Janet Z, uma criadora de conteúdo, ganhou notoriedade ao compartilhar sua experiência de crescer em um culto poligâmico, onde tinha 44 irmãos e quatro mães, e decidiu deixar essa vida aos 20 anos em busca de liberdade pessoal.
Ela relata que a educação foi predominantemente religiosa e que o casamento arranjado era a norma, levando a um ambiente em que as mulheres eram tratadas como cidadãs de segunda classe, o que a motivou a questionar seu estilo de vida.
Atualmente, Janet está casada e tem um filho, enquanto a maioria de suas irmãs também deixou o culto, embora muitos homens da família permaneçam na religião, refletindo a divisão entre os gêneros na dinâmica do grupo.
A criadora de conteúdo Janet Z ficou famosa após revelar ter 44 irmãos e quatro mães diferentes. A razão? Ela nasceu e cresceu em um culto poligâmico, parte de um grupo dissidente da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, fundada por Warren Jeffs.
LEIA TAMBÉM
Preso desde 2006, Jeffs é criminoso sexual condenado, tendo chegado a estar na lista dos 10 mais procurados do FBI.
Aos 32 anos — Janet nasceu em 1994 — ela relembra o lugar onde cresceu e a decisão de sair do culto em seu canal no TikTok, manifestmoremagic.
Ela cresceu em Salt Lake City, no estado do Utah, Estados Unidos. O pai dela era “casado” com quatro mulheres diferentes — sendo todas consideradas mães — e 44 filhos, no total. A família dividia uma casa de 13 quartos e 15 banheiros.
Janet é a filha de número 25 — quase a do meio — e afirma conseguir lembrar o nome de todos os irmãos com facilidade: “Assim como vocês, eu cresci com eles, sou próxima deles, pra mim é fácil como é pra vocês”.
Ela relata que, tendo crescido no culto, era esperado que ela mesma se tornasse uma esposa em um casamento arranjado, no entanto, aos 20 anos, ela decidiu sair de casa: “Ao longo da minha vida, fui criada com a ideia de que era um privilégio casar com um homem e ser uma de suas esposas. Como mulher, você é tratada como uma cidadã de segunda classe”, disse, ao jornal Metro.
Embora alguns homens do culto que tenham conhecido sejam “incríveis”, ela diz que alguns outros: “Não levam em consideração os sentimentos de suas esposas, nem o quão difícil é criar uma família com tantos filhos”
Como era o cotidiano da família
Assim como os seus irmãos, Janet nunca foi para uma escola de verdade, recebendo uma educação domiciliar no lugar da formação tradicional. Às 8 da manhã, começavam os estudos religiosos.
Depois, os temas normais como matemática, história, geografia até quase 16horas; as classes eram ensinadas pelas mãe biológica de Janet: “A educação também incluía ensinamentos religiosos; a primeira aula da manhã era dedicada ao estudo das escrituras sagradas durante uma hora. Em 2010, todos os meus irmãos mais novos começaram a frequentar a escola, pois o ensino domiciliar estava se tornando muito difícil com tantas crianças”.
Namoros eram proibidos: “Na religião, existe o casamento arranjado; ensinam que não se deve namorar, pois isso atrapalha o plano de Deus sobre com quem você deve se casar”, afirma.
E ela seguiu as ordens até certo momento: perto dos 20, ela começou a ter dúvidas sobre o estilo de vida dos pais, enquanto algumas reclamavam das dificuldades de ter um marido com diversas mulheres: “Você se machuca constantemente ao ver seu marido com uma mulher diferente”.
Foi aí, no aniversário de 20 anos, que ela decidiu sair de casa: “Meu pai estava preocupado comigo, ele disse que achava que eu ia desperdiçar minha vida e não sabia o que ia acontecer comigo”.
O que aconteceu é que Janet conheceu seu atual marido, Lorin Z, com quem acabou de ter um filho. Quanto à sua família: seu pai faleceu em 2024, a maioria das irmãs também saíram do culto, mas a maioria dos homens seguem na religião.
LEIA MAIS
+Lidas