Nordeste

Igrejas de Fortaleza se destacam por inclusão de pessoas LGBTQI+

Tribuna do Ceará | 30/12/19 - 10h59 - Atualizado em 30/12/19 - 11h10
Comunicação/Soul Livre

Luiz Carlos Sousa é um dos frequentadores da Soul Livre. Ele conta que na igreja é recebido sem julgamentos ou preconceito. A igreja, que se autodefine “progressista” e existe há menos de um ano, é conhecida por receber pessoas LGBTQI+. Em Fortaleza, existem pelo menos quatro do mesmo tipo, que se denominam como “igrejas inclusivas”.

Para Filipe Scarcella, pastor da Soul Livre, a diferenciação entre igrejas convencionais e inclusivas é difícil. “O que é entendido como ‘convencional’ são igrejas que rechaçam a diversidade humana e se colocam como um ambiente aberto para um tipo específico de constituição humana e familiar”, declarou. Ele ressalta, ainda, que todas as igrejas que pregam a mensagem de Jesus devem ser, naturalmente, inclusivas e abertas para todos.

Além de cultos religiosos, na Soul Livre, são desenvolvidos programas que focam nas necessidades de pessoas LGBTQI+. “Acaba que a reunião parece apontar mais para uma pauta social legítima, do que, basicamente, para um discurso de fé comum”, descreveu Filipe. Além disso, ele cometa que a igreja é adepta à uma “teologia inclusiva”, que busca construir narrativas bíblicas que enxerguem possíveis personagens homoafetivos ou erros da tradução dos livros originais para o idioma Português.

Acreditar que a mensagem de Jesus é atemporal também norteia a orientação de Filipe. No entanto, ele pondera que, para permanecer relevante, cabe aos propagadores dessa mensagem se reinventar. “Temos a consciência que precisamos reafirmar os princípios e valores de Jesus, sendo amor o maior de todos, e possuir igualmente a responsabilidade de responder ou, de pelo menos, discutir as demandas do nosso próprio tempo”, pontuou. Fazer da Soul Livre um espaço acolhedor e que respeite as diferenças, para que frequentadores possam se sentir em casa, também é objetivo dele.

Com o mesmo intuito de acolher, mas fundada em 2013, a Igreja Apostólica Filhos da Luz é outra igreja inclusiva. Segundo Alan Jessé, pastor e fundador da igreja, a instituição nasceu da necessidade de amparar quem precisava de um local para adorar a Deus sem que fosse julgado pela sua orientação sexual ou identidade de gênero. “A principal e única diferença da Filhos da Luz para outras igrejas, que também são cristãs, é que nós vamos acolher”, destacou.

Criado em uma família de pastores, Alan sempre esteve inserido no contexto cristão. Até os seus 24 anos, frequentou a igreja evangélica. Foi depois de reconhecer sua orientação sexual que ele sentiu o desejo de criar um espaço para acolher outras pessoas na mesma condição. Atualmente, a Filhos da Luz recebe 150 frequentadores assíduos.

Apesar da maioria do público da igreja ser de pessoas LGBTQI+ ou parentes, o pastor destaca que também recebe pessoas heterossexuais. “Temos também crianças e idosos. Recebemos todas as pessoas que se sentem bem em estar na igreja e professar sua fé lá”. Durante a semana, a igreja tem dois encontros fixos: um no domingo e um na quinta-feira. No restante da semana, os fiéis se reúnem em células para compartilhar experiências.