Alagoas

Líder religiosa que teve terreiro atacado quer combater crimes de intolerância em AL

João Victor Souza | 14/05/19 - 13h43 - Atualizado em 14/05/19 - 13h45
Casa de yalorixá foi alvo de ataque em Maceió | Arquivo/Ascom Semudh

A yalorixá Veronildes Rodrigues, a mãe Vera, líder religiosa do terreiro de religião de matriz africana invadido e depredado na última segunda-feira (13), esteve na sede da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Alagoas (OAB/AL), nesta terça-feira (14), para buscar medidas efetivas para crimes de intolerância religiosa.

Nesta manhã, ela também esteve na Defensoria Pública de Alagoas, onde procurou apoio da Justiça para combater os casos de violência contra grupos religiosos. Já nas próximas horas, a yalorixá deve registrar a ocorrência em uma delegacia de Maceió. 

 “Vamos tomar uma posição. Vamos fazer o registro da ocorrência na delegacia nesta tarde. A intenção é de nos matar, não é só invadir e quebrar tudo nos terreiros. Tem que ser feita uma ação rápida”, declarou a líder religiosa que confessou estar amedrontada com o ataque que sofreu.

Além de buscar a punição aos invasores, Veronildes Rodrigues afirmou que no próximo domingo vai realizar um ato no terreiro para mostrar as pessoas que "não vai abaixar a cabeça para os criminosos".

Objetos e oferendas foram destruídos durante a madrugada | Cortesia ao TNH1

O presidente da Comissão de Defesa da Igualdade Social da OAB/AL, Alberto Jorge, contou que o órgão vai acolher a denúncia após formalização e em seguida vai ouvir os representantes da religiosidade afro-brasileira para tomar direcionamentos.

“Primeiro vamos discutir sobre a necessidade de ter uma delegacia especializada para os crimes contra a população negra. Essa mesma apurar os casos voltados para discriminação racial, intolerância religiosa, violências contra a comunidade LGBT...”, afirmou.

Ainda de acordo com ele, casos semelhantes aconteceram nos últimos anos e acabaram encaminhados para as delegacias comuns, porém até o momento as investigações dos crimes tiveram insucessos.

“Precisamos ter um pouco mais de identificação com essas causas. Os agressores não são identificados, os inquéritos estão parados. É necessário que a gente veja essa situação”, salientou.

Alberto Jorge ainda destacou que conversou por telefone com o presidente da OAB/AL, Nivaldo Barbosa, e que ele vai levar a questão para o Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg).

“A violência contra os segmentos minoritários em Alagoas será discutida no Conseg, para que a gente possa ter um olhar diferenciado para as agressões provocadas pela intolerância religiosa”, finalizou

Invasão e depredação

A casa da yalorixá Veronildes Rodrigues, que fica em um conjunto habitacional na parte alta de Maceió, foi quebrado na madrugada da última segunda-feira (13). Vândalos invadiram o terreno para quebrar peças de culto e oferendas expostas na área externa da residência.

A yalorixá contou que dormia com a família, incluindo seis crianças, quando por volta das 4h da madrugada a mãe de uma das crianças levantou para ir ao banheiro e ouviu risadas no quintal. “Primeiro ela ouviu a risada e depois aconteceu a quebradeira”, explicou Veronildes.