Dor não é normal: desconforto pode ser sinal de endometriose

Condição ginecológica pode afetar o bem-estar físico, emocional e até social da mulher

Publicado em 07/05/2026, às 11h30
Dor intensa durante a menstruação pode ser um sinal importante de endometriose e merece investigação médica (Imagem: sunflower03star | Shutterstock)
Dor intensa durante a menstruação pode ser um sinal importante de endometriose e merece investigação médica (Imagem: sunflower03star | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

Celebrado em 7 de maio, o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose chama atenção para uma condição que afeta cerca de 190 milhões de mulheres no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mas que ainda é cercada por desinformação, atraso no diagnóstico e, muitas vezes, normalização da dor.

A endometriose é uma doença ginecológica caracterizada pelo crescimento do tecido semelhante ao endométrio, que reveste o útero, fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas, intestino e outros órgãos da pelve.

Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Larissa Pires, o principal desafio ainda está no reconhecimento dos sintomas. “Muitas mulheres crescem ouvindo que sentir dor durante a menstruação é normal. Isso faz com que sinais importantes da endometriose sejam ignorados por anos. Dor intensa não deve ser naturalizada”, alerta.

Sintomas que vão além da cólica

Embora a cólica menstrual intensa seja um dos sinais mais conhecidos, a doença pode se manifestar de diferentes formas, impactando diretamente a qualidade de vida. Entre os principais sintomas, estão:

  • Dor pélvica crônica;
  • Dor durante a relação sexual;
  • Alterações intestinais e urinárias no período menstrual;
  • Dificuldade para engravidar.

“A endometriose não é apenas uma questão ginecológica; ela pode afetar o bem-estar físico, emocional e até social da mulher. Muitas pacientes relatam limitações na rotina, no trabalho e nos relacionamentos”, explica a médica.

Jovem com o cabelo preto liso, amarrado em rabo de cavalo, usando uma camiseta branca e um suéter bege, sentada em consultório conversando com uma médica de cabelo curto e usando jaleco branco
O acompanhamento ginecológico é fundamental para identificar sinais da endometriose e iniciar o tratamento adequado (Imagem: Stock-Asso | Shutterstock)

Diagnóstico ainda é tardio

Um dos pontos mais preocupantes é o tempo que muitas mulheres levam para receber o diagnóstico correto da endometriose. “Em média, o diagnóstico pode levar anos. Isso acontece porque os sintomas são, muitas vezes, minimizados ou confundidos com outras condições. Por isso, é fundamental que a mulher se sinta ouvida e investigada de forma adequada”, reforça Dra. Larissa Pires. O diagnóstico envolve avaliação clínica, exames de imagem e, em alguns casos, procedimentos específicos.

Para a especialista, a conscientização é uma das principais ferramentas no combate à doença. “Falar sobre endometriose é dar visibilidade a uma condição que ainda é silenciosa para muitas mulheres. Informação gera diagnóstico precoce e reduz sofrimento”, afirma.

Tratamento para a endometriose

Embora não tenha cura definitiva, a endometriose tem tratamento, e o acompanhamento médico é essencial para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. “As opções variam de acordo com cada caso e podem incluir tratamento medicamentoso, controle hormonal e, em situações específicas, intervenção cirúrgica. O mais importante é individualizar o cuidado”, destaca.

Dor não deve ser ignorada

No Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, o principal alerta é claro: sentir dor intensa não é normal e não deve ser negligenciada. “Escutar o próprio corpo é essencial. Quando a dor interfere na rotina, é um sinal de que algo precisa ser investigado. Cuidar da saúde ginecológica é também cuidar da qualidade de vida”, finaliza a Dra. Larissa Pires.

Por Ana Carolina Baili

Gostou? Compartilhe