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Mãe acusa creche de dopar menino autista de 2 anos no Rio de Janeiro

CNN Brasil | 25/06/24 - 11h03
Reprodução

A mãe de um menino autista de 2 anos e 10 meses denunciou que seu filho foi dopado na creche municipal René Biscaia Raposo, em Cosmos, na zona oeste do Rio de Janeiro. Um exame realizado pela família em um laboratório particular constatou a presença de Zolpidem, um remédio com efeito sedativo, no organismo da criança.

Segundo relato da mãe da criança, Lays Almeida, no dia 14 deste mês, o menino foi deixado na creche em total normalidade. Porém, ao buscar a criança no fim da tarde, a mãe percebeu que ele estava cambaleando e sem conseguir se manter em pé.

Lays questionou a professora que estava com a criança no momento. A profissional respondeu que nada de anormal tinha acontecido, e que o menino estava apenas com sono.

Porém, a mãe estranhou o comportamento da criança em casa. De acordo com ela, o menino não conseguia sequer pegar brinquedos ou caminhar.

A família decidiu então levar a criança até o Hospital Municipal Rocha Faria, onde ele teria chegado desacordado. Durante o atendimento, a mãe afirma que ligou novamente à escola, na presença do médico, para questionar se algum medicamento teria sido dado ao menino, e a escola negou.

Ainda conforme o relato da mãe, o médico optou por administrar um medicamento que reverte o efeito de remédios sedativos. Com isso, a criança retomou a consciência após um tempo, ficou em observação e recebeu alta.

A família decidiu então fazer o exame toxicológico em um laboratório particular, que constatou a presença do sedativo no organismo da criança.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio confirmou que o menino deu entrada no Hospital Municipal Rocha Faria no dia 14 de junho, com sonolência e sem reação a estímulos. “Em relato à equipe médica, a mãe sugeriu que ele poderia ter sido dopado. O paciente realizou exames laboratoriais, que não tiveram alterações significativas, e recebeu os cuidados necessários. Após apresentar melhora, teve alta”, diz a nota.

Lays registrou um boletim de ocorrência contra a escola que, segundo ela, seguiu negando que qualquer medicamento tenha sido dado ao menino. “Queremos que quem deu essa medicação e todos os cúmplices paguem e que eles sejam exonerados pra que futuramente o pior não aconteça com nenhuma criança”, declarou.

Além disso, a família também pediu a transferência do menino para outra instituição. De acordo com o relato da mãe, porém, não houve retorno da Secretaria de Educação sobre uma nova vaga.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro informou que instaurou sindicância e está colaborando com a investigação da Polícia Civil para comprovar se alguma substância foi dada à criança dentro da escola e quem teria sido o responsável. “Desde que tomou conhecimento, a Secretaria procurou a família e atendeu imediatamente o pedido de transferência do aluno de escola”, completou.

Ja a Polícia Civil afirmou que o caso foi registrado na 35ª DP (Campo Grande) e encaminhado à 36ª DP (Santa Cruz) para prosseguimento das investigações. Ainda conforme a corporação, a criança foi encaminhada para realizar exame de corpo de delito e demais diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.