

O rendimento subiu 0,3% frente ao trimestre até janeiro e mostrou crescimento de 5,3% ante o período finalizado em abril do ano passado.

Um dos fatores que explicam o patamar elevado da renda média é a redução da informalidade no mercado de trabalho, conforme Adriana Beringuy, do IBGE.

No trimestre até abril, a taxa de informalidade foi de 37,2%. É a segunda menor da série histórica.

Supera apenas a registrada até junho de 2020 (36,6%) e é igual à verificada até julho do mesmo ano, marcado pela pandemia de Covid-19.

À época, o início da crise sanitária expulsou informais do mercado. O contexto era diferente do atual, que tem condições mais favoráveis do que na pandemia, afirmou Adriana.

A taxa de informalidade mostra o percentual de trabalhadores ocupados que não têm carteira assinada ou CNPJ.

A técnica do IBGE ainda citou o impacto da política de valorização do salário mínimo sobre a renda média.

Essa política do governo federal gera ganho acima da inflação para empregados formais e também pode servir de referência para que informais consigam aumentar seus rendimentos, porque, segundo a pesquisadora, há uma espécie de "atrelamento" ao mínimo.

POSSÍVEL FIM DA ESCALA 6X1

A divulgação da Pnad ocorre em um momento no qual o Brasil discute o fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso na semana).

A Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (27), em dois turnos, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com essa modalidade. O texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado, em dois turnos, antes de ser promulgado.

O projeto divide opiniões. É celebrado por representantes dos trabalhadores, mas encontra resistência de parte do empresariado.

Enquanto alguns estudos apontam elevação de custos para as empresas e risco de eliminação de vagas formais, outras análises indicam que não haveria desemprego significativo, que o aumento de despesas ocorreria uma única vez e que a alta poderia ser diluída com planejamento.

O que é o desemprego?

O desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho. Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir emprego. É preciso que essa pessoa também procure oportunidades de trabalho.

Como funciona a Pnad Contínua?

É o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores atuam na coleta da pesquisa.

Como é medida a taxa de desemprego?

É a porcentagem das pessoas na força de trabalho que estão desempregadas. A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal —ou seja, com ou sem carteira assinada ou CNPJ.

O que explica o desemprego baixo?

Ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo da atividade econômica no país nos últimos anos. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa, conforme analistas.

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