Economia

Dólar cai para R$ 5,05, menor valor em quase 8 meses

CNN Brasil | 23/02/22 - 09h13

O dólar fechou nesta terça-feira (22) em queda de 1,08%, cotado a R$ 5,051, no menor valor desde 1º de julho de 2021 (R$ 5,044). Esse é o terceiro pregão seguido de baixa e para mínimas em quase oito meses.

Já o Ibovespa encerrou em alta de 1,04%, aos 112.891,80 pontos. O índice foi favorecido por um fluxo de investimento estrangeiro que beneficia pelas ações ligadas a commodities, em meio a uma expectativa de alta de preços devido à situação na Ucrânia, além de setores como bancos e varejo.

A moeda norte-americana recuou enquanto o real era beneficiado pelos juros elevados do Brasil e pelo fluxo em mercados ligados a commodities, que traz investidores estrangeiros ao país, aumentando a oferta da moeda americana e reduzindo o valor da cotação. A escalada da tensão entre Rússia e Ucrânia segue sendo monitorada pelos investidores.

O fortalecimento do real em 2022 tem feito com que altas em preços de produtos como o petróleo sejam aliviadas no Brasil, o que “tem segurado em parte as pressões inflacionárias vindas de fora”, diz André Perfeito, economista-chefe da Necton.

Na véspera (21), o dólar teve queda de 0,70%, cotado a R$ 5,105, no menor valor desde 29 de julho de 2021. Já o Ibovespa caiu 1,02%, aos 111.725,30 pontos.

Ucrânia - Em discurso realizado na Casa Branca nesta terça-feira (22), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou um pacote de sanções contra a Rússia. As determinações incluem o corte de financiamento de dois bancos russos e restrições a membros de famílias de elite russas.

Biden também anunciou que autorizou movimentos adicionais de forças e equipamentos militares dos EUA na Europa para “fortalecer” os aliados bálticos na Estônia, Letônia e Lituânia, após o presidente russo Vladimir Putin ordenar tropas em duas regiões separatistas da Ucrânia.

A medida é uma reação ao movimento do presidente russo, Vladimir Putin, que na segunda-feira (21) considerou grupos separatistas no leste da Ucrânia como independentes e determinou o envio de tropas para as regiões.

Com isso, a Rússia tomou a decisão, também nesta terça-feira, de retirar sua equipe diplomática da Ucrânia, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores.

“Nossa primeira prioridade é cuidar dos diplomatas russos e funcionários da Embaixada e Consulados Gerais. Para proteger suas vidas e segurança, a liderança russa decidiu evacuar funcionários das missões russas na Ucrânia, que serão implementadas em um futuro muito próximo”, disse em comunicado.

O potencial de novas escaladas envolvendo a Rússia e a Ucrânia, como uma invasão do país, aumenta a aversão a riscos dos investidores e leva à busca pelo dólar. Para André Perfeito, economista-chefe da Necton, “o aumento da tensão pode favorecer o real via commodities mais elevadas”.

Exterior

A situação ainda não superou os benefícios para o real de um ciclo de migração de investimentos para mercados ligados a commodities e vistos como baratos, com o Brasil beneficiado também pelos juros altos, que limita os efeitos das apostas em uma política de alta de juros agressiva pelo Federal Reserve.

O ciclo está ligado, em partes, a expectativas de mais medidas pró-crescimento na China que estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, o que leva a altas nos preços. Por outro lado, intervenções do governo chinês no mercado têm gerado quedas recentes, em um sobe e desce na cotação.

No caso do petróleo, analistas do Goldman Sachs afirmam que os preços do tipo Brent devem superar os US$ 100 por barril neste ano. Segundo eles, o mercado de petróleo continua em um “déficit surpreendentemente grande” já que o efeito da variante Ômicron do coronavírus na demanda pela commodity é, até agora, menor do que o que era esperado. Além disso, as tensões na Ucrânia fazem os preços subirem, já acima dos US$ 90.

Outro fator que pesa nesse movimento é a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos já no mês de março, de 0,25 ou 0,5 ponto percentual, reforçada por dados de inflação levemente acima do esperado. Com isso, investidores estrangeiros têm saído do mercado de ações norte-americano.

Com a inflação americana batendo recorde em quatro décadas, o Fed vem dando indicações mais duras aos mercados, mas a ata da última reunião do banco não deixou claro o tamanho e ritmo do aperto que o banco central americano fará, indicando que as decisões ocorrerão a cada reunião pelo contexto econômico.

Qualquer alta de juros no país pode afetar os investimentos no Brasil, já que torna os títulos do Tesouro norte-americano ainda mais atrativos para os investidores, pressionando negativamente o real.

Brasil - A revisão para cima do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do boletim Focus e a fala do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que a tendência de inflação é crescente colaboram para expectativa de alta de juros.

No radar dos investidores também está a chamada PEC dos Combustíveis, que permitiria a suspensão de impostos para esses produtos. Representando um possível descontrole de gastos, o tema tem potencial para afetar negativamente o real e o Ibovespa.

Duas PECs já foram protocoladas, uma no Senado e outra na Câmara, com cálculos de perda de arrecadação indo de R$ 18 bilhões até R$ 100 bilhões dependendo do conteúdo, mas o foco no momento são dois projetos de lei sobre o tema que podem ser votados nesta semana.

Um dos PLs determina um valor fixo de cobrança do ICMS para combustíveis, com o tributo estadual deixando de variar seguindo flutuações de preço do produto, e expande o chamado vale-gás para famílias brasileiras.

Já o outro criaria um fundo de estabilização do preço do petróleo e derivados (diesel, gasolina e GLP), com uma nova política de preços internos de venda para distribuidores.