Golpistas se passam por delegados e usam falsas acusações para extorquir vítimas em Maceió

Publicado em 12/05/2026, às 14h55
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Por Yasmin Gregorio*

Um golpe em Maceió tem gerado preocupação entre as autoridades, com criminosos se passando por delegados da Polícia Civil para extorquir vítimas através de ameaças de prisão. A fraude utiliza documentos falsificados e imagens para intimidar as pessoas e forçá-las a realizar transferências bancárias.

Os golpistas iniciam o contato por redes sociais, geralmente com perfis falsos, e após estabelecer confiança, migram a conversa para aplicativos de mensagens, onde coletam informações pessoais das vítimas para aplicar a ameaça. As vítimas são acusadas de crimes graves, como aliciamento de menores, para aumentar a pressão psicológica.

A Polícia Civil alerta que delegados não realizam cobranças financeiras e recomenda que as pessoas desconfiem de contatos suspeitos. Em caso de suspeita de golpe, é aconselhado interromper o contato e registrar um boletim de ocorrência imediatamente.

Resumo gerado por IA

Um golpe aplicado pelas redes sociais tem feito vítimas em Maceió e acendido o alerta das autoridades. Criminosos têm se passado por delegados da Polícia Civil de Santa Catarina, utilizando documentos falsificados, vídeos e até imagens de supostos sistemas policiais para intimidar vítimas em Alagoas e exigir transferências bancárias sob ameaça de prisão.

A dinâmica da fraude foi detalhada pelo advogado Lucas Santiago, durante entrevista ao programa Fique Alerta, da TV Pajuçara. Segundo ele, os criminosos utilizam perfis falsos, geralmente com fotos de homens e mulheres jovens, para iniciar conversas e ganhar a confiança das vítimas.

Depois do primeiro contato pelas redes sociais, a conversa migra para aplicativos de mensagens, como o WhatsApp. É nesse momento que o golpe começa a tomar outro rumo.

O golpe começa pelo Instagram, mas logo migra para o WhatsApp - Cortesia ao TNH1

Como o golpe funciona

De acordo com o advogado, após dias de conversa, os criminosos já possuem informações pessoais da vítima, como nome, telefone e até endereço. Em seguida, entram em contato fingindo ser autoridades policiais. 

“Posteriormente, entra em contato pelo WhatsApp já de posse das informações pessoais, endereços, telefone e CPF”, explicou Lucas Santiago.

Segundo ele, os golpistas afirmam que a pessoa com quem a vítima conversava seria menor de idade e que familiares teriam registrado denúncia por suposto aliciamento de menores.

Em mensagens obtidas pelo TNH1, é possível ver o tom utilizado pelos criminosos para pressionar e intimidar as vítimas. Em um dos trechos, o golpista escreve:

“BOM DIA CIDADÃ! AQUI É O DELEGADO MARCOS VINICIUS DO ‘DECA’ DEPARTAMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ESTOU COM O PAI E A MÃE DO MENOR RAFAEL SANTOS AQUI NA MINHA DELEGACIA E ESTÃO LHE DENUNCIANDO POR PEDOFILIA INFANTIL”.

Na sequência, o criminoso afirma que o celular do suposto adolescente teria passado por perícia policial.

“O APARELHO CELULAR DO MENOR RAFAEL SANTOS FOI PERICIADO E NESTAS CONVERSAS FOI CONSTATADO ALICIAMENTO DE MENOR”.
O golpista começa a se passar por um delegado da Polícia Civil - Cortesia ao TNH1

Em outro momento, o golpista ameaça expedir um falso mandado de prisão caso a pessoa não responda às mensagens.

“CASO A SR.A TENTAR FUGIR OU BLOQUEAR ESTAREMOS EXPEDINDO SEU MANDATO DE PRISÃO PREVENTIVA”.

Os golpistas também enviam áudios e fazem ligações insistentes, afirmando que familiares do suposto menor estariam desesperados após descobrirem as conversas. Segundo o advogado, o objetivo é provocar medo e pressão psicológica para forçar transferências bancárias via Pix para supostamente evitar prisão ou arquivar o caso.

As mensagens continuam de maneira insistente até a vítima ceder por pressão psicológica - Cortesia ao TNH1

Para tornar a ameaça mais convincente, os criminosos enviam imagens de delegacias, documentos falsificados, supostos mandados de prisão e até vídeos simulando sistemas internos da Polícia Civil. Confira abaixo.

“A vítima se sente coagida e acaba fazendo transferências financeiras para evitar um suposto mandado de prisão”, explicou Lucas Santiago.

O advogado também detalha que, em muitos casos, os pagamentos não encerram o golpe. Depois da primeira transferência, os criminosos continuam fazendo ameaças para exigir novos depósitos.

Como evitar cair na fraude

A Polícia Civil alerta que delegados não fazem cobranças financeiras por telefone nem entram em contato exigindo pagamentos para impedir prisões. “Não é assim que funciona. Deve haver investigação criminal e análise das circunstâncias pela autoridade policial”, reforçou Lucas Santiago.

A orientação é desconfiar de perfis desconhecidos que iniciam conversas íntimas rapidamente, evitar compartilhar dados pessoais e nunca realizar transferências sob pressão ou ameaça.

Em caso de suspeita, a recomendação é interromper o contato imediatamente, não atender novas ligações e procurar a polícia para registrar boletim de ocorrência.

*Estagiária sob observação.

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