Interior

Funcionário de lanchonete que teve orelha arrancada depõe à polícia e diz que agressor circula livre pela cidade

Bruno Soriano | 08/10/21 - 17h45 - Atualizado em 08/10/21 - 18h47
Guilherme teve orelha deformada com mordida e ainda não voltou a trabalhar | Divulgação

A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do episódio registrado na madrugada do último dia 20 de setembro, quando o funcionário de uma lanchonete em São José da Tapera, Sertão alagoano, que trabalha copmo chapeiro, teve parte da orelha arrancada por um cliente que tentava comprar bebiba fiado. Acompanhado de outros funcionários do estabelecimento, a vítima prestou depoimento esta semana e disse ainda se recuperar do ferimento que o afastou do trabalho.

“Nós fizemos o boletim de ocorrência no sábado (02) e voltamos à delegacia na quarta-feira (06). Eu e mais três funcionários, incluindo a minha mãe, que trabalha como recepcionista, fomos agredidos. Não sabemos o paradeiro dele [agressor], mas, ao que parece, ele segue circulando pela cidade como se nada tivesse acontecido”, afirmou Guilherme Souza, acrescentando que deve retomar as atividades a partir da próxima semana.

Guilherme teve parte da orelha arrancada com uma mordida após defender o colega Carlos Eduardo, agredido após recolher as garrafas de cerveja que o suspeito pretendia levar sem pagar. Imagens de câmera de segurança (abaixo) da lanchonete e petiscaria flagram o momento em que o cliente deixa o local após a confusão, bem como o desespero da mãe de Guilherme.

Em vídeo divulgado em rede social, Vanderlea dos Santos reforçou a cobrança por justiça. “Esse rapaz [agressor] já chegou ao local alcoolizado e ainda assediou a nossa garçonete enquanto bebia no Santos Burguer. Um amigo dele foi quem pagou a conta. Foi quando disse que iria embora com mais bebida, mas sem pagar. Explicamos que a gente não podia vender fiado, e ele, então, se revoltou”, conta a recepcionista, acrescentando que, pouco tempo depois, o mesmo cliente ainda retornou – quando os funcionários ainda tentavam acionar a polícia e socorrer Guilherme – e tentou forçar a estrutura da porta de entrada, mas, desta vez, não conseguiu acessar a lanchonete.

No hospital de São José da Tapera, Guilherme – que tomou mais de 10 pontos – foi informado pelo médico que o atendeu sobre a impossibilidade de reconstituição da orelha naquele momento, razão pela qual foi feita apenas uma sutura. O suspeito, por sua vez, deve responder – conforme o artigo 129 do Código Penal – por lesão corporal gravíssima, já que provocou uma deformidade permanente. O crime prevê pena de dois a oito anos de reclusão.

O TNH1 não conseguiu contato com a equipe do 43º Distrito Policial.