Samara Regina Dutra, uma empregada doméstica grávida, perdeu 50% da audição após ser agredida e torturada pela empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, que a acusou de roubo. O caso, que ocorreu no Maranhão, gerou grande repercussão e levantou questões sobre a violência contra trabalhadores domésticos.
As agressões, que incluíram chutes e ameaças com arma, foram documentadas em áudios enviados pela empresária, que foi presa enquanto tentava fugir. A jovem registrou um boletim de ocorrência e passou por exames que confirmaram as lesões sofridas.
A polícia já possui provas contundentes, incluindo os áudios de confissão da agressora, e o caso está sendo investigado pela 21ª delegacia do bairro Araçagy. A defesa da empresária inicialmente reconheceu as agressões, mas agora optou por não comentar, enquanto busca avaliar possíveis problemas psicológicos da cliente.
Samara Regina Dutra, 19, empregada doméstica grávida que foi agredida e torturada pela empresária para quem trabalhava no Maranhão, afirmou que perdeu 50% da audição em razão da violência que sofreu.
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Samara contou que estava sentindo muita dor e desconforto nos ouvidos e procurou um médico.
"Como consequência das coisas que aconteceram [agressões], eu tava ouvindo muito baixo, mas não achei que era algo tão sério. Mas comecei a sentir muita dor para dormir ou com barulho muito alto. Não é conclusivo ainda, mas, com base no exame que eu fiz, aparentemente eu perdi 50% da minha audição dos dois lados", afirmou em publicação em uma rede social.
Ela contou que ficou desesperada com a notícia.
"Fiquei um pouco assustada, me desesperei na hora, mas agora tô tentando lidar sem me desesperar, até porque tudo que eu sinto o Artur [bebê] sente. Então, tenho que manter a calma, mas eu vou me consultar de novo semana que vem e, até lá, vou rezar pra que esteja tudo bem e eu não precise usar aparelho", falou.
O advogado Manaces Marthan, que representa Samara, confirmou o diagnóstico e disse que está à espera do laudo.
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ENTENDA O CASO
A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa no último dia 7 sob suspeita de agredir e torturar a empregada doméstica, que trabalhava em sua casa, em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luis, havia apenas 15 dias. Carolina estava em Teresina e tentava fugir, de acordo com a polícia.
As agressões teriam sido cometidas no dia 17, de acordo com a polícia. Na ocasião, Carolina acusou a empregada de ter roubado um anel. Ela enviou áudios a grupos de mensagens detalhando as violências que cometeu, revelados pela TV Mirante, afiliada da TV Globo.
Segundo o próprio relato, a empresária contou com a ajuda de um homem armado para agredir e torturar a jovem.
A empregada afirmou à polícia que as agressões começaram com puxões de cabelo, tapas, murros, e que foi derrubada no chão.
Caída, ela diz ter protegido a barriga contra os chutes, mas outras partes do corpo foram atingidas por chute, deixando-a com diversos hematomas.
"Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo", afirmou Carolina nos áudios.
A mulher contou que o homem ainda colocou a arma na cabeça e na boca da empregada.
Mesmo com o anel tendo sido encontrado dentro de um cesto de roupa suja, as agressões continuaram, segundo relato da empresária.
A jovem registrou boletim de ocorrência e passou por exames no IML (Instituto Médico Legal), que comprovaram as agressões.
Documento do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Maranhão ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso concluiu que os áudios divulgados com confissões de agressões e tortura são de Carolina.
Walter Wanderley, delegado responsável pela investigação, disse à TV Mirante que os áudios já estão anexados ao inquérito, na 21ª delegacia do bairro Araçagy.
"Está comprovado que ela foi agredida. Agora, não existe autoria mais patente do que o próprio agressor confessar. E o áudio, que a polícia já está de posse, já está apreendido. É uma prova incontestável também da autoria da agressão", afirmou o delegado.
Inicialmente, a defesa de Carolina admitiu as agressões, mas não a tortura. Seu novo advogado, Otoniel d'Oliveira Chagas Bisneto Prado, porém, orientou a empresária a ficar em silêncio e declarou que fará levantamento sobre eventuais problemas psicológicos da cliente, como bipolaridade e borderline.
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