Ministério da Justiça abre investigação sobre CazéTV por anúncios de bets na Copa

Publicado em 25/06/2026, às 12h00
Isabelle Oliveira/Divulgação
Isabelle Oliveira/Divulgação

Por UOL

A Senacon iniciou uma investigação sobre possíveis irregularidades nos anúncios de apostas esportivas veiculados pela CazéTV durante a Copa do Mundo, visando garantir que as normas de publicidade responsável sejam seguidas. A análise se concentra em ações promocionais que podem incentivar apostas impulsivas ou apresentar informações enganosas sobre riscos.

As investigações foram motivadas por vídeos que mostram publicidades de casas de apostas durante as transmissões, com a Senacon alertando que mensagens que minimizam riscos ou sugerem ganhos fáceis são ilegais. A deputada Erika Hilton também solicitou à Justiça a proibição da divulgação de apostas por comentaristas esportivos, argumentando que isso induz os telespectadores a apostarem de forma irresponsável.

A CazéTV defende que suas práticas estão em conformidade com a legislação brasileira e as diretrizes do CONAR, afirmando que segue padrões semelhantes aos de outros veículos de comunicação. O principal apresentador da CazéTV, Casimiro Miguel, comentou sobre as críticas às publicidades de apostas, questionando o impacto real dessas ações nas transmissões esportivas.

Resumo gerado por IA

A Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), órgão público federal vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, abriu uma investigação para verificar possíveis irregularidades nos anúncios de apostas esportivas feitos pela CazéTV durante a Copa do Mundo.

As investigações começaram após a análise de vídeos com ações promocionais de diversas casas de apostas durante as transmissões da CazéTV. As ações serão analisadas pela Senacon, que vai verificar se as normas têm sido seguidas.

As normas exigem publicidade responsável, transparente e com informações claras sobre os riscos envolvidos nas apostas. Mensagens que incentivem apostas impulsivas, sugiram ganhos fáceis ou minimizem os riscos são consideradas ilegais.

As publicidades de diversas casas de apostas durante as transmissões da CazéTV acontecem antes e no decorrer dos jogos da Copa do Mundo. Se houver irregularidades, medidas administrativas podem ser tomadas contra a empresa, segundo a Senacon.

Sem citar a CazéTV, a deputada Erika Hilton pediu à Justiça, nessa quarta-feira (24), que os comentaristas sejam proibidos de divulgar bets durante transmissões. Pelas redes sociais, ela informou que acionou o MPF.

"Estou acionando o Ministério Público Federal pra que a justiça proíba, imediatamente, a publicidade de bets e odds por comentaristas esportivos durante transmissões. É inaceitável um comentarista usar a sua posição de "especialista" pra induzir os telespectadores a apostarem. Mais inaceitável ainda é eles sugerirem apostas em resultados improváveis como uma forma de ganhar dinheiro fácil, dando a entender que o resultado é provável. Isso ultrapassa todos os limites", disse Erika Hilton.

CazéTV nega irregularidades

Procurada antes da decisão da Senacon, a CazéTV havia dito que a discussão é "legítima". "A CazéTV acompanha com atenção e respeito o debate público sobre publicidade de apostas esportivas. Trata-se de uma discussão legítima e importante para todo o ecossistema — veículos, operadoras, reguladores e audiência", diz em nota. "A CazéTV adota os mesmos padrões praticados pelos demais veículos que realizam transmissões esportivas no país.

"Nossas ativações comerciais seguem rigorosamente a legislação brasileira vigente, as diretrizes do CONAR e as boas práticas do setor, e trabalhamos exclusivamente com operadoras regularizadas pelo Ministério da Fazenda, em conformidade com a Lei 14.790/2023", continuou.

Principal rosto da CazéTV, Casimiro Miguel já comentou o assunto em outra data. Em um vídeo que foi ao ar em 2025, mas voltou a ganhar força nesta Copa do Mundo, ele fala sobre a onda de críticas a diversos anúncios de bets nas transmissões e questiona: "Prejudicou o quê?".

"Eu vi várias vezes a galera dizendo: 'ó, meu Deus, não aguento mais tanta publicidade de bets, tem bets em tudo o que é lado'. É fato, né? Não tem muito o que fazer, é o que faz girar o negócio. Se não existissem as bets, teria que arrumar dinheiro de outro lugar, mas não sei, sinceramente se teríamos as competições que temos [para transmitir]", disse.

"Não sei se isso tem prazo de validade, mas acho que, em outro momento, vai ser a febre de outra parada pagando. Prejudicou o quê? A galera pode se incomodar de ver na tela, mas prejudicar o quê?", finalizou Casimiro Miguel.

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