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Morre a atriz e cantora Doris Day, aos 97 anos

Veja | 13/05/19 - 13h19 - Atualizado em 13/05/19 - 13h20
Arquivo AP

A cantora e atriz americana Doris Day, estrela de várias comédias românticas nos anos 1950 e 1960, morreu nesta segunda-feira, 13, aos 97 anos. Segundo a fundação de defesa de direitos dos animais que levava seu nome, a atriz morreu em casa, cercada de amigos próximos. “Day estava em excelentes condições de saúde para uma pessoa de sua idade, até pegar recentemente uma forte pneumonia, o que resultou na sua morte”, disse o comunicado da Doris Day Animal Foundation.

De acordo com a organização, Day não queria que fosse organizado um velório em sua homenagem e também preferiu que fosse enterrada sem a instalação de uma lápide com informações sobre ela.

Inicialmente uma cantora de pop e jazz, Day foi descoberta pelos estúdios Warner Bros., estrelando seu primeiro filme, Romance em Alto-Mar, em 1948. Tornou-se uma das mais queridas atrizes de sua geração, sendo chamada por fãs e imprensa americana de “queridinha da América”. Protagonizou quase quarenta filmes, como Confidências à Meia-Noite (1959), pelo qual recebeu a única indicação ao Oscar de sua carreira, A Espiã de Calcinhas de Renda (1966) e Ama-me ou Esquece-me (1955).

Uma música interpretada por ela em O Homem que Sabia Demais (1956), de Alfred Hitchcock, Whatever Will Be, Will Be (Que Sera, Sera), porém, ganhou o Oscar de melhor canção original em 1957.

Ao lado de atores como Rock Hudson, Cary Grant e James Garner, os atores mais populares do final dos anos 1950 e começo dos 1960, Day estrelou comédias românticas e musicais líderes de bilheteria nos Estados Unidos. Por causa dos papéis que interpretava, o de mocinhas engraçadas e alegres, mas que evitavam as investidas dos homens e o sexo antes do casamento, acabou sendo pintada como recatada, uma imagem que a “confundia”, como veio a revelar anos depois.

Day teve uma chance, no entanto, de tentar mudar a maneira como as pessoas a enxergavam: foi convidada pelo diretor Mike Nicholls a estrelar a senhora Robinson em A Primeira Noite de um Homem (1967), que conta a história de um jovem e de uma mulher, bem mais velha do que ele, que se envolvem romanticamente. A atriz, porém, não se interessou e o papel ficou com Anne Bancroft. “Não conseguia me ver rolando nos lençóis com um jovem com metade da minha idade que eu tinha seduzido”, disse em entrevista. “Percebi que era um papel eficiente… mas ele ofendia meus valores.”

Seu último filme foi Tem um Homem na Cama da Mamãe (1968), mesmo ano em que ela ganhou sua própria sitcom, The Doris Day Show (1968-1973). Pouco depois, aposentou-se, tanto da carreira nas telas quanto na música. No total, lançou 29 discos – o último, My Heart, chegou às lojas em 2011, com canções que ela já havia gravado, mas que ainda não tinham sido compiladas em álbuns anteriores.

Aposentada, passou a se dedicar aos direitos dos animais, criando organizações como a Doris Day Animal Foundation. Por cerca de um ano, voltou a ficar sob os holofotes ao apresentar o talk-show Doris Day’s Best Friends, mas resistiu a retomar a carreira em Hollywood, apesar de ter sido convidada diversas vezes.

Ao lançar sua autobiografia, Doris Day: Her Own Story, em 1975, ela causou controvérsia entre os fãs por rejeitar apelidos e estereótipos que haviam sido associados a ela, como o de “virgem profissional” ou de “garota da casa ao lado”. No livro, ela dizia: “A sucessão de musicais alegres e de época que eu fiz, mais o comentário amplamente divulgado do (músico e ator) Oscar Levant sobre minha virgindade (‘Eu conheci Doris Day antes de ela se tornar virgem’), contribuiu para o que se tornou a minha ‘imagem’, que é uma palavra que me confunde. Nunca tive intenção de minha parte, seja na carreira de atriz ou na minha vida pessoal, de criar qualquer coisa que pudesse ser chamada de imagem”.

Sua vida pessoal, aliás, era atribulada. Day se casou quatro vezes – e teve problemas com quase todos os maridos. Segundo ela contava, o primeiro deles era um “sádico” que a agredia. O segundo avisou, por carta, que estava se separando dela após apenas oito meses. O terceiro era o empresário Martin Melcher, que não administrou corretamente a fortuna da atriz e a deixou em dívida quando ele morreu. O quarto foi o empresário e restaurateur Barry Comden, de quem ela se separou em 1982.