Jennifer Finch, baixista da banda L7, faleceu aos 59 anos devido a um câncer agressivo no cérebro, gerando uma onda de tristeza entre fãs e colegas de banda que a consideravam uma artista única e influente.
Finch, que estava em tratamento e não participou da turnê de despedida da banda, teve uma campanha de financiamento coletivo que arrecadou mais de US$ 350 mil em poucos dias para cobrir seus custos médicos.
A banda L7, conhecida por seu punk rock intenso e letras feministas, se destacou na cena alternativa dos anos 90, e Finch sempre defendeu a igualdade de gênero na música, criticando a rotulação de bandas por gênero.
Jennifer Finch, baixista da cultuada banda californiana L7, morreu neste sábado (18), aos 59 anos. Segundo uma nota divulgada pela banda, ela morreu de "uma agressiva forma de câncer no cérebro".
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"Estamos devastadas pela perda de nossa amada colega, irmã e amiga Jennifer Finch. Seu espírito combativo, humor e criatividade sem limites ajudaram a moldar o L7 e mudaram nossas vidas para sempre", disse a banda em nota divulgada nas redes sociais. "Jennifer foi uma artista única, que viveu da maneira que quis, e seu impacto na música, na arte e sobre qualquer um que já tenha tido a sorte de conhecê-la não pode ser medido. Nós a amamos mais do que palavras podem expressar e a levaremos conosco para sempre. Descanse no poder, nossa querida amiga."
Dias antes da morte de Finch, a banda e a família da artista haviam iniciado uma campanha de financiamento coletivo para custear seu tratamento hospitalar. Fãs e amigos se empenharam na campanha, que, em pouco mais de três dias, havia superado os US$ 350 mil pedidos. Finch estava em tratamento e decidira não acompanhar a banda na turnê de despedida, "The Last Hurrah", programada meses antes. A própria artista insistira para que as colegas de banda a guitarrista e cantora Donita Sparks, a guitarrista Suzi Gardner e a baterista Dee Plakas fizessem a turnê sem ela.
Finch nasceu em 1966 numa clínica do Exército da Salvação, em Los Angeles, e foi adotada, um ano depois, por Robert Edward Finch, um engenheiro aeronáutico, e sua esposa, Sandra Jacobson. O pai tinha grande interesse por fotografia e estimulou a filha a seguir o mesmo caminho. Desde adolescente, ela registrava seu cotidiano em fotos. Quando começou a curtir punk rock, em meados dos anos 1980, fotografou inúmeras bandas da cena underground californiana, como Black Flag, Social Distortion, Bad Religion, Suicidal Tendencies, The Vandals e Dead Kennedys, entre muitas outras.
Por volta de 1985, Finch tocou na banda feminina Sugar Babydoll, que tinha duas integrantes que formariam bandas importantes: Courtney Love (Hole) e Kat Bjelland (Babes in Toyland). No mesmo ano, Donita Sparks e Suzi Gardner fundaram o L7, e Finch entrou na banda logo depois.
O L7 fazia um punk rock acelerado e intenso, com letras feministas e inteligentes, e logo começou a chamar a atenção na cena alternativa de Los Angeles. Em 1988, a banda lançou o disco de estreia, "L7", pela gravadora punk Epitaph, de propriedade do guitarrista do Bad Religion, Brett Gurewitz. O disco chamou a atenção de diversos selos, e o segundo álbum da banda, "Smell the Magic" (1990), saiu pela Sub Pop, gravadora de Seattle que, na virada dos anos 1980 para os 1990, foi a mais importante da cena alternativa dos Estados Unidos, lançando grupos como Nirvana, Soundgarden e Mudhoney.
O L7 não era grunge fazia punk rock e era da Califórnia, não de Seattle , mas acabou incluído naquela importante geração de bandas da cena grunge que revolucionou a música independente. E o terceiro LP do L7, uma paulada chamada "Bricks Are Heavy" (1992), produzido pelo mesmo Butch Vig que fizera "Nevermind", do Nirvana, e que trazia hits de rádio como "Pretend Were Dead", "Wargasm" e "Shitlist", colocou definitivamente o L7 no panteão do rock pesado dos anos 1990.
Finch, Sparks, Plakas e Gardner excursionaram com Nirvana, Red Hot Chili Peppers e Faith No More, fizeram o show mais elogiado do Hollywood Rock de 1993 no Brasil e se notabilizaram como uma das mais intensas bandas ao vivo daquela geração. E Finch, com seu cabelo vermelho, invariavelmente descalça e pulando de um lado para o outro do palco, era uma presença magnética.
Também era uma das artistas mais conscientes e inteligentes de sua geração, sempre apoiando causas importantes direitos das mulheres e incentivo ao voto dos jovens e dando entrevistas reveladoras. Finch se irritava quando a imprensa chamava o L7 de "banda feminina": "É uma pena que jornalistas tentem inventar um estilo musical baseado em gênero, porque isso só nos trivializa", disse a baixista ao jornal Los Angeles Times. "É uma posição extremamente ignorante, porque não leva em conta as diferenças entre as bandas, que são muitas."
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