Alagoas

Número de desaparecidos em Alagoas supera habitantes de município do Agreste

João Victor Souza* | 12/06/24 - 10h40
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O Programa de Localização e Desaparecimento de Desaparecidos (Plid/AL), coordenado pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), já registrou mais de 3 mil pessoas cadastradas até o dia 12 de junho de 2024. O número supera o total de habitantes do município de Pindoba, situado a cerca de 83 quilômetros de Maceió, no Agreste do Estado.

O desaparecimento de pessoas é um fenômeno de extrema complexidade em todo o país. Milhares de famílias são afetadas e, por isso, a rede de busca imediata foi criada para obter resultados quanto às buscas por quem sumiu, mas a maioria dos casos registrados ainda está sob investigação. 

O número em Alagoas chama a atenção por ultrapassar a população da cidade do Agreste que, de acordo com o Censo 2022, do IBGE, tem 2.731 moradores, sendo a cidade com menor número de habitantes do estado

"O Plid em Alagoas atua operando o banco nacional, zelando para que nenhum caso seja esquecido, priorizando a cooperação mútua nas buscas por pessoas desaparecidas, por meio da rede de busca imediata que vem agindo de forma incansável no tocante a esse propósito, alcançando importantes resultados e respondendo aos anseios de tantas famílias que vivem a dor de ter um ente desaparecido”, declarou a promotora de Justiça Marluce Falcão, coodenadora do Plid/AL.

Mais de 100 mil desaparecidos no país

O Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid/CNMP), plataforma desenvolvida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro que, em 2017, foi expandida aos Ministérios Públicos dos estados, sob a gestão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), divulgou que os registros alcançaram, em todo o território nacional, o marco de 100.007 casos de desaparecimento de pessoas. Destes catalogados, 75.702 permanecem sob investigação, outros 24.067 foram finalizados, e outros 238 aguardam instauração.

“Desde que foi implantado o Sinalid/CNMP e, em sequência, a integração e operacionalização pelos Ministérios Públicos estaduais, por meio dos Plids, há grandes avanços e conquistas no enfrentamento do fenômeno do desaparecimento de pessoas no Brasil, que vem sendo acompanhado pelo Comitê Nacional do Sinalid, que integra a Comissão de Direitos Fundamentais do CNMP", disse Marluce Falcão.

Segundo o MPAL, até o dia 12 de junho de 2024, o Plid/AL registrou no sistema nacional 3.082 casos, muitos solucionados e outros sob investigação, e que estão sempre sendo revisitados. Desse percentual, o número de crianças atinge 2,61%.

“Ressaltamos a importância do cadastro nacional de desaparecidos, que nos permite visitação aos casos e o compartilhamento das informações entres os Plids, zelando pela proteção dos dados e, dessa forma, fazendo com que jamais sejam esquecidos. O Sinalid é uma importante ferramenta a serviço da sociedade brasileira. Hoje, em Alagoas, proporciona que os casos de desaparecimento de pessoas saiam da obscuridade, reclamando uma atuação efetiva do Poder Público, o que encoraja a todos que integram o Plid/AL, pois assumimos esse compromisso junto à sociedade, unindo forças para apresentarmos mais resultados positivos”, afirmou a coordenadora do Pllid/AL.

Para acionar o PLID, do Ministério Público de Alagoas, em casos de parentes que sumiram ligue: (82) 2122-5220 ou 99182-0121 ou se dirija a uma Promotoria de Justiça no interior.

Caso Maria Clara

Um dos casos ainda sem solução foi o da menina Maria Clara Gomes da Silva. A criança de apenas cinco anos (à época) desapareceu no bairro Vergel do Lago, em Maceió, no 19 de julho de 2021. Ela saiu de casa para brincar com uma amiga, próximo da residência onde mora, mas não retornou mais.

Maria Clara deu nome a uma campanha para alertar os pais sobre a importante ferramenta na busca por crianças desaparecidas: a carteira de identidade. Ela foi idealizada neste ano, com iniciativa do MPAL e com a parceria do Instituto de Identificação de Alagoas.

*Com informações da Ascom MPAL