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Neto faz desenhos na agenda telefônica para ajudar avó que não sabe ler

Verne / El País | 09/08/18 - 09h20 - Atualizado em 10/08/18 - 11h33
Dona Encarna Alés aprendeu a "ler" a agenda com ajuda do neto | Arquivo Pessoal / Reprodução / El País

Dona Encarna Alés tem 74 anos e gosta de falar ao telefone. Moradora de uma cidade na Espanha, quando ela quer ligar para alguém, procura o número na lista telefônica, mas não é pelo nome do contato que encontra e, sim, pelo desenho.

Como a idosa não sabe ler, a solução para o problema foi encontrada pelo neto, Pedro Ortega: em cada número de contato, ele fez um desenho para que Alés identifique a pessoa que quer chamar.

O neto compartilhou no Twitter algumas páginas da agenda telefônica e a postagem foi retweetada mais de 15.000 vezes em um dia. "Eu conheço todos os desenhos", disse Alés em entrevista.

Ortega tem 31 anos e trabalha como gerente de comunicação. Ele conta que foi com 11 anos que fez a primeira agenda para a avó. "Meu pai lhe deu um cartão para escrever os números de telefone, e em vez de nomes, eu quis desenhar algo que ela pudesse associar a cada pessoa", lembra Ortega. Ela não sabe ler, mas entende os números.

Recentemente, o neto atualizou a agenda, mas recebeu uma bronca. "Nunca mude os desenhos", explica a avó. "Na verdade, houve uma vez que ele mudou a costureira. O desenho normalmente era uma tesoura e uma fita métrica, mas ele acrescentou uma mulher. ‘Eu disse, Peter, o que é isso? Não mude as coisas que então eu entendo’”, acrescentou.

E como eles estabelecem qual desenho atribuir a cada pessoa? "Nós usamos os objetos", diz o neto. "Por exemplo, meu irmão tinha um coelho de estimação por anos. Não há coelho, mas ele ainda é um coelho na agenda. Eu sou um livro, uma de suas filhas é uma mala porque ela trabalhava vendendo-as por muitos anos”, explica Ortega. Existem associações mais simples, como uma televisão com o técnico especializado.

A agenda é especialmente importante para a idosa desde que seu marido morreu. "A única coisa que ela sabe escrever é o próprio nome. Meu avô conseguiu ensiná-la a assinar seu nome no casamento e não com o polegar", diz o neto.

Nas respostas ao tweet de Ortega, outras pessoas dizem que também usam fórmulas semelhantes para que seus parentes que não sabem ler possam usar o telefone.

"Eu não sabia que outras pessoas faziam coisas assim até eu postar o tweet", diz Ortega. Em uma de suas edições, ele inovou com fotografias em vez de desenhos, mas sua avó não gostou. Estas são as páginas da agenda de Alés, com os contatos pictóricos de seu neto.

Veja os desenhos: