A saúde bucal infantil deve ser abordada desde o pré-natal, com orientações que ajudam as famílias a cuidarem da higiene e alimentação do bebê, sendo essencial o acompanhamento odontológico a partir do primeiro ano de vida para prevenir problemas futuros.
Muitas famílias ainda esperam o surgimento de cáries para buscar ajuda profissional, mas a avaliação precoce permite identificar e tratar alterações que podem afetar a amamentação e o desenvolvimento oral da criança.
A colaboração entre diferentes profissionais de saúde é fundamental para um cuidado integral, e a ênfase na prevenção desde os primeiros anos de vida pode promover hábitos saudáveis e melhorar a qualidade de vida das crianças a longo prazo.
A saúde bucal infantil começa antes mesmo do nascimento. Durante o pré-natal, orientações sobre higiene, alimentação e prevenção de doenças ajudam a preparar a família para os cuidados com o bebê. Após o nascimento, a atenção à cavidade bucal e ao desenvolvimento das funções orais torna-se essencial para identificar precocemente possíveis alterações.
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Apesar da importância desses cuidados, muitas famílias ainda associam a primeira consulta odontológica à troca dos dentes ou ao surgimento de cáries. A recomendação, no entanto, é que o acompanhamento com o odontopediatra comece no primeiro ano de vida, preferencialmente após o nascimento do primeiro dente, ou antes, quando houver necessidade específica.
“A saúde bucal precisa ser vista como parte do cuidado integral com a criança. Não devemos esperar o aparecimento de uma cárie ou de uma dor para procurar o odontopediatra. O acompanhamento precoce permite orientar os pais, prevenir doenças e acompanhar o desenvolvimento da dentição desde o início”, explica Lídia Lisboa, odontopediatra.
Teste da linguinha e amamentação
Ainda na maternidade, o recém-nascido pode passar pela avaliação do frênulo lingual, conhecida como Teste da Linguinha. O procedimento busca identificar alterações que possam limitar os movimentos da língua e comprometer funções como a sucção e, em alguns casos, a amamentação.
A avaliação deve ser realizada por profissional capacitado, com encaminhamento para acompanhamento especializado quando necessário. A identificação de uma alteração anatômica, por si só, não determina a necessidade de intervenção: é fundamental considerar os impactos funcionais e as condições individuais do bebê.
“As dificuldades na amamentação precisam ser investigadas com atenção. A avaliação do frênulo lingual é uma ferramenta importante, mas o cuidado deve considerar o bebê como um todo, observando a sucção, a alimentação e a participação de outros profissionais de saúde quando necessário”, ressalta Lídia Lisboa.
Amamentação e desenvolvimento orofacial
A amamentação também envolve movimentos coordenados de sucção, deglutição e respiração, importantes para as funções orais do bebê. Por isso, dificuldades persistentes durante o aleitamento merecem avaliação profissional, evitando que sinais importantes sejam negligenciados.
Além disso, os cuidados com a higiene bucal devem ser adaptados à idade da criança. Com o nascimento dos primeiros dentes, a família precisa receber orientações sobre escovação, uso de creme dental fluoretado e alimentação, medidas importantes para prevenir a cárie na primeira infância.
“Os primeiros anos são decisivos para a construção de hábitos saudáveis. Quando os responsáveis recebem orientações adequadas desde cedo, conseguem cuidar melhor da higiene bucal da criança e reconhecer sinais que precisam de avaliação profissional”, afirma a odontopediatra.
Prevenção começa cedo
A integração entre pediatras, odontopediatras, fonoaudiólogos e outros profissionais contribui para um cuidado mais completo, respeitando as necessidades de cada criança.
Para Lídia Lisboa, investir em prevenção é também investir em qualidade de vida. O acompanhamento odontológico desde a primeira infância ajuda a reduzir riscos, orientar os responsáveis e promover hábitos que podem acompanhar a criança por toda a vida.
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