Glaucoma pode causar cegueira irreversível e evoluir sem sintomas; saiba os sinais

Publicado em 26/05/2026, às 21h13
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Por O Tempo

O glaucoma, principal causa de cegueira irreversível no mundo, afeta mais de 1,7 milhão de brasileiros, com prevalência crescente entre pessoas acima de 40 anos. A condição, que compromete o nervo óptico, muitas vezes avança sem sintomas, levando a perdas visuais significativas quando diagnosticada tardiamente.

Fatores de risco incluem pressão intraocular elevada, histórico familiar, diabetes e idade avançada, com a condição podendo afetar até crianças. A falta de sintomas nos estágios iniciais torna o diagnóstico precoce crucial para evitar danos permanentes à visão.

O tratamento do glaucoma envolve colírios, procedimentos a laser e cirurgias, mas a adesão dos pacientes ao tratamento é um desafio. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diversos serviços para diagnóstico e tratamento, incluindo o Teste do Olhinho em recém-nascidos, visando a identificação precoce da doença.

Resumo gerado por IA

O glaucoma é uma doença silenciosa, progressiva e que pode comprometer permanentemente a visão. Considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo, a condição afeta o nervo óptico e, em muitos casos, evolui durante anos sem provocar sintomas perceptíveis.

Segundo estimativas adotadas pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), mais de 1,7 milhão de brasileiros convivem com a doença. Estudos apontam que o glaucoma atinge entre 2% e 3% da população acima dos 40 anos, percentual que pode ultrapassar 7% entre pessoas com mais de 70 anos.

Neste Dia Nacional de Combate ao Glaucoma (26/5), especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e das consultas oftalmológicas regulares.

Perda de visão acontece de forma lenta

De acordo com a oftalmologista Hérika Danielle de Miranda Santos, da Rede Mater Dei de Saúde, o glaucoma costuma evoluir de maneira gradual e silenciosa.

“À medida que a doença avança, o paciente perde gradualmente o campo visual, da periferia em direção ao centro. Quando essa alteração começa a ser percebida, geralmente o glaucoma já está em estágios mais avançados”, explica.

A especialista alerta que os danos causados pela doença não podem ser revertidos. “O glaucoma provoca lesões no nervo óptico e nas células nervosas da retina. Infelizmente, a perda visual causada é irreversível. Identificar o problema precocemente e iniciar o tratamento o quanto antes é essencial para preservar a visão”, afirma.

Quem tem mais risco de desenvolver glaucoma?

Entre os principais fatores de risco para a doença estão:

  • Pressão intraocular elevada;
  • Histórico familiar de glaucoma;
  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial descontrolada;
  • Alta miopia;
  • Idade acima dos 40 anos.

Pessoas com parentes de primeiro grau diagnosticados com glaucoma têm risco até dez vezes maior de desenvolver a condição.

Apesar de ser mais comum em idosos, o glaucoma também pode atingir crianças e adolescentes.

“Existe o glaucoma congênito, que acomete bebês, além do glaucoma juvenil. Independentemente da idade, o acompanhamento oftalmológico é indispensável”, alerta a médica.

Sintomas podem aparecer apenas em fases avançadas

Nos estágios iniciais, muitos pacientes não apresentam qualquer sintoma. Com a progressão da doença, podem surgir:

  • Dificuldade para enxergar objetos nas laterais;
  • Tropeços frequentes;
  • Redução progressiva do campo visual;
  • Visão tubular, como se estivesse olhando por um buraco de fechadura.

Já em episódios de glaucoma agudo, os sinais costumam ser mais intensos e incluem:

  • Dor forte nos olhos;
  • Dor de cabeça intensa;
  • Visão embaçada;
  • Náuseas e vômitos;
  • Vermelhidão ocular;
  • Sensibilidade à luz.

Tratamento exige acompanhamento contínuo, varia conforme o estágio da doença e pode incluir:

  • Uso de colírios;
  • Procedimentos a laser;
  • Cirurgias.

Segundo a especialista, os avanços da medicina têm possibilitado diagnósticos mais precoces e tratamentos mais seguros e eficazes. Ainda assim, um dos principais desafios continua sendo a adesão dos pacientes.

“Ainda enfrentamos o desafio da adesão ao tratamento. Muitos pacientes abandonam o uso dos colírios devido aos efeitos colaterais ou à dificuldade de manter a rotina corretamente. O acompanhamento contínuo é essencial para evitar a progressão da doença e reduzir o risco de cegueira irreversível”, reforça Hérika.

Quando procurar um oftalmologista?

A recomendação é que adultos acima de 40 anos façam consultas oftalmológicas anuais, mesmo sem sintomas aparentes. O acompanhamento regular é considerado a principal forma de identificar o glaucoma precocemente e evitar a perda irreversível da visão.

Atendimento no SUS

Conforme o Ministério da Saúde, atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza cerca de 20 procedimentos voltados ao acompanhamento, diagnóstico e tratamento do glaucoma. Para ter acesso aos serviços especializados, o primeiro passo é procurar uma das 41,7 mil Unidades de Saúde da Família existentes no país. Após a confirmação do diagnóstico, o paciente passa a ser acompanhado por um médico oftalmologista.

O cuidado começa ainda nos primeiros dias de vida. Nas maternidades públicas, os recém-nascidos realizam o chamado Teste do Olhinho, exame rápido, simples e indolor que avalia o reflexo da luz nos olhos do bebê e pode identificar alterações no eixo visual. Quando alguma anormalidade é detectada, a criança é encaminhada para avaliação especializada. O diagnóstico precoce é considerado fundamental para garantir o desenvolvimento adequado da visão ao longo da vida.

Nos casos mais graves, quando há indicação médica, o SUS também oferece transplante de córnea. Os pacientes ainda podem obter os medicamentos necessários para o tratamento do glaucoma por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF).

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