Terra ganha uma “mini-lua” temporária; asteroide deve ir embora em 2027

Publicado em 06/11/2026, às 20h50
CharlVera/Pixabay
CharlVera/Pixabay

Por Galileu

O asteroide 2026 QQ8, com diâmetro entre 1 e 2 metros, foi capturado pela gravidade da Terra e deve orbitar o planeta até dezembro de 2026 ou início de 2027, quando retornará à sua trajetória ao redor do Sol.

Identificado em agosto de 2023, o asteroide não apresenta risco de colisão e sua distância mínima em relação à Terra varia entre 537 mil e 568 mil km, superior à distância média da Lua.

Astrônomos destacam a importância do 2026 QQ8 para estudos científicos, pois sua proximidade permite análises que podem contribuir para a compreensão do Sistema Solar e para o desenvolvimento de estratégias de defesa planetária.

Resumo gerado por IA

Nos últimos dias, a Terra ganhou uma companhia espacial temporária. O asteroide 2026 QQ8, uma pequena rocha que tem algo entre 1 e 2 metros de diâmetro, foi capturado pela gravidade do planeta e passou a orbitar ao seu redor. A passagem, porém, tem prazo para terminar: as estimativas indicam que o objeto deve escapar da influência terrestre em dezembro de 2026 ou no início de 2027, voltando a seguir sua trajetória ao redor do Sol.

A captura foi confirmada por um comunicado emitido em 29 de outubro pelo MPC (Centro de Planetas Menores), órgão ligado à IAU (União Astronômica Internacional), que é responsável por reunir e divulgar informações sobre asteroides e outros corpos menores do Sistema Solar. A instituição também informa que não foi encontrada nenhuma associação com um objeto artificial conhecido, como lixo espacial produzido pela humanidade.

Visita com data para ir embora

Identificado pela primeira vez em 20 de agosto pelo astrônomo húngaro Krisztián Sárneczky, estima-se que o 2026 QQ8 tenha sido capturado pelas forças gravitacionais terrestres em abril. Desde então, o asteroide está preso à Terra, enquanto segue sua jornada pelo Sistema Solar.

Vale salientar, contudo, que mesmo com a proximidade em termos astronômicos, não há indicação de risco de colisão com o planeta. Além disso, caso uma rocha desse tamanho entrasse na atmosfera terrestre, provavelmente seria destruída antes de chegar à superfície, aponta o portal Space.com.

A projeção de distância mínima entre o planeta e o asteroide varia entre os especialistas. Enquanto alguns sugerem que o objeto não ficará a menos de 568 mil km, outros já apontam que o periastro (o ponto de maior aproximação entre um corpo e o astro em torno do qual orbita) será de apenas 537 mil km. Em ambos os casos, trata-se de uma distância superior à média de aproximadamente 384 mil km que separa a Terra da Lua.

Estudando 2026 QQ8, astrônomos verificaram que a formação leva cerca de 359 dias para completar uma volta ao redor do Sol. Além disso, calcularam que os seus encontros próximos com a Terra parecem ocorrer aproximadamente a cada dez anos.

No entanto, nem toda aproximação resulta em uma captura gravitacional. Registros de 1965, por exemplo, demonstram que, mesmo tendo passado perto do planeta, o corpo não ficou temporariamente preso e, consequentemente, também não pôde ser visto como uma mini-lua. A previsão é que volte a se aproximar em 2058, sem que isso necessariamente resulte em uma nova captura.

Fenômeno das mini-luas

Embora a Terra tenha apenas um satélite natural permanente, a Lua, ela pode receber visitantes temporários. Conhecidos como mini-luas, esses corpos são pequenos asteroides ou cometas que passam perto de um planeta e podem ser capturados por sua gravidade. Assim, realizam uma ou mais voltas ao redor dele antes de escapar e retomar sua trajetória pelo espaço.

O fenômeno não é inédito, lembra o IFLScience. Em agosto de 2024, por exemplo, a Terra chegou a ter duas mini-luas temporárias. Uma delas, o asteroide 2024 PT5, chamou a atenção dos pesquisadores por apresentar características químicas semelhantes às da Lua, levantando a possibilidade de que fosse formada por material ejetado do nosso próprio satélite. Outro caso é o do 2022 NX1, que já havia sido capturado temporariamente em 1981 e voltou a passar pela mesma situação em 2022.

Desta vez, porém, o 2026 QQ8 parece ser maior do que a maioria desses visitantes. Um estudo publicado em 2025 na revista científica Icarus estimou que o diâmetro médio de uma mini-lua é de aproximadamente 75 centímetros – valor bem inferior aos 1 a 2 metros de diâmetro verificados na mini-lua atual.
A pesquisa também calculou que esses corpos permanecem ligados à Terra, em média, por cerca de nove meses, e sugeriu que objetos um pouco maiores poderiam permanecer por períodos mais longos. De acordo com os autores, um asteroide com cerca de 3 metros de diâmetro, por exemplo, poderia funcionar como mini-lua durante dez a 20 anos, caso fosse capturado em condições favoráveis.

Estudo dos pequenos visitantes

Mesmo quando não representam perigo, objetos como o 2026 QQ8 oferecem oportunidades importantes para a ciência. Por estarem relativamente próximos, podem ser observados e estudados com mais facilidade do que muitos asteroides distantes. A análise de suas características ajuda os pesquisadores a compreenderem melhor a formação e a evolução do Sistema Solar.

Esses corpos também podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias de defesa planetária. Conhecer a composição, o tamanho e o comportamento de asteroides próximos da Terra pode ser bastante útil para avaliar possíveis ameaças futuras e aprimorar métodos de monitoramento. Não à toa, o MPC incentiva que novas observações e estudos sobre o 2026 QQ8 sejam realizados.

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