Vídeo: sob forte comoção, corpo de policial morto por colega é sepultado em Aracaju

Publicado em 21/05/2026, às 13h24
JESSIKA CRUZ/TV ATALAIA
JESSIKA CRUZ/TV ATALAIA

Por Yasmin Gregorio*

O policial civil Yago Gomes Pereira foi sepultado em Aracaju após ser assassinado por um colega de farda durante uma operação em Delmiro Gouveia, Alagoas, gerando grande comoção entre familiares e colegas da segurança pública.

Yago, que ingressou na Polícia Civil em 2023 e sonhava em se tornar delegado, foi morto ao lado do agente Denivaldo Jardel Lira Moraes, com o suspeito Gildate Goes Moraes Sobrinho alegando que o trio havia consumido álcool antes do crime.

Gildate teve sua prisão convertida em preventiva, e a Justiça determinou investigações adicionais, incluindo exames toxicológicos e análise de imagens de câmeras, enquanto a família de Yago questiona a versão oficial e pede uma apuração mais rigorosa sobre o caso.

Resumo gerado por IA

Sob forte comoção de familiares, amigos e colegas de profissão, foi sepultado na manhã desta quinta-feira (21) o corpo do policial civil Yago Gomes Pereira, morto após ser baleado dentro de uma viatura da Polícia Civil em Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas.

O sepultamento ocorreu por volta das 11h, no cemitério Colina da Saudade, em Aracaju, cidade natal do agente. O velório foi realizado em um espaço particular localizado na região central da capital sergipana e reuniu familiares, amigos e profissionais da segurança pública.

Yago ingressou na Polícia Civil de Alagoas em 2023 e atuava na 1ª Delegacia Regional de Delmiro Gouveia. Após a morte do agente, a corporação lamentou a perda e destacou os serviços prestados por ele.

Durante a despedida, familiares lembraram da trajetória do policial, descrito como um jovem dedicado, que sonhava em crescer profissionalmente e construir carreira na área da segurança pública. Abalado, o pai de Yago, Pedro Gomes, contou que o filho tinha como objetivo tornar-se delegado de polícia e já se preparava para novos concursos.

Yago era casado e deixa uma filha de cinco anos.

Veja o vídeo da despedida de Yago:

Relembre o caso

O policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho, de 61 anos, foi preso suspeito de matar Yago Gomes e o agente Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos, natural de Pernambuco, durante a madrugada da última quarta-feira (20), em Delmiro Gouveia.

Segundo os primeiros levantamentos, os três estavam em serviço e haviam seguido para o município de Piranhas para cumprir um mandado de prisão expedido pela Justiça.

Em depoimento obtido pelo TNH1, Gildate afirmou que, após a diligência, o grupo permaneceu na cidade e consumiu bebida alcoólica. O policial relatou que Yago teria convidado os colegas para experimentar um chopp artesanal e que eles permaneceram no local consumindo outras cinco rodadas da bebida.

Ainda conforme o depoimento, por volta das 22h o trio iniciou o retorno para Delmiro Gouveia. Gildate alegou que não tinha condições de dirigir e pediu para Yago assumir o volante da viatura. Denivaldo seguia no banco dianteiro e o suspeito ocupava o banco traseiro.

Durante o trajeto, ocorreram os disparos.

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, Yago e Denivaldo foram atingidos por tiros na região do crânio e morreram ainda no local. Equipes do Samu chegaram a ser acionadas, mas os policiais já estavam sem sinais vitais.

Após o crime, Gildate deixou a cena e foi encontrado horas depois em uma residência no bairro Pailleirão, em Delmiro Gouveia. Segundo depoimento, ele apresentava sinais aparentes de embriaguez, repetia não saber o que havia acontecido e alegou não se recordar do momento dos disparos. O policial afirmou ainda que não possuía desentendimentos com as vítimas, que eram seus “grandes amigos”.

Família contestou hipótese inicial

Após ter acesso ao corpo do sobrinho no Instituto Médico Legal (IML), em Arapiraca, o delegado da Polícia Civil de Sergipe Luciano Cardoso, tio de Yago Gomes, contestou a hipótese inicial de surto atribuída ao suspeito.

Em entrevista à TV Pajuçara, ele afirmou que o sobrinho teria sido “executado”. Veja abaixo, a fala do familiar.

"A informação que eu tenho é que ele já matou um colega há anos atrás, executou um preso dentro da viatura e que recentemente matou um cachorro. Será que a Corregedoria da Polícia Civil de Alagoas não tinha conhecimento desses fatos, porque que estava na ativa se era louco? Pelo que vi aqui, ele assassinou um policial [Denivaldo Jardel Lira Moraes] e Yago não concordando com a situação, ele foi lá e matou Yago para não ter testemunhas", enfatizou.

O delegado também questionou a versão apresentada inicialmente sobre um possível surto e cobrou aprofundamento das investigações.

“Se foi surto, por que ele não deu o tiro na cabeça dele?”, afirmou.

Luciano Cardoso ainda pediu apuração sobre eventuais antecedentes funcionais do suspeito e cobrou respostas sobre as circunstâncias do crime.

Prisão em flagrante convertida em preventiva

O policial civil Gildate Goes teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça nesta quarta-feira (20). A decisão trouxe que a imposição de medidas cautelares seria “insuficiente”. Também foi determinado que o autuado permanecesse detido em uma cela separada dos demais detentos, por ser agente de segurança pública.

Além disso, o juiz também determinou que sejam cumpridas diligências como realização do exame toxicológico nas vítimas e no suspeito; perícia no celular do autuado; levantamento e análise de imagens de câmeras de vigilância da região; oitiva de testemunhas que possam ter presenciado os fatos; e uma investigação no estabelecimento comercial onde as bebidas foram consumidas pelos agentes de segurança.

*Estagiária sob supervisão.

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