Juiz é preso acusado de receber propina milionária de ex-atleta olímpico que virou chefão do narcotráfico

Publicado em 06/11/2026, às 21h38
Reprodução U.S. Department of Justice/; Reprodução/FBI
Reprodução U.S. Department of Justice/; Reprodução/FBI

Por Extra

Um juiz distrital no México foi preso por receber US$ 2 milhões em propina para libertar Andrew Clark, um traficante canadense ligado ao ex-snowboarder olímpico Ryan Wedding, que lidera uma operação de tráfico de drogas entre Colômbia e EUA.

Clark foi solto no mesmo dia em que a quantia foi transferida para a conta do juiz, que enfrenta nove acusações, incluindo cumplicidade após crime, conforme investigação do Departamento de Justiça dos EUA.

As autoridades americanas afirmam que combaterão a corrupção que auxilia traficantes, enquanto Wedding, que já estava sob custódia federal, é acusado de homicídio e de liderar uma rede de tráfico internacional.

Resumo gerado por IA

Um juiz distrital no México foi preso sob a acusação de ter recebido propina de US$ 2 milhões (cerca de R$ 11 milhões) para permitir a libertação do braço direito do canadense Ryan Wedding — um ex-snowboarder olímpico que, segundo as autoridades, tornou-se um chefão do tráfico de drogas. O beneficiado pelo "acordo" para a soltura foi o traficante canadense Andrew Clark, de 36 anos.

Luis Benítez Alcántara, de 49 anos e natural da Cidade do México, foi detido no domingo (1/11), em Bogotá (Colômbia), em decorrência de uma denúncia federal que inclui nove acusações, entre elas a de cumplicidade após o cometimento de um crime, informou o Departamento de Justiça dos EUA na quinta-feira (5/11). A prisão envolveu agentes colombianos e americanos.

Segundo investigação, Clark foi solto no mesmo dia em que a quantia foi transferida para conta de Alcántara.

Clark era o segundo no comando sob as ordens de Wedding — que se encontra sob custódia federal, acusado de liderar uma operação transnacional de tráfico de cocaína, além de responder por homicídio e tentativa de homicídio, segundo o Departamento de Justiça.

"Autoridades públicas corruptas, onde quer que estejam, que auxiliam traficantes de drogas que operam aqui em nosso território, enfrentarão a justiça nos Estados Unidos", afirmou o procurador Todd Blanche.

Wedding foi preso em janeiro após quase um ano foragido. Ele era era procurado pelo FBI (polícia federal dos EUA) por chefiar uma organização internacional de tráfico de drogas, responsável pelo envio de grandes quantidades de cocaína da Colômbia para os EUA e o Canadá.

Do esporte ao crime

Nascido em 1981 em Thunder Bay (Ontário, Canadá), Wedding estava destinado a uma carreira como atleta profissional de esqui, já que sua família era dona de uma pequena estação de inverno. Ele foi selecionado para a equipe nacional canadense de esqui nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002 em Salt Lake City (EUA). No entanto, um erro no primeiro dia de competição o tirou da disputa. Esse foi o ponto de virada na carreira de Wedding, que nunca se recuperou daquele erro.

De volta a Vancouver (Canadá), Wedding se matriculou numa universidade, começou a frequentar a academia e a trabalhar como segurança em boates, onde se envolveu com criminosos locais. O ex-atleta logo iniciou sua trajetória criminosa, cooperando com gangues como os Hells Angels para cultivar e distribuir grandes quantidades de maconha para os EUA. Em 2008, um plano para enviar 24 kg de cocaína de San Diego para o Canadá fracassou quando um "parceiro" se revelou um agente do FBI. Wedding foi preso, passou 17 meses em um centro de detenção em San Diego e foi condenado a 48 meses no Texas em 2010.

De acordo com o FBI, o tempo na cadeia virou uma "escola do crime" para Wedding, virando uma espécie de "Escobar do século XXI". O ex-atleta construiu relacionamentos-chave que lhe permitiram reestruturar sua carreira criminosa, de acordo com a revista "Toronto Life".

Após a pena e a extradição para o Canadá em 2011, Wedding imediatamente buscou controlar a rota do tráfico de drogas do México para o Canadá, em coordenação com o Cartel de Sinaloa de El Chapo. Depois que a polícia frustrou o transporte planejado da primeira remessa pela costa leste do Canadá, Wedding fugiu para o México.

Do México, Wedding teria ordenado o assassinato, em 2018, de um associado em Montreal, que ele suspeitava estar cooperando com a polícia.

Sua rede utilizava caminhoneiros canadenses para transportar até 350 kg de cocaína por viagem. O coordenador do transporte era Jonathan Acebedo Garcia, um criminoso colombiano-canadense que havia cumprido pena na prisão com Wedding no Texas. Quando o FBI desmantelou parcialmente a operação em Los Angeles em meados de 2024, Acebedo tornou-se uma testemunha-chave contra Wedding.

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