Empresário alagoano chefe de esquema de R$ 1,5 bilhão é preso por espionar investigações

Publicado em 19/06/2026, às 07h19
Reprodução/Redes sociais e Reprodução/Fantástico
Reprodução/Redes sociais e Reprodução/Fantástico

por Pedro Acioli*

Publicado em 19/06/2026, às 07h19

Alan Cavalcante do Nascimento, empresário alagoano e suposto líder de uma organização criminosa, foi preso em Belo Horizonte durante a Operação Rejeito, que investiga corrupção no setor de mineração e práticas de obstrução de investigações.

As investigações revelam que o grupo teria movimentado cerca de R$1,5 bilhão, corrompendo servidores públicos para obter licenças ambientais fraudulentas, resultando em graves danos ao meio ambiente e riscos sociais.

Além de Cavalcante, sua esposa também foi presa e a Justiça suspendeu as atividades das empresas envolvidas, enquanto os investigados enfrentam penas que podem ultrapassar 16 anos de prisão por crimes como lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.

Resumo gerado por IA

O empresário alagoano Alan Cavalcante do Nascimento, apontado como líder de uma organização criminosa investigada por esquemas de corrupção no setor de mineração, foi preso nessa quinta-feira (18), em Belo Horizonte (MG), durante a segunda fase da Operação Rejeito, realizada pela Polícia Federal.

A ação tem como alvo um grupo suspeito de atuar para impedir o avanço de investigações oficiais por meio de práticas de espionagem, monitoramento ilegal e sabotagem. Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa também seria comandada por Alan Cavalcante.

Além dele, a esposa, Tayná Vitória Cerqueira Gouveia, também foi presa. Durante a operação, os agentes federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão em quatro endereços distintos. A Justiça ainda determinou a suspensão das atividades das empresas supostamente envolvidas no esquema investigado.

De acordo com as investigações, o grupo teria atuado para obter informações sigilosas e comprometer apurações em andamento, com o objetivo de favorecer interesses criminosos e dificultar a atuação de órgãos de fiscalização e controle.

Os investigados poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e obstrução de investigações envolvendo organização criminosa. Somadas, as penas previstas podem ultrapassar 16 anos de prisão.

Alan foi preso em setembro

O empresário foi preso em setembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Rejeito, na época. O esquema era supostamente liderado por Alan e teria movimentado cerca de R$1,5 bilhão. As investigações apontam que somente o alagoano, por exemplo, teria recebido mais de R$225 milhões de empresas envolvidas no esquema entre dezembro de 2019 e dezembro de 2024.

Segundo os investigadores, o grupo teria corrompido servidores públicos em diversos órgãos estaduais e federais de fiscalização e controle na área ambiental e de mineração, com a finalidade de obter autorizações e licenças ambientais fraudulentas.

Essas autorizações eram utilizadas para usurpar e explorar irregularmente minério de ferro em larga escala, incluindo locais tombados e próximos a áreas de preservação, com graves consequências ambientais e elevado risco de desastres sociais e humanos, segundo aponta a PF.

STF determinou soltura em dezembro

Em dezembro do ano passado, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, substituiu a prisão preventiva por uma série de medidas cautelares. 

Toffoli apontou que o conjunto de medida cautelares determinados por ele são “suficientes para assegurar a aplicação da lei penal, a preservação da ordem pública e econômica, bem como a conveniência da instrução criminal”.

Além de Cavalcante, também foram beneficiados com a medida o ex-diretor da Polícia Federal, Rodrigo de Melo Teixeira, e o ex-deputado estadual mineiro, João Alberto Paixão Lages, e Helder Adriano de Freitas, apontado como articulador do esquema.

Quem é Alan Cavalcante? 

Alan tem uma mansão de três andares localizada em um condomínio de luxo no município de Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió, capital de Alagoas. Ele é conhecido por promover três semanas de festa, com direito a pool party e passeios de catamarã. 

Uma das festas mais famosas que gosta de promover é a de Réveillon, quando cerca de quinhentos convidados costumam assistir a shows ao vivo, no ano de 2023 foi do cantor de Raí Saia Rodada, cujo cachê pode chegar a 400 mil reais por apresentação. 

Até o ano de 2010, Cavalcante nunca havia trabalhado na área de mineração. Ele era envolvido com corridas de motocross e comemorações no modesto quintal da casa em que vivia, em Arapiraca, no agreste alagoano. Ele também já trabalhou como professor de matemática na cidade de Teotônio Vilela e na área de telecomunicações em Arapiraca. 

No ano de 2023, ele chamou atenção dos holofotes após participar do Leilão promovido pelo jogador Neymar Jr. Na ocasião, ele comprou um blazer e um cordão de diamantes utilizados pelo craque do Santos pelo valor de R$1.2 milhão, o maior lote do evento.

*Estagiário sob supervisão

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