Polícia

Líder religiosa denuncia invasão e depredação de terreiro em Maceió

Chefe espiritual aponta intolerância religiosa como motivação de destruição

Dayane Laet | 13/05/19 - 11h16 - Atualizado em 13/05/19 - 11h28
Objetos e oferendas foram destruídos durante a madrugada | Cortesia ao TNH1

O sono de quem dormia na casa da yalorixá Veronildes Rodrigues, líder religiosa de um terreiro de religião de matriz africana que fica em um conjunto habitacional na parte alta de Maceió, foi quebrado na madrugada desta segunda-feira (13). Vândalos invadiram o terreno para quebrar peças de culto e oferendas expostas na área externa da residência.

Em entrevista ao TNH1, a yalorixá contou que dormia com a família, incluindo seis crianças, quando por volta das 4h da madrugada a mãe de uma das crianças levantou para ir ao banheiro e ouviu risadas no quintal. “Primeiro ela ouviu a risada e depois aconteceu a quebradeira”, explicou Veronildes.

Ainda de acordo com ‘mãe Vera’, como é conhecida, o portão de metal que protege a propriedade foi forçado horas antes, ainda no domingo. “Ouvimos pancadas fortes e percebemos que estavam tentando arrombar o portão. Apesar do medo, decidimos ficar todos na casa porque chovia muito”, relatou a líder religiosa.

Hoje pela manhã, ao perceber que as oferendas estavam destruídas, um dos seguidores de mãe Vera registrou em um vídeo a tristeza e revolta da yalorixá. “Podem quebrar minhas peças, mas eu permanecerei de pé”, desabafou.

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Mãe Vera conta ainda que os pratos – peças de barro e louça – tinham sido herdados de sua mãe, também religiosa. “O nome dela era Lindinalva da Silva Santos, mas era conhecida como Arlinda de Iemanjá”, disse, emocionada.

Nesta segunda, Veronildes procurou a polícia para registrar um boletim de ocorrência. Caso os suspeitos sejam presos, eles poderão responder por crime de dano, segundo o delegado Vinicius Ferrari.

Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia acarreta pena de detenção, de um a seis meses, ou multa. Se for agravado por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima, a pena varia de seis meses a três anos, e multa.