Escape de urina ao rir, tossir ou praticar exercícios não deve ser tratado como consequência inevitável da idade ou da maternidade
Uma risada, um espirro, uma corrida ou o simples ato de levantar peso podem provocar um escape involuntário de urina. Apesar de comum, o problema ainda é cercado por vergonha e costuma ser escondido por anos. O protocolo assistencial do Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh estima que a incontinência urinária afeta entre 10% e 50% das mulheres adultas. O documento também aponta que muitas convivem com os sintomas durante seis a nove anos antes de procurar atendimento.
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Segundo Bruna Paschoalim, ginecologista e especialista em estética íntima feminina, um dos principais obstáculos é a ideia de que perder urina faz parte da maternidade ou do envelhecimento. “Muitas mulheres deixam de correr, treinar, viajar ou participar de atividades sociais por medo dos escapes. A incontinência urinária é uma condição que precisa ser investigada, porque existem diferentes formas de tratamento”, afirma.
A incontinência urinária é caracterizada pela perda involuntária de urina, mas nem todos os casos acontecem da mesma forma. Na incontinência de esforço, o escape surge com o aumento da pressão abdominal, como ao tossir, espirrar, rir, saltar ou carregar peso.
Na incontinência de urgência, a vontade de urinar aparece de maneira súbita e intensa, dificultando chegar ao banheiro a tempo. Já a incontinência mista combina características das duas anteriores. Identificar o tipo é importante porque a escolha do tratamento depende da origem e das características dos sintomas.
Gestação, parto vaginal, menopausa, excesso de peso, constipação, tosse crônica, cirurgias pélvicas e alterações na sustentação dos órgãos estão entre os fatores que podem favorecer o problema. A idade também exerce influência, mas isso não significa que toda mulher terá incontinência ao envelhecer.
Mulheres jovens também podem apresentar escapes, principalmente durante atividades físicas de alto impacto. Nesses casos, o problema pode estar relacionado tanto à perda de força quanto à dificuldade de coordenar corretamente os músculos do assoalho pélvico.
A seguir, veja os principais cuidados para investigar e tratar a condição:
Perceber se a perda ocorre durante um esforço ou é acompanhada de uma vontade urgente de urinar ajuda a direcionar a investigação. Também é importante observar a frequência dos episódios e se existem outros sintomas, como dor, ardência, sangue na urina ou dificuldade para esvaziar a bexiga.
O diário miccional é um registro dos horários em que a mulher urina, da quantidade aproximada de líquidos ingeridos, dos episódios de urgência e das situações em que houve escape. Essas informações ajudam o profissional a compreender o funcionamento da bexiga e podem ser utilizadas para acompanhar a evolução do tratamento.
O treinamento dos músculos do assoalho pélvico está entre as principais medidas conservadoras para a incontinência urinária. O cuidado pode envolver fisioterapia pélvica, exercícios de fortalecimento e coordenação, treinamento da bexiga e técnicas de consciência corporal.
A avaliação profissional é importante porque nem toda paciente precisa apenas fortalecer a região. Em alguns casos, a dificuldade está em coordenar, relaxar ou acionar os músculos corretamente.

Controle do peso, tratamento da constipação e redução do consumo excessivo de substâncias que podem irritar a bexiga, como cafeína e álcool, podem integrar o plano de cuidados. A ingestão de água, entretanto, não deve ser reduzida de forma indiscriminada, pois a restrição inadequada de líquidos pode provocar outros problemas.
Entre os recursos disponíveis está a cadeira de estimulação eletromagnética do assoalho pélvico. A mulher permanece sentada e vestida enquanto o equipamento provoca contrações repetidas da musculatura da região.
“A tecnologia funciona como um treinamento intensivo do assoalho pélvico, sem a necessidade de introduzir dispositivos. No entanto, a indicação depende de avaliação, porque o tratamento precisa considerar o tipo de incontinência, a intensidade dos sintomas e as condições de cada paciente”, explica Bruna Paschoalim.
Pesquisas recentes apontam melhora dos sintomas e da qualidade de vida em parte das mulheres submetidas à estimulação magnética. Os estudos, contudo, apresentam diferenças entre protocolos e resultados. Por isso, o recurso não deve ser apresentado como solução única nem substituir o diagnóstico e o acompanhamento individualizado.
Medicamentos, dispositivos de suporte e procedimentos cirúrgicos também podem ser indicados em determinadas situações. A escolha considera o tipo de incontinência, a gravidade dos escapes, a resposta às medidas conservadoras e o impacto do problema na rotina.
Pequenas perdas que se repetem já justificam uma avaliação. Procurar ajuda no início dos sintomas pode evitar que a mulher passe anos limitando exercícios, compromissos profissionais, viagens e momentos de convivência por uma condição que pode ser controlada ou tratada.
Por Eluan Carlos
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