Tecnologia

Game discute preconceito contra religiões de origem africana

A gata sob o ojá será lançado este mês e convida jogadores à reflexão sobre o tema

08/11/17 - 11h13 - Atualizado em 08/11/17 - 11h13
Reprodução / Assessoria

Com temática direcionada ao preconceito contra religiões africanas, o jogo de computador A gata sob o ojá será lançado em 11 de novembro, semanas antes do Dia da Consciência Negra. O título, que é protagonizado por uma gata que veste um fio de contas e um ojá (objetos sagrados do candomblé), nos convida a acompanhar a personagem em um breve trajeto de metrô. Durante o percurso, a gata interage com outros gatos passageiros que, apesar das diferentes abordagens, apresentam um comportamento comum perante a protagonista: a ignorância e a rejeição às suas vestes e às suas crenças.

O game é uma adaptação brasileira de um jogo feito nos Estados Unidos originalmente intitulado The Cat in the Hijab, do designer e produtor Andrew Wang, que retrata a discriminação vivida por uma gata muçulmana. A criação do jogo ocorreu em apenas uma semana, durante o evento internacional ResistJam (ocorrido em março de 2017), onde desenvolvedores se reuniram na produção de jogos que questionassem variadas expressões de opressão e autoritarismo.

A ideia da localização brasileira (termo usado para se referir à tradução/adaptação de videogames de uma língua, ou cultura, para a outra) surgiu quando o tradutor alagoano Marcus Vinicius Santos, com formação em Sociologia, descobriu a ResistJam enquanto navegava pela internet. Interessado em fazer uma simples tradução do game de Andrew, Marcus Vinicius entrou em contato com o desenvolvedor. No entanto, ao longo das semanas que passaram, a ideia de uma localização que retratasse formas de preconceitos mais presentes no cotidiano brasileiro foi tomando corpo. “Está muito claro que, no dia a dia do brasileiro, as piadas, xingamentos e as depredações ao patrimônio das religiões de matriz africana as tornam as mais perseguidas e atacadas dentro de nosso país”, afirma o localizador do jogo, que também se baseou em resultados de pesquisas para sustentar a escolha.

A adaptação do game buscou transformar tanto os aspectos textuais quanto visuais para que o público brasileiro tivesse acesso a algo mais próximo da sua realidade. Para isso, além de debruçar-se sobre materiais acerca do tema, o tradutor contou com a consultoria cultural de Marina Barreto, candomblecista que também reside em Maceió. “Marina foi crucial ao relatar dolorosas experiências pessoais de preconceito sofrido e ao se dispor a acompanhar todo o processo bem de perto”.

Marcus Vinicius acredita que, apesar de ser bem simples e curto, o jogo pode provocar reflexões interessantes “ao colocar o jogador em posição de vítima e espectador de agressões tão presentes nas vidas dos brasileiros”. Também enxerga que há uma recente tendência de produção de títulos que não visa à mera diversão dos jogadores, mas que trata a produção de videogames como veículos de conteúdo artístico e político: “são mais uma ferramenta a ser considerada para a educação de jovens, tanto em sala de aula, quanto no próprio cotidiano”, indica.

O game é gratuito e poderá ser baixado a partir do dia 11 de novembro, em https://marcusvinicius.itch.io/a-gata-sob-o-oja.