Nova espécie de aranha com “carinha feliz” é descoberta na Ásia; veja fotos

Publicado em 24/07/2026, às 18h34
Foto: Reprodução/Devi Priyadarshini e Ashirwad Tripathy
Foto: Reprodução/Devi Priyadarshini e Ashirwad Tripathy

Por Revista Galileu

Cientistas descobriram uma nova espécie de aranha, a Theridion himalayana, nas montanhas indianas, que possui padrões de abdômen semelhantes à aranha havaiana Theridion grallator, desafiando a crença de que esta última era a única de seu tipo.

Ambas as espécies apresentam 32 variações de padrões que se assemelham a rostos sorridentes, mas a pesquisa revelou que elas desenvolveram essas características de forma independente, evidenciando um fenômeno conhecido como evolução convergente.

Os pesquisadores, que inicialmente estudavam formigas, agora buscam entender a relação entre as espécies e os padrões de cor, além de investigar a preferência das aranhas por plantas de gengibre, com novas coletas e estudos planejados para elucidar esses mistérios.

Resumo gerado por IA

“Doppelgänger” é o termo alemão que faz referência a um acontecimento (quase) fantástico: ter um sósia não-biológico. Hoje, a ciência já comprovou que é estatisticamente possível encontrar alguém idêntico à você (gêmeos univitelinos, não estamos falando de vocês, viu?). E engana-se quem pensa que só existem doppelgängers humanos, porque uma espécie de aranha recém-descoberta veio para quebrar com essa lógica.

Por mais de um século, pesquisadores acreditavam que a aranha-carinha-feliz (Theridion grallator) existia apenas no Havaí. O que eles não imaginavam é que a cerca de 12 mil quilômetros de distância, nas montanhas indianas de Uttarakhand, eles encontrariam a Theridion himalayana, ou melhor, a aranha-carinha-feliz-do-Himalaia.

Além de ambas serem aracnídeos, as sósias possuem uma grande variedade de padrões em seus abdômes que se assemelham a rostos sorridentes (daí o nome “aranhas-carinha-feliz”). Esses padrões se chamam “variações de cor” e, tanto a espécie havaiana quanto a do Himalaia apresentam 32 variedades, agrupadas em cinco categorias.

Porém, no estudo publicado em 24 de abril na revista científica Evolutionary Systematics, os cientistas afirmam que as aranhas desenvolveram seus abdômes – e, consequentemente, as suas carinhas de felicidade – de forma independente. Para eles, esse fator “fornece evidências convincentes de evolução convergente”, nome técnico do processo pelo qual espécies distantes (e sem um ancestral comum recente) desenvolvem características semelhantes.

Sem querer querendo

Curiosamente, os cientistas nem estavam atrás desse achado. “A descoberta foi acidental porque nossa pesquisa era originalmente sobre formigas”, contou Devi Priyadarshini, do Museu Regional de História Natural, em publicação no blog científico Pensoft.

Foi o pesquisador Ashirwad Tripathy quem, por acaso, colocou a lupa certa no lugar certo: ele vinha enviando fotos de aranhas de regiões de alta altitude para identificação, até que uma imagem da parte inferior de uma folha de Daphniphyllum mudou tudo. “Fiquei paralisada porque eu já tinha visto a aranha havaiana durante meu próprio mestrado”, relembrou Priyadarshini.

Na imagem abaixo, você pode ver a variação das carinhas felizes da nova espécie.

A partir daquele dia de outubro de 2023, o que era um projeto sobre formigas virou uma corrida para entender a “gêmea do Himalaia”. Nos meses seguintes, novas coletas permitiram à equipe reunir 61 exemplares em três localidades de Uttarakhand – Makku, Tala e Mandal –, analisando sexo, estágio de vida, variações de cor e DNA de cada um.

Um sorriso meio Mona Lisa

A análise genética mostrou uma diferença de 8,5% a 12% entre a aranha indiana e a havaiana. Pode parecer pouco, mas, no universo genético, é o suficiente para separar as duas em espécies distintas, ainda que do mesmo gênero, Theridion. Ou seja: elas são primas distantes ou, se você preferir, podemos falar que elas são doppelgängers.

Brincadeiras à parte, a descoberta de que elas não são da mesma espécie é o que explica a tal evolução convergente, isto é, quando duas linhagens sem ancestral comum recente desenvolvem, cada uma por conta própria, soluções parecidas para problemas parecidos. E o problema, nesse caso, é o motivo por trás do sorriso, que ainda intriga os próprios pesquisadores.

Afinal, por que duas aranhas em lados opostos do planeta “decidiram” estampar o mesmo padrão de carinha feliz nas costas? A resposta mais aceita até agora é que o desenho pode confundir ou afugentar predadores.

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