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Juliana Silveira é Kalesi, a rainha das serpentes em ‘A Terra Prometida’

04/07/16 - 19h30 - Atualizado em 04/07/16 - 19h39
Reprodução/R7

Em Os Dez Mandamentos, os telespectadores acompanharam a crueldade de Nefertari (Camila Rodrigues). Elba (Francisca Queiroz), por sua vez, deu o que falar com suas armações em Os Dez Mandamentos – Nova Temporada. Agora, chegou a hora de se surpreender com Kalesi, a rainha das serpentes, em A Terra Prometida, trama que estreia terça-feira (5), às 20h30. Em entrevista exclusiva ao site da novela bíblica, sua intérprete, Juliana Silveira, contou todos os detalhes da caracterização da personagem e o que esperar dela nos capítulos que estão por vir.

Kalesi é ninguém menos que a rainha de Jericó e ajuda o rei Malek (Igor Rickli) a tentar conter Josué, que busca conquistar o reino do casal.

— Kalesi é uma rainha egoísta: só pensa nela, no poder dela, no que tem para manter. Mas ela também tem uma ironia, é muito sensual, muito estrategista, uma mulher muito forte, realmente tem o comando do reino junto com o rei Marek.

Kalesi tem uma relação forte com os deuses pagãos e o sacerdorte do rei, vivido por Marcos Winter.

— Eles [o povo de Jericó] são pagãos e ela tem uma relação forte com o sacerdote do rei, Merodaque, que é o Marcos Winter. Fazemos muita coisa juntos dentro do templo, fazemos oferendas para fazer com que os deuses protejam Jericó contra o inimigo.


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Rainha das serpentes

Para a trama, Juliana precisou gravar muitas cenas com cobras, animais que são íntimos de sua personagem.

— Tem essa relação dela com as serpentes, a simbologia dela de ser uma mulher forte, poderosa. Naquela região, ela não é só uma rainha: é a "rainha das serpentes" venenosas, que domina as cobras. É um animal que tem essa simbologia de vida e de morte, então, ela é a rainha da luz e das sombras. É bem interessante de se fazer. Estou encantada com esse universo da Kalesi. Falo também que ela é a rainha dourada, por conta dos acessórios.

Além de controlar as serpentes, Kalesi consegue manter o rei na palma de sua mão.

— Ela domina o Marek. Eles têm uma parceria. Ele, claro, está na minha de frente, mas, às vezes, é fanfarrão, se perde na emoção, na raiva. Ela é quem diz: "Marek, menos". Ela fala em cena: "Não pense, não faça essa estratégia com a emoção. Faça com a cabeça. Nós estamos em guerra e precisamos ser políticos”. Ela é muito política e o poder está acima de qualquer outra coisa, inclusive das conquistas dela, desse lado dela de mulher sensual. Se ela tiver que escolher, ela vai escolher o poder. Ela tem essa frieza que é interessante. Na verdade, ela é a fortaleza do Marek, quem se apoia muito nela. Ela não tem trono, fica ao lado, mas é aquela mulher que sempre está ao lado dele e nunca perde o controle. Por isso, ela controla o reino.

Para aguçar a curiosidade dos telespectadores, Juliana adianta um exemplo do que Kalesi é capaz com suas serpentes.

— Tem uma cena em que um rei de idade fica em cima, querendo levá-la para a cama. Ela tem pavor de velho e de criança. Só que Kalesi tem que fazer política na sala do trono. Mas quando aquele rei invade o quarto, ela manda a cobra: "Vai lá ajudar a mamãe, vai. Resolve para mim". Ela tem essas artimanhas. Kalesi não passa perrengue nessa vida. Ela bota um colar de serpente e sai para a guerra.

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Poder e sensualidade

Kalesi e Marek governam um reino que chama a atenção pela sensualidade.

— Sempre tem festa, comida, vinho, música, bailarinas com roupas lindas e fazendo coreografias sensuais, tem sempre muito esse código, uma coisa dionisíaca. Além da dança, tem na fala, com muito flerte.

Aos olhos de Juliana, a rainha e o rei vivem um relacionamento aberto até o momento em que será colocado à prova.

— Tem parceria, mas é um casamento aberto. Tem noite que ela manda as mulheres do harém para ele e faz questão de escolher. Ela manda e fica com o eunuco dela que serve para outras coisas. Os dois são superbem resolvidos, até a hora que chega Sandor (Pedro Henrique Moutinho), filho do general Tibar (Leonardo Franco), e ela se apaixona por ele e o Marek se incomoda. Começa uma luta interna e a rainha percebe que tudo foi longe demais e que se precisa parar. O mais importante para ela é a guerra e não esse conflito interno que foi formado com problemas pessoais. Ela é fria a esse ponto de pirar, mas voltar tendo o reino como prioridade. Ela, como mulher, é muito interessante nesse sentido, que é muito forte. Kalesi abre mão do sentimento em nome dessa história que tem com o rei.

Apesar da postura submissa vivida pela mulher daquele tempo, Juliana conta que a rainha pensa completamente diferente.

— Ela não quer abrir mão do poder porque a mulher era um nada nessa época. E a Kalesi fala: "Eu estou acima dessas questões de gênero. Isso não faz parte da minha vida. Eu sou uma rainha". Ela é uma rainha em 1200 a.C., totalmente feminista e libertária. Ela tem os amantes dela, conta para o rei e o rei aprova. Tem um código de poliamor nesse núcleo da novela que é bem interessante.

Diálogos típicos de vilã

Enquanto estuda os roteiros escritos por Renato Modesto e grava as cenas, a atriz se diverte com as declarações absurdas de sua personagem.

— Adoro quando ela fala: "Sandor não entendeu ainda que ele não tem saída. Ou ele me ama, ou ele me ama". É uma vilã! Diz ainda sobre ele: "Esse soldadinho atrevido. Esse garoto petulante". A vilã tem um texto com este sabor diferente, essas particularidades, esses adjetivos. Ela zoa os outros personagens: "Os hebreus dizem que têm um Deus só. Quem fala isso? É ridículo?". Ela tem essa coisa irônica. Só a Kalesi poderia falar que Josué é ridículo, que os hebreus são ridículos, são saltitantes, felizes e que acreditam em um Deus só. Ela é desse jeito, não dá para trás.

Controle político de Jericó

Juliana adianta que, quando tudo está perdido no reino, é a personagem que controla as rédeas da situação.

— Posso dizer que quem toma a frente quando o reino está se acabando na guerra é a Kalesi e vai tentar dar a última cartada. Ela é mais forte e mais resistente que o rei, mais controlada emocionalmente nesse sentido. Nasceu para ser rainha.

Figurino e maquiagem impecáveis

Para ficar pronta para gravar A Terra Prometida, Juliana leva nada menos que três horas para se caracterizar.

— Isso porque eu faço trancinha miúda de rastafari no cabelo inteiro para frisar, tem a maquiagem. Quando termina tudo, almoço, solto o cabelo e aí coloco a coroa. Nossa caracterizadora é uma gênia. É uma maquiagem com muito contorno: minha cara parece uma máscara kabuki. Ela vem com um pó branco e com marcações muito pesadas de marrom, me desenha inteira, faz um olho puxado, com sombra.

O visual diferenciado até rendeu uma história que arranca risos de Juliana ao se recordar.

— Uma vez, terminei a gravação. Não deu tempo de tirar a maquiagem e fui a uma loja. Com a luz estourada do lugar, todo mundo olhava para a minha cara porque eu parecia um palhaço. Isso porque ela tem uma sobrancelha muito grossa e muito marcada.

O figurino é um show à parte para a atriz. Juliana entrega que se apaixonou pelas roupas de Kalesi.

— Todos os vestidos, sem exceção, são muitos lindos, decotados, com muito veludo, que está na moda. Ela tem muita barriga de fora, coisa que eu achei que nunca ia usar depois dos 30 anos. Fiquei meio assim quando vi a proposta, coloquei a roupa, fiquei dois dias incomodada, quieta, e, hoje em dia, adoro. Já estou começando até a pegar uns tops, estou fazendo a ousada na vida real. Kalesi quebrou essa regra para mim.

Os acessórios acompanham o ar de realeza da rainha.

— São muito dourados. Os as pulseiras são lindas, os anéis são incríveis. É tudo muito bem feito e os códigos muito bem pensados. A sandália tem uma serpente, ela tem brincos com simbolismos que fazem parte do universo dela.