Polícia

'Foi execução sumária', diz padrinho de jovem morto durante abordagem policial

Redação TNH1 | 18/02/20 - 17h10 - Atualizado em 18/02/20 - 17h27

Além do adolescente que estava na garupa da moto, a Polícia Civil já tem mais duas testemunhas da abordagem de militares da Rádio Patrulha que resultou na morte do jovem Wanderson Sabino de Oliveira, 26 anos, na noite da última quarta-feira, 12, no Tabuleiro do Martins. Ele seguia de moto, nas proximidades do supermercado Makro, quando foi abordado por uma viatura do Batalhão de Rádio Patrulha (BPRP).

Segundo o primo dele, o adolescente que estava na garupa, assim que desceu da moto e pôs as mãos para cima, Wanderson tomou um tiro na cabeça, provavelmente disparado de dentro da viatura. Na versão dos policiais militares, Wanderson estava armado, reagiu à abordagem, e morreu durante troca de tiros. A família garante que Wanderson não tinha arma e era trabalhador.

O adolescente que estava na garupa é a principal testemunha do caso. Além dele, cujo depoimento havia sido tomado pelo delegado de plantão, no dia em que o fato aconteceu, a polícia ouviu hoje familiares e mais duas outras pessoas, num total de quatro depoimentos. O caso é investigado pela delegada Simone Marques, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). 

“Tomamos hoje o depoimento de parentes e de duas outras pessoas”, disse a delegada, ao informar que não poderia dar mais detalhes sob risco de comprometer as investigação. 

O policial civil Carlos Jorge da Rocha, padrinho de Wanderson, não tem dúvida. “Foi execução sumária. Mataram meu afilhado à queima-roupa. Forjaram provas, ‘plantaram’ uma arma para dizer que ele atirou. Nós temos testemunhas. Isso é uma absurdo, temos que acabar com essa prática”, disse Carlos Jorge, em entrevista por telefone ao TNH1. Ele confirmou que, além do adolescente, existem outras duas testemunhas, que estão sendo mantidas em sigilo.

Policial civil há 38 anos, Carlos Jorge questionou o fato de o corpo de Wanderson Sabino ter aparecido com dois tiros, um na cabeça e outro na região da costela. “As testemunhas contaram que só houve um tiro durante a abordagem, justamente o que atingiu a cabeça do Wanderson, provavelmente disparado ainda de dentro da viatura”, diz Carlos Jorge.

Ainda de acordo com ele, o adolescente primo de Wanderson foi colocado de joelhos e depois mandado ir embora correndo. Foi ele que contou o ocorrido à família. “Nós já solicitamos a inclusão dele no programa de proteção às testemunhas”, disse Carlos Jorge.

Denúncia grave

Ainda segundo o policial civil Carlos Jorge da Rocha, depois que Wanderson foi atingido, testemunhas teriam contado que uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) passou pelo local, mas os policiais teriam dispensado o socorro. A cena também teria chamado a atenção de passageiros de um ônibus que também teria passado pelo local.

“Depois disso chegou um carro descaracterizado. Possivelmente foi esse carro que levou a arma, um revólver calibre 38, que foi 'plantada' por eles, para fazer parecer com que meu afilhado estivesse armado”.

Ainda segundo o policial civil, a carteira com dinheiro e documentos de Wanderson sumiu e o celular dele foi encontrado na Grota Santa Helena. “Outro detalhe importante é que o capacete do adolescente que estava na garupa sumiu. Eles podem ter feito isso para tentar fazer parecer que não havia ninguém além do meu afilhado na moto, para tentar excluir o testemunho do adolescente”, disse Carlo Jorge.

Além da investigação da Polícia Civil, a Corregedoria da PM também vai apurar a conduta dos militares durante a abordagem.