Maceió

Homem é espancado ao tentar defender mulher de agressão de marido durante as prévias

Letícia Sobreira* | 25/02/19 - 15h12 - Atualizado em 27/02/19 - 12h04

Em uma noite que deveria ser lembrada por momentos de alegria, Nilson de Mendonça Bernardes Contieri acabou sendo brutalmente espancado durante as prévias de Carnaval, em Maceió, no último sábado (23). Ele ficou desacordado e foi levado até a Santa Casa de Misericórdia. 

Tudo começou depois que Nilson presenciou uma cena de violência contra uma mulher e tentou impedir que o funcionário público Edivan Monteiro de Araújo Silva, agredisse sua companheira durante o momento festivo, na orla de Ponta Verde, parte baixa de Maceió.

Segundo testemunhas, Nilson tentou alertar a polícia para o que estava acontecendo entre o casal e, sem sucesso, tentou sozinho questionar as atitudes de Edivan, que lhe respondeu com um golpe no nariz, que fez com que Nilson caísse desacordado. Mas isso não impediu que as agressões continuassem.

“Ele foi um instrumento de Deus naquele momento, só Deus sabe o que poderia ter acontecido com aquela mulher se ele não estivesse lá”, conta Fabiana, esposa de Nilson. Nilson continuou sendo espancado até que um amigo tentou impedir que Edivan continuasse com as agressões e se jogou por cima do colega, ato repetido pela esposa do agressor, que chegou a acreditar que Nilson estivesse morto e colocou um terço sobre seu ombro.

“Ela colocou um terço lá porque achava que ele tava morto e pedia desculpas o tempo todo. Eu tenho pena do que aquela mulher passa. Aquela família é vítima daquele homem. Quero que ele seja punido dentro da lei, nada mais que isso, pelo que ele fez com meu marido, mas também pela família dele”, disse Fabiana.

Fabiana conta ainda que acredita que Edivan teria matado seu marido ali mesmo, com socos e pontapés, se o amigo deles não tivesse interferido na situação. “Ele bateu pra matar”, alegou Fabiana, em entrevista ao TNH1. O advogado da família, Lucas Albuquerque, está pedindo que o Edivan responda por tentativa de homicídio. Atualmente ele está detido em prisão preventiva.

Nilson já teve alta médica. Ele recebeu 9 pontos no rosto, fraturou o nariz e está com um edema na bochecha, além de sentir tontura frequentemente. A família segue com o caso na justiça e afirma que Edivan já possui um histórico de agressões, além de responder em processos com base na Lei Maria da Penha, que diz respeito à proteção da vítima em casos de violência contra a mulher. 

A família de Nilson registrou o boletim de ocorrência ainda na noite de sábado (23). O TNH1 tentou contato com o delegado plantonista que atendeu o caso, mas não obteve respostas.

DEFESA DE EDIVAN SE PRONUNCIA

Nesta quarta-feira, 27, a defesa de Edivan Monteiro de Araújo Silva,contestou a versão de agressão, até então acatada pela polícia.

Em entrevista ao TNH1, nesta quarta-feira (27), o advogado Ronald Pinheiro informou que a defesa conseguiu, por via judicial, um vídeo que derruba parte da versão apresentada pela suposta vítima, que afirma ter sido espancada ao tentar ajudar uma mulher que estaria sendo agredida pelo marido. 

“As imagens são claras. O senhor Edivan Monteiro agiu em legítima defesa, uma vez que agiu para cessar a injusta agressão contra a sua esposa, por meio moderados deferindo-lhe apenas um soco”, alega o advogado.

“As imagens mostram claramente quando o senhor Nilson vinha com uma garrafa de vidro e a esposa do senhor Edivan tentou reprimi-lo, quando foi agredida e o marido saiu em defesa”, afirma o advogado, que disse ainda desconhecer se existira alguma proximidade entre os envolvidos no caso.

TNH1 apurou que o material, no entanto, ainda não é de conhecimento da polícia. “Desconhecemos qualquer vídeo e versão contrária à apresentada pela vítima”, frisou o delegado responsável pelas investigações, Ricardo Menezes, do 2º Distrito de Polícia Civil (2ºDP), no bairro Jatiúca.

A defesa, por outro lado, disse que embora já tenha protocolado o vídeo na 6ª Vara Criminal, vai protocolar também no 2º DP. “Já enviamos o vídeo para que o Judiciário tome conhecimento e, hoje, vamos levar para conhecimento do delegado”, pontuou.

“Também já entramos com um pedido da 6ª Vara Criminal, na última segunda-feira (25), pedindo a revogação da prisão preventiva do senhor Edivan Monteiro”, acrescentou Ronald Pinheiro.

Edivan Monteiro de Araújo Silva segue preso e Nilson de Mendonça Bernardes Contieri, que precisou ser internado após a agressão, recebeu alta médica nessa terça-feira (26), quando prestou depoimento à polícia.

*Estagiária sob supervisão da editoria