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'Falso leilão': operação policial prende 13 golpistas em dois estados do país

Correio Braziliense | 27/05/22 - 10h26
Divulgação PCDF

Uma megaoperação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), desencadeada na manhã desta sexta-feira (27/5), cumpre 13 mandados de prisões temporárias e 16 de busca e apreensão em dois estados do país contra criminosos acusados de emprestar as contas bancárias para a prática do golpe do “falso leilão''. As investigações conduzidas pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul) começaram em outubro do ano passado, após um morador da área ter sido uma das vítimas e perder R$ 40 mil. Até o momento, já são 13 presos e uma arma apreendida.

A operação denominada Falcon também contou com o apoio de policiais civis do Estado de Santa Catarina e teve como objetivo a captura dos chamados "contistas". Delegado à frente do caso, Tiago Carvalho, da 10ª DP, explica como os criminosos agiam: "Os indivíduos alvos da operação são os responsáveis por emprestar as contas bancárias para que, dessa forma, o grupo pudesse usufruir das vantagens ilícitas auferidas por meio da prática dos golpes, momento em que as vítimas acreditavam estarem adquirindo veículos de um sítio virtual de leilão denominado falcon lances."

No decorrer das investigações, os policiais civis identificaram, pelo menos, outras 10 vítimas moradoras de São Paulo e Minas Gerais. Estima-se que o grupo tenha conseguido obter cerca de R$ 500 mil com o uso de ao menos dois sites fraudulentos.

Os mandados judiciais são cumpridos nas cidades de São José (SC), Biguaçu (SC), Antônio Carlos (SC), Balneário Camboriú (SC), Florianópolis (SC) e General Câmara (RS). Nas três operações deflagradas ao longo do ano, a PCDF prendeu 18 pessoas pela prática de fraudes diversas e cometidas através de associações criminosas/organizações criminosas.

Operações interestaduais

A operação Falcon é a terceira interestadual deflagrada neste mês pela 10ª DP. "As ações fazem parte de uma forte estratégia de combate às fraudes que foram cometidas na região do Lago Sul, desestimulando, desta forma, e por meio de ações investigativas, o deslocamento de criminosos ao Distrito Federal para a prática destes crimes", frisou o delegado.

Em 20 de maio, os policiais da 10ª DP prenderam dois homens em Fortaleza acusados de aplicar golpes no Lago Sul, Lago Norte e em outras regiões do país. Na ocasião, os estelionatários escolhiam vítimas dentro de agências bancárias, pegavam os cartões magnéticos da pessoa e, depois disso, realizavam despesas indevidas e não autorizadas.

No começo de março, seis pessoas integrantes de um grupo especializado no golpe do falso sequestro foram presas nos estados da Bahia, de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Paraná. As investigações tiveram início depois que um casal do Lago Sul perdeu R$ 100 mil ao cair no golpe e mostraram que os integrantes da organização criminosa praticavam extorsões e induziam as vítimas a acreditar que os familiares estariam em poder de bandidos.

Na capital federal, um homem e uma mulher moradores de Ceilândia foram detidos acusados de ser os "cabeças" da organização. O casal foi preso depois de chegar à Bahia — estado em que os dois eram monitorados e onde usaram o dinheiro obtido por meio das extorsões. Os três integrantes do grupo restantes, que atuavam em outros estados e teriam se beneficiado dos crimes, segundo as investigações, também foram detidos.

Alerta

O empréstimo de contas bancárias para a aplicação de golpes está na mira da PCDF há algum tempo, segundo explica o delegado Tiago Carvalho. O investigador alerta a população quanto à responsabilização criminal, em caso de a conta ser concedida para o recebimento de qualquer recompensa e que são utilizadas em ações criminosas

Para evitar cair no golpe do falso leilão, o delegado afirma que, em todas as negociações oficiais, os veículos devem ser preferencialmente verificados nos pátios dos leilões e, em caso de opção pela compra, o pagamento deve ser realizado especificamente para a leiloeira, e nunca para pessoas físicas. “Os criminosos também costumam utilizar, como isca para potenciais vítimas, preços menores e mais atrativos do que os encontrados em leilões lícitos, razão pela qual estes anúncios devem ser considerados suspeitos”, orienta.